07.01 [17] – Dia do Leitor

A leitura não depende da organização do #tempo social, ela é, como o amor, uma maneira de ser. A questão não é saber se tenho tempo para ler ou não (tempo que, aliás, ninguém me dará), mas se me ofereço ou não à felicidade de ser leitor”.

. Daniel Pennac in Como um Romance .

07.01 [16] – Dia do Leitor

O verdadeiro prazer do romance está ligado à descoberta dessa intimidade paradoxal: o autor e eu… A solidão dessa escrita reclama a ressurreição do texto por minha própria voz, muda e solitária”.

. Daniel Pennac in Como um Romance .

Felicidade de ser Leitor

Sim, mas a qual fração de meu tempo disponível vou subtrair essa hora de leitura cotidiana? Aos colegas? À tevê? Às saídas? às noites passadas com a família? A meus deveres?
Onde encontrar o tempo para ler?
Grave problema.
Que não é um só.
A partir do momento em que se coloca o problema do tempo para ler, é porque a vontade não está lá. Porque, se pensarmos bem, ninguém jamais tem tempo para ler. Nem pequenos, nem adolescentes, nem grandes. A vida é um entrave permanente à leitura.
_Ler? Queria muito, mas o trabalho, as crianças, a casa, não tenho mais tempo…
_Invejo você por ter tempo para ler! E por que é que essa aqui que trabalha, faz compra, cria filhos, dirige seu carro, ama três homens, vai ao dentista, muda na semana que vem, encontra tempo para ler, e esse casto celibatário que vive de rendas, não?
O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Tanto como o tempo para escrever, aliás, ou o tempo para amar.)
Roubado a quê?
Digamos, à obrigação de viver.
É sem dúvida por essa razão que se encontra no metrô – símbolo refletido da dita obrigação – a maior biblioteca do mundo.
O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para viver.
Se tivéssemos que olhar o amor do ponto de vista de nosso tempo disponível, quem se arriscaria? Quem é que tem tempo para se enamorar? E no entanto, alguém já viu um enamorado que não tenha tempo para amar?
Eu nunca tive tempo para ler, mas nada, jamais, pôde me impedir de terminar um romance de que eu gostasse.
A leitura não depende da organização do tempo social, ela é, como o amor, uma maneira de ser. A questão não é saber se tenho tempo para ler ou não (tempo que, aliás, ninguém me dará), mas se me ofereço ou não à felicidade de ser leitor.

Daniel Pennac in Como um Romance

Resistência

Cada leitura é um ato de resistência. De resistência a quê? A todas as contingências. Todas:

  • Sociais.
  • Profissionais.
  • Psicológicas.
  • Afetivas.
  • Climáticas.
  • Familiares.
  • Domésticas.
  • Gregárias.
  • Patológicas.
  • Pecuniárias.
  • Ideológicas.
  • Culturais.
  • Ou umbilicais.

Uma leitura bem levada nos salva de tudo, inclusive de nós mesmos.
E, acima de tudo, lemos contra a morte”.

. Daniel Pennac in Como um Romance .

Vitória Perpétua

E assim vão nossos propósitos, vitória perpétua da linguagem sobre a opacidade das coisas, silêncios luminosos que dizem mais do que calam. Vigilantes e informados, não somos os enganados da nossa época. O mundo inteiro está naquilo que dizemos – e totalmente esclarecido pelo que calamos. Somos lúcidos. Melhor ainda, temos a paixão da lucidez. De onde vem então essa vaga tristeza de depois da conversa? Desse silêncio de meia-noite na casa devolvida a ela mesma?”.

. Daniel Pennac in Como um Romance .

Direitos do Leitor

  1. O direito de não ler;
  2. O direito de pular páginas;
  3. O direito de não terminar um livro;
  4. O direito de reler;
  5. O direito de ler qualquer coisa;
  6. O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível);
  7. O direito de ler em qualquer lugar;
  8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali;
  9. O direito de ler em voz alta;
  10. O direito de se calar.

Daniel Pennac in Como um Romance