Lenda

“Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a terra. A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro-alvar e só descansa quando o encontra. Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e despede um canto mais belo que o da cotovia e o do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência. Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento”

. Colleen Mccullough in Pássaros Feridos .

Quem já teve oportunidade de ler este livro entende bem que esse trecho inicial não poderia ter sido escolhido de forma melhor. Quanto sofrimento, meu Deus.

Qualquer coisa!

Mal teve consicência da dor, atento apenas aos braços de Meggie à sua volta, ao modo com que sua cabeça se inclinava para ela. Mas conseguiu virar-se até poder ver-lhe os olhos, e olhou para ela. Tentou dizer, Perdoe-me, mas viu que ela o perdoara havia muito tempo. Ela sabia que acabara levando a melhor. Depois quis dizer algo tão perfeito que ela se sentisse consolada para sempre,  compreendeu que isso também não era necessário. Fosse ela o que fosse, era capaz de suportar qualquer coisa. Qualquer coisa!

. Collen McCullough in Pássaros Feridos .