Parece uma Janela

Você olha para um quadro pendurado em uma parede e, de repente, ele parece uma janela. Parece tanto uma janela que uma garota de 11 anos tenta esticar a mão até o outro lado. Mas a parte triste das janelas é que a maioria delas abre para os dois lados. Elas permitem que você olhe para fora, mas também deixam que alguma coisa que acontece olhe para dentro“.

. Caitlin R. Kiernan in A Menina Submersa: Memórias .

Insubstancial

O que mais tememos não é o conhecido. O conhecido, por mais horrível ou prejudicial à existência, é algo que podemos compreender. Sempre podemos reagir ao conhecido. Podemos traçar planos contra ele. Podemos aprender suas fraquezas e derrotá-lo. Podemos nos recuperar de seus ataques. Uma coisa tão simples quanto uma bala poderia ser suficiente. Mas o desconhecido desliza através de nossos dedos, tão insubstancial quanto o nevoeiro”.

. Caitlin R. Kiernan in A Menina Submersa: Memórias .

Começos e Fins

Nenhuma história tem começo e nenhuma história tem fim. Começos e fins podem ser entendidos como algo que serve a um propósito, a uma intenção momentânea e provisória, mas são, em sua natureza fundamental, arbitrários e existem apenas como uma ideia conveniente na mente humana. As vidas são confusas e, quando começamos a relacioná-las, ou relacionar parte delas, não podemos mais discernir os momentos precisos e objetivos de quando certo evento começou. Todos os começos são arbitrários”.

. Caitlin R. Kiernan in A Menina Submersa: Memórias .

Forte Impressão

─ Por que você está anotando essas coisas?
─ Você poderia querer se lembrar, um dia – respondeu ela. ─ Quando alguma coisa deixa uma forte impressão em nós, deveríamos fazer o nosso melhor para não esquecer. Por isso, anotar é uma boa ideia.
─ Mas como saber o que eu poderia querer lembrar e o que não vou querer lembrar?
─ Ah, agora essa é que é a parte difícil – disse-me Rosemary, e roeu a unha do polegar por um momento. ─ Essa é a parte mais difícil de todas. Porque, óbvio, não podemos perder todo nosso tempo tomando notas de tudo, podemos?
─ Claro que não – falei, dando um passo para trás, me afastando um pouco do quadro, mas sem tirar os olhos dele. Não era menos bonito ou impressionante por não ser uma janela, no fim das contas. ─ Isso seria ridículo, não é?
─ Isso seria muito ridículo, Imp. Perderíamos tanto tempo tentando não nos esquecer de nada, que coisa nenhuma digna de ser lembrada aconteceria a nós. 

Caitlin R. Kiernan in A Menina Submersa