Objeto mais PERFEITO

“O LIVRO, eu acho, o objeto mais perfeito que o ser humano criou”.

. Ziraldo .

Da entrevista feita para uma campanha do Itaú Social para o incentivo à leitura:

A MULHER por Clarice Lispector

Mestra dos detalhes, a autora é uma das mais replicadas na rede. Entenda por que as frases de Clarice se tornaram fenômeno pop!

Clarice Lispector (1920-1977). Principais obras: A Hora da Estrela (1977) e A Paixão segundo G.H. (1964). Modernismo

Clarice Lispector (1920-1977).

“Eu era uma mulher casada. Agora sou uma mulher.”

Essa única frase resume a essência do conto “A Fuga”, de Clarice Lispector, no qual uma mulher sai de casa e, ao passar algumas horas sozinha numa praça, decide se separar do marido. Essa capacidade de fazer em poucas palavras sínteses de situações humanas complexas se tornou um prato cheio para internautas.

Os sites de mensagens inspiradoras e as redes sociais espalham e compartilham dezenas de frases atribuídas à escritora, geralmente acompanhadas de fotos e músicas românticas. Nem sempre, no entanto, as frases foram de fato retiradas dos livros, das entrevistas ou das colunas femininas que Clarice escrevia para jornais, nos quais assinava com pseudônimos, como Tereza Quadros e Helen Palmer.

Apesar de nem tudo que a gente recebe nas nossas caixas de email ou nos feeds de redes sociais ter sido de fato assinado por ela, Clarice Lispector é um sucesso nas redes. Sua fanpage no Facebook, por exemplo, tem mais de 160 mil seguidores! (Só para dar uma ideia, a do cantor Roberto Carlos tem cerca de 16 mil)

“As pessoas gostam de máximas e Clarice tinha mesmo essas frases sentenciosas. ‘ A descoberta do mundo’ é cheio delas ”, diz Yudith Rosembaum, professora de literatura brasileira na Universidade de São Paulo e autora, entre outros, do perfil “ Metamorfoses do Mal – uma leitura de Clarice Lispector ” (Edusp).

Continuar lendo

Equilíbrio da Balança

Lya Luft

“O que escrevo nasce do meu próprio amadurecimento, um trajeto de altos e baixos, pontos luminosos e zonas de sombra. Nesse curso entendi que a vida não tece apenas uma teia de perdas, mas nos proporciona uma sucessão de ganhos. O equilíbrio da balança depende muito do que soubermos e quisermos enxergar”. 

. Lya Luft in Perdas e Ganhos .

Gratidão

(…) Diariamente eu chego a simples conclusão de que a vida é tão maravilhosa porque também é feita de colos, de feridas que cicatrizam, de amigos que celebram ou choram junto, de café coado com coador de pano, de gente que pega ônibus ou faz caminhada pela manhã, de quem planta o que se pode comer, de vizinhos que alimentam seus gatos com comida de gente. Que a vida é feita de algumas pessoas que direcionam todo o seu potencial criativo para melhorar a qualidade de vida de gente que eles nem conhecem. Que é feita de e-mails que chegam recheados de saudade e de cartas extraviadas solitárias numa gaveta de um correio qualquer. De muros e pontes e cais. De aviões que suprimem distâncias e de barcos que chegam. De bicicletas que atravessam cidades. De redes que balançam gente. De rostos que recebem beijos. De bocas que beijam. De mãos que se dão. Que existem pessoas altamente gostáveis, altamente rabugentas, altamente generosas, pessoas distraídas que perdem as coisas, mal-educadas que buzinam sem necessidade, pessoas conectadas que se preocupam com o lixo, pessoas sedutoras e seduzíveis, possíveis e impossíveis, pessoas que se entregam, pessoas que se privam, pessoas que machucam, pessoas que chegam pra curar desencadeadores de poemas, de sorrisos, de lições de vida que ficarão guardadas para sempre …  A vida é tão maravilhosa porque ela nos compensa com ela mesma.

Marla de Queiroz in Gazeta de Votorantim
Coluna publicada na página 06 da edição 241 de 21 a 27 de outubro de 2017

Resenha: A Sombra do Vento

Livro: A Sombra do Vento
Autor(a): Carlos Ruiz Zafón
Editora:
 Suma de Letras
Páginas: 399

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Carlos Ruiz Zafón me conquistou nas primeiras páginas desse romance. Usou uma química básica pra conseguir isso: livros + romance + mistério + citações lindíssimas. Não consegui resistir. E a partir do momento que me apaixonei, devorei o livro em poucos dias. Não dá nem mesmo pra classificar o gênero desse livro: uma mistura ótima entre romance-terror-aventura que te prende de forma embriagante.

Tudo começa em 1945 na maravilhosa Barcelona. Daniel Sempère está completando 11 anos e ao ver o filho triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe já morta, seu pai lhe dá um presente inesquecível: leva-o para conhecer O Cemitério dos Livros Esquecidos, uma biblioteca secreta no coração do centro histórico da cidade. O intuito do lugar é guardar em seus muitos labirintos de estantes, as obras abandonadas e esquecidas pelo mundo.

Lá, Daniel encontra um exemplar de A Sombra do Vento do autor Julián Carax e o livro desperta tanto fascínio no jovem que ele inicia uma busca obcecada pelos demais livros deste autor desconhecido. E é então que ele descobre que alguém vem queimando todos os exemplares que esse autor já escreveu e que o exemplar que mantém consigo talvez seja o último existente e que pode trazer um destino terrível a ele e aqueles que ele ama.

Em sua busca, que no início aparentava ser bem inocente, Daniel acaba descobrindo outros muitos segredos sombrios e mistérios terríveis de Barcelona e te faz mergulhar junto nesse suspense e busca incessante pela verdade atrás do inocente exemplar de A sombra do Vento que carrega consigo.

Resenha: A Paixão Segundo G.H.

Livro: A Paixão Segundo G.H.
Autor(a): Clarice Lispector 
Editora:
 Rocco
Páginas: 180

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Esse livro sou eu!
“Em uma outra vida que tive, aos 15 anos, entrei numa livraria, que me pareceu o mundo que gostaria de morar. De repente, um dos livros que abri continha frases tão diferentes que fiquei lendo, presa, ali mesmo. Emocionada, eu pensava: mas esse livro sou eu!”.

Clarice estava se referindo a Katherine Mansfield, nascida na Nova Zelândia, filha de pais ingleses e que abandonou o clima agradável, a vida abastada na bela ilha para entregar-se com paixão a seu intuito de tornar-se escritora. Mas eu, ao postar essa citação, me refiro a própria Clarice Lispector. Quando abri A Paixão Segundo G.H. e comecei a ler, aconteceu-me o mesmo. “Emocionada, eu pensava: mas esse livro sou eu!”.

A Paixão Segundo G.H. é um mergulho no interior do narrador-personagem, e um mergulho no nosso interior porque é impossível não ir se questionando junto com os questionamentos da personagem, é impossível não participar da viagem reflexiva que a personagem faz. Não há propriamente uma história neste livro. G.H. busca, pela introspecção, descobrir sua identidade e as razões de viver, sentir e amar e leva involuntarimante você junto:

Continuar lendo