Fechar os olhos, ou despertar?

Roubartilhei daqui:

“A vida de um ser humano vale mais que a de um animal”

Foi essa frase que li num lugar bastante inusitado. Estava estudando em um livro sobre Segurança no Trabalho. Falava sobre normas técnicas e tudo mais no trabalho. Para não deixar o ensino difícil os autores contaram uma história. Então uma parte dessa história era um acidente numa empresa e num certo momento as pessoas precisavam entrar em uma sala que poderia estar contaminada com gás tóxico. Uma das pessoas que estava na empresa possuía um ratinho de estimação. Depois de alguma discussão por fim decidiu-se lançar o ratinho na tal sala e ver o que acontecia. O animalzinho acaba morrendo e a conclusão sobre porque usar o animal é a frase que citei no início do texto.

É realmente difícil uma situação em que alguma pessoa precisa se arriscar. E em geral não demora muito para escolhermos usar animais para preservar nossa pele. E esta escolha não é insana. Ela tem uma série de questionamentos éticos e morais. Mas acima de tudo, não importa o que o ser humano decida, a frase acima está totalmente equivocada.

A começar que os seres humanos são animais. A frase opõe humanos aos animais. Em princípio nos acostumamos a chamar os animais não-humanos de “animais” e considerar a nós mesmos como algo superior. Algo tão superior que nem lembramos mais que somos animais. Esquecemos que assim como um cachorro, uma vaca, um cavalo, nós partilhamos órgãos de reprodução, digestão, temos cérebro, etc. Somos inclusive 98% de genética idêntica à um chimpanzé. Eu sei que para muitos é uma ofensa aceitar este fato, mas é um fato.

Em segundo lugar é preciso ver que esta classificação de “quem vale mais” é confusa. Mesmo as pessoas que aceitam de bom grado que animais são inferiores e que devem ser usados em experiências científicas, mesmo elas com seus preconceitos tem dificuldades em avaliar entre o que vale mais: um ser humano corrupto e desumano ou um animal de resgate que foi treinado para salvar vidas? Porém, mesmo com esta dificuldade, esta comparação permanece ainda absurda.

Quem convive com animais sabe bem do que estou falando. Eles não são “computadores regidos por instintos”. Animais não humanos são diferentes de nós, mas são seres com personalidade, individualidade, gostos igual qualquer ser humano.

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Empatia, o sentimento que pode mudar a sociedade

Roubartilhei daqui:
“A empatia é a força mais poderosamente perturbadora do mundo, só fica atrás do amor.”

A frase é da professora canadense Anita Nowak, que pesquisa esse sentimento. Sem empatia, sobra intolerância, bullying, violência. Sem gastar um segundo imaginando como o outro se sente, de onde vem, em qual contexto foi criado, ao que foi exposto, sem se lembrar que cada um tem sua história e sem tentar entender como é estar na pele do outro, surgem os crimes de ódio, as discussões acaloradas nas redes sociais, o fim de amizades de uma vida toda.

É preciso ter empatia para aprender que não existe verdade absoluta, que tudo depende do ponto de vista. Segundo uma pesquisa da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, o Brasil não é dos países mais empáticos do mundo. Sim, somos conhecidos pela alegria e pela hospitalidade, mas quando falamos em se colocar no lugar do outro e tentar entender o que ele sente, ainda estamos muito longe do ideal. O estudo analisou respostas de um questionário aplicado em 61 países, com 104 mil pessoas, que tentava medir compaixão e empatia em situações hipotéticas. O Brasil ficou em 51º na lista, atrás de países como o Equador, Arábia Saudita, Peru, Dinamarca e Emirados Árabes, por exemplo. Mas o problema do egocentrismo e da falta de amor ao próximo não é exclusivo dos brasileiros. É uma preocupação mundial.

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Um show do Radiohead não se compara a outros

Eu estava lá ❤ ❤ ❤  Foi a realização de um sonho!
E não tenho palavras melhores pra descrever este show maravilhoso!!

Roubartilhei daqui:

Ontem, brincando, disse que meu semestre musical tinha se encerrado. Abril ainda tem uns dias pela frente, mas não consigo pensar em mais nada que chame minha atenção. Ao menos neste momento. Ao menos neste dia.

Desde o ano passado estou comprando ingressos para este semestre. No caso do Depeche Mode, deu quase um ano entre a aquisição e o show (foram duas entradas de pista premium. Muita grana? Sim, mas eu sabia que estava investindo). Para o Lollapalooza, fiz o que sempre faço: garanto antes mesmo de o line-up ser revelado (é mais barato). E foram todos os três dias (dois ingressos de novo: meus e da filhotinha). Foo Fighters? Mais dois ingressos de pista premium. Lamentei muito não poder comprar para o show do Jorge Drexler. Eu teria amado. Mas o bolso anda curto. E assim foram outros. Deixa passar, não pense muito. Eu sou uma mulher de shows, porém o dinheiro encolheu. You can’t always get what you want.

Com o Radiohead, estava em sofrimento. Ok, você pode achar uma tremenda besteira. Sofrimento é a crise da Síria. Certamente. Porém peço apenas para considerar que estamos falando só de show, de música. E nesse pequeno quadrado dos gostos e das preferências da vida eu sou muito ligada nisso: shows. É como se eu tivesse lido um bom livro (e ninguém critica a compra de um bom livro). É como se eu tivesse viajado para algum lugar (mas isso tem gente que critica sim). Estar num show e ver a performance de uma banda ou de um artista realmente faz bem para mim. Até saiu pesquisa falando dos benefícios de ver um show, de acompanhar um festival (se duvida, tem aqui uma matéria do UOL a respeito: “O segredo do bem-estar”).

Pois então. Sem muito dinheiro para extras, eu me contorcia em silêncio quando me vinha à mente a proximidade da apresentação. Entendam, o melhor show da minha vida foi o do Radiohead na Chácara do Jockey, em São Paulo, em março de 2009. O arquiteto Isay Weinfeld, em texto publicado na Folha de S. Paulo, resumiu as sensações daquela noite: “o que é aquilo que passou por mim com tanta força?”. A cidade tinha se transformado naquela noite aos olhos de quem viu o Radiohead como eu vi.

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Sobre os fervilhantes acontecimentos políticos do final de semana…

Roubartilhei daqui: 

O sistema político brasileiro é podre, reflete de forma cristalina o modus operandi de grande parte do povo. Após décadas em estado de coma, preocupado apenas com futebol e novela, o gigante acordou e saiu tropeçando em tudo. A internet ajudou, o “público” que antes se resumia aos vizinhos, familiares próximos e colegas de trabalho, aumentou sobremaneira. Com péssima interpretação de texto, poupou tempo e se acostumou a dissertar sobre qualquer tema a partir das manchetes, inclusive as falsas. Nunca subestime a estupidez humana, saiba que existem pessoas alfabetizadas e diplomadas neste momento elaborando planos para provar que a Terra é plana.

Ao negar a lucidez, abriu-se espaço para o sentimento mais rasteiro e fácil, o ódio. A discussão política foi ganhando tons cada vez mais agressivos, logo, os perigosos extremos foram potencializados. Adultos infantilizados acreditam em qualquer teoria da conspiração e enxergam “heróis” e “vilões” sem tons de cinza, nunca foi tão fácil posar de indivíduo consciente, basta participar de manifestações e, claro, postar várias fotos das esfuziantes caminhadas nas redes sociais. A intenção é boa, mas não há como amadurecer o sonolento pensamento crítico político em poucos anos, faz parte do processo agir de forma apatetada. Vista a bandeira do país pela manhã nas ruas e passe o restante do seu dia somando no coro rancoroso e desafinado dos vigilantes sonâmbulos, esbravejando frases de efeito e piadas de duplo sentido, continue encarando a vida como uma revista em quadrinhos de super-heróis, defenda que não há tempo para o hábito da leitura enquanto acompanha por horas as fofocas divertidas nos seus duzentos grupos de Whatsapp. É exatamente de pessoas como você que o sistema necessita para se manter podre.

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12.03 [18] – Dia do Bibliotecário

“Toda vida sonhei ser bibliotecário – disse. É a única coisa para que sirvo”.

. Gabriel Garcia Marquez in Do Amor e Outros Demônios .

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Para ir além do plágio.

A cópia não é só um problema de pesquisa e produção textual, mas também ético.

Se por um lado a democratização da internet ampliou e diversificou o acesso às fontes de pesquisa, por outro, facilitou uma má conduta comum entre estudantes de Ensino Médio e Superior: o plágio.

O comando é simples e tentador. Um ctrl + c seguido de ctrl + v e aquela tela, antes em branco, enche-se de frases, parágrafos ou, até mesmo, páginas inteiras de trabalhos alheios.

Marcada pela violação dos direitos autorais e comumente associada ao campo das artes como a música e a literatura, a infração também problematiza o ambiente escolar ao mostrar-se presente em trabalhos, lições e outras atividades do cotidiano do aluno.

Ao “roubar” as palavras de outro e, consequentemente, suas ideias, o delito coloca-se não somente como um problema de domínio da produção textual e de pesquisa, mas também de cunho ético”.

Identificá-lo, porém, não é tão fácil.

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