Benditas Horas

“O livro… me fascina. Eu fui criada no mundo. Sem orientação materna. Mas os livros guiou os meus pensamentos. Evitando os abismos que encontramos na vida. Bendita as horas que passei lendo. Cheguei a conclusão que é o pobre quem deve ler. Porque o livro, é a bussola que ha de orientar o homem no porvir …”.

. Carolina Maria de Jesus in Meu Estranho Diário  .

Movimento da vida

“A camélia sobre o musgo do templo, o violeta dos montes de Kyoto, uma xícara de porcelana azul, essa eclosão de beleza pura no centro das paixões efêmeras, não é a isso que nós todos aspiramos: E não é isso que nós, Civilizações Ocidentais, não sabemos alcançar? A contemplação da eternidade do próprio movimento da vida”

. Muriel Barbery in A Elegância do Ouriço .

Resenha: Aprendendo a Viver

Livro: Aprendendo a Viver
Autor(a): Clarice Lispector
Editora:
 Rocco
Páginas: 224

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Lindo!
“…Amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Pois é a coisa mais última que se pode dar de si”

Aprendendo a Viver é uma seleção de crônicas de A descoberta do mundo, um dos meus livros favoritos de Clarice. E assim como ele é um livro de leitura infinita. Você começa e não termina mais. É aquele livro que de vez em quando você vai abrir ao acaso e se deliciar com um trecho maravilhoso e inspirador de Clarice.

Eu sou totalmente suspeita, afinal todo mundo sabe que eu sou fã de Clarice e que em minha humilde opnião tudo que ela escreve é uma obra de arte digna de mil estrelas e não só cinco. Clarice parece que escreve a gente, o nosso dia a dia, as coisas mais singelas e que você nunca imagina que alguém pode compartilhar e lá está ela falando justamente daquilo.

Assustei-me o dia que li pela primeira vez a crônica “Nossa Truculência” constante deste livro. Juro que me perguntei como pode uma mulher que morreu antes de eu nascer me conhecer tanto e tão bem. Clarice tem esse dom.

Dentre as muitas maravilhas deste livro, destaco “A perfeição”, “Não entender”, “Uma Revolta”, “Banhos de Mar” e “Perdoando Deus” que pra mim é a coisa mais linda que Clarice já escreveu.

Leitura recomendada!

09.04 [18] – Dia da Biblioteca

“Os livros não matam a fome, não suprimem a miséria, não acabam com as desigualdades e com as injustiças do mundo, mas consolam as almas, e fazem-nos sonhar”.

. Olavo Bilac .

Sucesso

“Rir muito e com frequência; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciar a beleza, encontrar o melhor nos outros; deixar o mundo um pouco melhor, seja por uma saudável criança, um canteiro de jardim ou uma redimida condição social; saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu. Isso é ter tido sucesso“.

. Bessie Stanley .

Resenha: O Castelo do Príncipe Sapo

Livro: O Castelo do Príncipe Sapo
Autor(a): Jostein Gaarder
Editora:
 Companhia das Letrinhas
Páginas: 128

Nota: 2
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

DESAFIO LITERÁRIO 2011 – Tema: Infanto Juvenil / Mês: Janeiro (Livro 4)
Confesso que de todos que li do Gaarder, este foi o que menos gostei. Não sei explicar exatamente o que não me agradou, mas não foi uma leitura super agradável como geralmente os livros de Gaarder são. Talvez tenha sido o fato do livro ser cheio de metáforas ou talvez a mistura de realidade com sonho que me deixou um pouco embaralhada na história, não sei realmente precisar.

A história é protagonizada por um menino de 7 anos que acaba de perder o avô e apesar de chamar-se Gregório da Silva, gosta de se apresentar como Gregório Pregório. Numa certa noite ele estava andando à luz do luar quando conhece o duende Umpim e com ele vive uma incrível aventura num castelo onde guardas são Salamandras, a Rainha não usa a parte de cima da roupa, um Lorde Camareiro lê pensamentos e todos adoram comer panquecas com geléia de morango.

Quase na metade da leitura comecei a entender que o garotinho Gregório sofreu tanto com a perda do avô, do qual fala durante toda sua incrível aventura, que precisava se desligar do “mundo real” e mergulhar no “faz-de-conta”. O que é incrível nos livros de Gaarder é que tem sempre algo a refletir em sua escrita. Duas passagens me chamaram muito a atenção neste livro. Primeiro a passagem do Rei falando sobre o tempo com Gregório:

“O tempo cura todas as feridas, mas abre outras…”
“Quer dizer que o tempo é ao mesmo tempo bom e ruim?”
“Sim, as duas coisas”

E também quando Umpim, o duende, ensina Gregório a enfrentar seus medos:

“Quem foge de um sonho mau acaba sempre voltando a esse mesmo sonho. Por isso devemos tratá-lo exatamente como se trata um lobo que a gente encontra na floresta. […] Se você encontrar um lobo, não deve sair correndo, pois ele vai correr atrás de você. Você deve ficar firme no lugar e olhar bem fixamente nos olhos do lobo…”.

Apesar destas duas ótimas passagens, no todo não consegui dar muitas estrelas para esta obra. Achei as demais obras de Gaarder mais interessantes!

JÁ CHEGA DE SER “DOADORA UNIVERSAL”

Não é só relacionamento amoroso que precisa ser cultivado. Amizade também precisa de contato, de carinho, de reciprocidade. Várias vezes na minha vida eu me vi na posição de ser a pessoa que fazia tudo… A única que investia energia. Só eu ligava, só eu me preocupava se o outro estava bem, só eu dava presente, só eu dava carona, só eu dava afeto e compreensão… E é nesse ponto em que a minha vida travava. Esse é o aprendizado: pra tudo no universo existe um tempo. Tempo de plantar-tempo de colher, tempo de trabalhar-tempo de descansar, tempo de doar-tempo de RECEBER. Principalmente pras mulheres: A gente NÃO tem que ser doadora universal. Pra troca ser digna, é preciso estar pronta pra receber também. Acreditar que merecemos tudo. Carinho, afeto, compreensão. Não é preciso forçar, lutar ou cobrar nada. Quando essa falta de simetria aparecer em um relacionamento, é hora de parar, respirar, e perceber que não é por aí. Uma vez fiz um teste: parei de ligar pra uma amiga pra ver se um dia ela retornava, afinal de contas, ela nunca estava disponível. Não ligou nunca mais. Sinal que o vínculo não era assim tão forte. Recentemente isso está prestes a acontecer de novo… Difícil é saber deixar ir embora, “partir-andar”.
Não necessariamente é preciso cortar o contato, mas entender que só vai ser digno se a troca for natural e saudável para todos. Nada de passar por cima das nossas necessidades.
É um mantra que estou repetindo para mim mesma: “eu também mereço receber”. 

Texto escrito pela jornalista e mestranda Bárbara Garcia
e cedido carinhosamente a este blog para publicação.