Os Livros e os Dias

Roubartilhei daqui:

Os livros e os dias: um ano de leituras prazerosas de Alberto Manguel!

Nesta obra, o escritor Argentino, narra em formato de diário pessoal uma experiência ímpar de reler um grande romance por mês, durante um ano. Podemos assim dizer, um ano literário, em que ele registra comentários e reimpressões sobre grandes clássicos. Por se tratar de um diário, ao reler as obras de grandes escritores o autor as relaciona à vida cotiana, permitindo ao leitor um olhar sob novas perspectivas de temas atuais e importantes. Manguel é capaz de construir, através de suas observações e imaginação, paralelos entre as histórias de cada mês, fazendo com que cada livro encaminhe a outro, que os escritores dialoguem entre si, e cada personagem da literatura habite o mundo real. “Os livros e os dias” remete o leitor há séculos passados ajudando-o a clarear o dia a dia em um mundo conturbado e repleto de indagações. A leitura permite a reflexão profunda sobre o mundo contemporâneo, caótico e intrigante. Bem vindo a 2019, o novo ano literário!
Não deixe de ler!
Ler é maravilhoso!

#MárioIndica
@bibliotecamariodeandrade

Cartas de amor aos livros

O livro no Brasil vive seus dias mais difíceis. Nas últimas semanas, as duas principais cadeias de lojas do país entraram em recuperação judicial, deixando um passivo enorme de pagamentos em suspenso. Mesmo com medidas sérias de gestão, elas podem ter dificuldades consideráveis de solução a médio prazo. O efeito cascata dessa crise é ainda incalculável, mas já assustador. O que acontece por aqui vai na maré contrária do mundo. Ninguém mais precisa salvar os livros de seu apocalipse, como se pensava em passado recente. O livro é a única mídia que resistiu globalmente a um processo de disrupção grave. Mas no Brasil de hoje a história é outra. Muitas cidades brasileiras ficarão sem livrarias e as editoras terão dificuldades de escoar seus livros e de fazer frente a um significativo prejuízo acumulado.

As editoras já vêm diminuindo o número de livros lançados, deixando autores de venda mais lenta fora de seus planos imediatos, demitindo funcionários em todas as áreas. Com a recuperação judicial da Cultura e da Saraiva, dezenas de lojas foram fechadas, centenas de livreiros foram despedidos, e as editoras ficaram sem 40% ou mais dos seus recebimentos— gerando um rombo que oferece riscos graves para o mercado editorial no Brasil.

Na Companhia das Letras sentimos tudo isto na pele, já que as maiores editoras são, naturalmente, as grandes credoras das livrarias, e, nesse sentido, foram muito prejudicadas financeiramente. Mas temos como superar a crise: os sócios dessas editoras têm capacidade financeira pessoal de investir em suas empresas, e muitos de nós não só queremos salvar nossos empreendimentos como somos também idealistas e, mais que tudo, guardamos profundo senso de proteção para com nossos autores e leitores.

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EXPOSIÇÃO: A Biblioteca à Noite

“Há alguns anos tenho um sonho recorrente. Estou em uma biblioteca – pouco iluminada tal como era a minha na França, com abajures verdes, teto alto, quase invisível – e caminho  implacavelmente pelos corredores cobertos de livros, imaginando quais os volumes que distingo pela lombada. Percebo que esses livros imaginários são um sonho no sonho e começo a reconstruir mentalmente os textos que acredito ter lido, os que eu gostaria de ler um dia ou os que li e esqueci, em um tipo de ressurreição forçada”. 

. Alberto Manguel in A Biblioteca à Noite .

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Inteligentes demais…

“O ato essencial da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas dos produtos do trabalho humano. A guerra é uma forma de despedaçar, de projetar para a estratosfera ou de afundar nas profundezas do mar materiais que, não fosse isso, poderiam ser usados para conferir conforto excessivo às massas e, em consequência, a longo prazo, torná-las inteligentes demais”.

. George Orwell in 1994 .

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Correio para Mulheres

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Por Patrícia Rochaàs 14h30]

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Respirar Relâmpagos

Tendo reconhecido que sobre grande parte de O morro dos ventos uivantes paria “o horror das trevas”, que em sua atmosfera tempestuosa e elétrica por vezes temos a impressão de respirar relâmpagos, permitam-me indicar aqueles pontos em que a luz de um dia nublado e o sol eclipsado ainda atestam sua existência. Para um espécime de verdadeira benevolência e prosaica fidelidade, vejam a personagem de Nelly Dean; para um exemplo de constância e ternura, observem a de Edgar Linton. (Alguns pensarão que essas qualidades não reluzem tanto encarnadas num homem como o fariam numa mulher, mas Ellis Bell¹ nunca pôde ser levada a compreender essa noção: nada a perturbava mais que qualquer insinuação de que a fidelidade e a clemência, a paciência e amorosa bondade, consideradas virtudes nas filhas de Eva, tornam-se fraquezas nos filhos de Adão. Ela sustentava que misericórdia e perdão são atributos mais divinos do Grande Ser que fez tanto o homem como a mulher, e que o que reveste a divindade de glória não pode desonrar nenhuma forma de débil humanidade). Há um humor seco e amargo na delineação do velho Joseph, e alguns lampejos de graça e bom humor animam a Catherine mais jovem. E tampouco a primeira heroína com esse nome é desprovida de certa estranha beleza em sua paixão pervertida e em sua perversidade apaixonada.

Heathcliff, de fato, permanece não redimido; nunca se desvia de seu curso certeiro rumo à perdição, desde o momento em que “a coisinha morena de cabelo preto, tão escura que mais parece ter vindo do Diabo”, foi desenrolada da trouxa e posta de pé na cozinha da casa até a hora em que Nelly Dean encontrou o cadáver, firme e sinistro, deitado de costas nas cama com painéis, com olhos arregalados que pareciam “zombar de sua tentativa de fechá-los, e lábios entreabertos com dentes brancos e afiados que zombavam também”. Heathcliff revela um único sentimento humano, e não é seu amor que poderia ferver e fulgurar na perversa essência de um gênio mau, um fogo que poderia formar o cerne atormentado, a alma em perpétuo sofrimento de um senhor do mundo infernal; e que, por sua insaciável e incessante devastação, promove a execução da sentença que o condena a carregar o Inferno consigo para onde quer que vá. Não. O único elo que vincula Heathcliff à humanidade é o afeto que rudemente confessa sentir por Hareton Earnshaw – o jovem a quem arruinou; e sua semi-insinuada estima por Nelly Dean. Se omitirmos esses traços isolados, diríamos que ele não era filho nem de um lascar nem de um cigano, mas uma forma de homem animada por uma vida demoníaca.

Se é certo ou aconselhável criar seres como Heathcliff, não sei: não creio que seja. Mas disso eu sei: o escritor dotado da dádiva criativa possui algo que nem sempre domina – algo que por vezes, estranhamente, deseja e age por si mesmo.

Currer Bell
in Prefácio do Organizador à Nova Edição de O Morro dos Ventos Uivantes


¹ Nome que Emily Brönte utilizou para publicar pela primeira vez, em 1847, O Morro dos Ventos Uivantes.

TODOS merecem amor na mesma medida!

Roubartilhei daqui:

Uma das maiores críticas ao regime nazista foi o seu ideal de uma raça humana pura e perfeita, busca esta que gerou até mesmo políticas estatais para sua efetivação. As pessoas criticam esta perspectiva enquanto à cultivam em relação aos animais. É lição de pré-escola que o homem é um animal; racional, diz-se. O que torna o homem um animal diferente dos outros é a sua própria opinião. Aos olhos de Deus tudo é sua criação e tudo vem da mesma fonte primordial espiritual. Os animais humanos repudiam a política que trabalhe em busca de uma raça humana pura e perfeita, enquanto, por vários motivos, vangloriam este mesmo ideal em relação aos animais. As pessoas não acham que uma pessoa é melhor que a outra por sua etnia, mas acham que um cachorro é melhor que outro por sua raça.

Esta incoerência se torna mais tola ainda quando as pessoas acham que um animal merece mais Amor que o outro por ser de raça, assim como as pessoas que pretendem adotar uma criança e pensam que devem escolher um ser humano para entrar suas famílias passeando por uma ala e olhando qual mais lhe agrada aos olhos. Esta é a ilusão da qual as pessoas são prisioneiras, a ilusão dos sentidos, que faz apenas do que os sentidos físicos podem perceber a sua realidade e fazem da sua realidade uma vivência de um amor paralítico, que quer o que é mais fácil, o que agrada aos olhos, porque não conseguem conectar-se à essência de todas as coisas; das pessoas que querem o cachorro de raça porque a sua realidade de amar é aleijada e não conseguem fazer o que está dentro de si amar o que está dentro do vira-lata.

A vida na matéria existe para o espírito aprender lições e tudo que é fácil demais deve ser observado com cautela. O Amor também é uma lição. A lição do Amor incondicional, que é o Amor de Deus e é o caminho para a evolução espiritual. Amar o que é fácil é fácil. Todos conseguem o que é fácil e não há méritos em alcançar o que é fácil, assim como alcançar o que é esperado na vida não diz coisa alguma. A graça da vida não é o que se consegue quando todas as circunstâncias favorecem a conseguir algo, mas o que se consegue quando nada favorecia a isso. Na vida também se aprende a amar, seja pelo despertar da consciência, o que pode ser feito simplesmente pela empatia desenvolvida, compreendendo o outro, ou pelo outro caminho, passando pelo que o outro passou para entender como é.

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