Deixe-me

Deixe-me só com minhas sombras
Caminha para longe dos meus lábios de amarguras sem fim
Meus trapos de lembranças escondidas no assoalho
Foge dos meus laços de paixão doentia e sutil

Deixe-me em paz com meus pesadelos
Observa de longe meu pranto infantil
Minhas armas quebradas jogadas ao vento
Corre do meu olhar venenoso e juvenil

Deixe-me quieta com minhas sinfonias
Esconde-te do ódio que não sinto por ti
Meus versos de amor colhidos na chuva
Afasta-te do meu perfume que nada diz

Deixe-me apenas e simplesmente
Porque construí sonhos que se derrubaram por ti
Criei monstros que me perseguiram na noite constante
E numa cela de dores, me encarcerei.

Deixe-me só com meus fantasmas
E sinta de onde estiver meus soluços de dor
Deixe-me sozinha no escuro dos teus olhos fechados
Irei dormir no teu passado ao som do teu silêncio.

. Lyani . 2004 }


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2 comentários sobre “Deixe-me

  1. kk Verly disse:

    Lindos, teus poemas.

    Teus poemas, não os dates nunca… Um poema
    Não pertence ao Tempo… Em seu país estranho,
    Se existe hora, é sempre a hora estrema
    (…)
    Um poema é de sempre, Poeta:
    O que tu fazes hoje é o mesmo poema
    Que fizeste em menino,
    É o mesmo que,
    Depois que tu te fores,
    Alguém lerá baixinho e comovidamente,
    A vivê-lo de novo…
    (…)
    Não os dates, porém:
    As almas não entendem disso…

    ((Quintana, in: Data e Dedicatória))

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