E agora, adeus.

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“Você ainda enfrentará grandes perigos, Luke” – disse. “Mas também encontrará novos aliados, em momentos e lugares onde menos esperar”.
“Novos aliados?” – Luke repetiu. “Quem são eles?”
A visão pareceu ondular e se tornar mais fraca.
“E agora, adeus” – despediu-se Ben, como se não tivesse ouvido a pergunta. “Eu amei você como a um filho, e como a um aluno, e como a um amigo. Até nos encontrarmos novamente, que a Força esteja com você”.
“Ben!”
Mas ele se virou, a imagem se desvaneceu… e, no sonho, Luke soube que estava só. Então estou sozinho, ele disse a si mesmo. Eu sou o último dos Jedi. 
Ele pareceu ouvir a voz de Ben, fraca e indistinta, como se de uma grande distância:
“Não o último dos antigos Jedi, Luke. O primeiro dos novos”…

Timothy Zahn in Herdeiro do Império.

Seja como for…

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… Os romances têm o poder de nos transportar para outra existência e nos fazer ver o mundo por outra perspectiva. Quando se está entretido em um romance, incapaz de desviar os olhos da página, está-se vendo que o personagem vê, tocando o que ele toca, aprendendo o que ele aprende. Podemos pensar que estamos sentados no sofá da sala de estar mas partes importantes de nós – os pensamentos, os sentidos, o espírito – estão em outro lugar, totalmente diferente. ‘Ler um escritor é, para mim, não apenas ter uma ideia do que ele diz, mas partir com ele e viajar em sua companhia’, disse André Gide. Ninguém volta igual de uma viagem como essa”.

Ella Berthoud [e] Susan Elderkin in Farmácia Literária .

 

DIREITO DE MATAR

No começo da Gênese está escrito que Deus criou o homem para reinar sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus desejasse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou da vaca e do cavalo. O direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa sobre a qual a humanidade inteira manifesta acordo unânime, mesmo durante as guerras mais sangrentas.
Esse direito nos parece natural porque somos nós que estamos no alto da hierarquia. Mas bastaria que um terceiro entrasse no jogo, por exemplo, um visitante de outro planeta a quem Deus tivesse dito: “Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas”, para que toda a evidência do Gênese fosse posta em dúvida. O homem atrelado à carroça de um marciano ─ eventualmente grelhado no espeto por um habitante da via-láctea ─ talvez se lembrasse da costeleta de vitela que tinha o hábito de cortar em seu prato. Pediria então (tarde demais) desculpas à vaca.

Milan Kundera
in A Insustentável Leveza do Ser

Porque é muito fácil esquecer…

A vida passa. Então vem a depressão. Aquela sensação de que você nunca mais vai ficar bem. O medo de que aquelas crises se tornem mais comuns – ou pior, que elas nunca mais acabem. Você fica tão cansada de lutar que começa a dar ouvidos a todas as mentirinhas que seu cérebro conta. Aquelas que dizem que você é um peso para sua família. As que dizem que está tudo na sua cabeça. Que, se você fosse mais forte ou melhor, isso não estaria acontecendo. Que há uma razão para seu corpo estar tentando matá-la, e que você deveria simplesmente parar com todas as injeções, esteroides, medicamentos e terapias.
No mês passado, enquanto Victor me levava até em casa para que eu pudesse descansar, eu disse que às vezes, achava que a vida dele seria mais fácil sem mim. ele fez uma pausa, como se estivesse reletindo, e então respondeu: ‘Poderia ser mais fácil. Mas não seria melhor‘.
Tento me lembrar dessa frase nos dias em que parece que a escuridão nunca vai acabar. Mas sei que vai passar. Sei que amanhã as coisas vão parecer um pouquinho melhores. Sei que na semana seguinte vou pensar nessa frase e dizer: ‘Eu deveria parar de ouvir meu cérebro quando ele está tentando me matar. Por que sequer escrevi isso?’ E é precisamente por esse motivo que estou escrevendo agora. Porque é muito fácil esquecer que já estive aqui e cheguei do outro lado desse túnel. Talvez, se eu tiver essa frase pra ler, me lembre disso da próxima vez e seja mais fácil continuar respirando até os medicamentos fazerem efeito e eu sair do buraco outra vez.

Jenny Lawson
in Alucinadamente Feliz

Direito

Eu gostaria muito de ter o direito, eu também, de ser simples e muito fraca, de ser mulher… Em que ‘mundo deserto’ eu caminho, tão árido, só tendo o oásis de minha autoestima intermitente… Falo do amor de forma mística, sei o preço. Sou inteligente, muito exigente e muito engenhosa para alguém ser capaz de se encarregar completamente de mim. Ninguém me conhece nem me ama completamente. Só tenho a mim”.

. Simone de Beauvoir .

O Riso 


O riso exige em primeiro lugar sinceridade, mas onde está a sinceridade das pessoas? O riso exige a ausência de maldade, mas as pessoas, na maioria dos casos, riem com maldade. Um riso sincero e sem maldade é uma pura alegria, mas, nos tempos que correm, onde está a alegria? E poderão as pessoas ser alegres?”.

. Fiodor Dostoievski in O Adolescente .

 

Desculpas

Quero pedir desculpas à todas as mulheres que descrevi como bonitas antes de dizer inteligentes ou corajosas. Fico triste por ter falado como se algo tão simples que nasceu com você fosse seu maior orgulho quando seu espírito já despedaçou montanhas. De agora em diante, vou dizer coisas como: ‘Você é forte!’ ou ‘Você é incrível!’. Não porque eu não te ache bonita, mas porque você é muito mais do que isso”.

. Rupi Kaur in Outros Jeitos de Usar a Boca .