Morno Repouso

{…} Não teria então lançado esse grito de covardia,
Resignado o pensamento e denunciado a vida,
Não teria chamado de bendito o poder de esquecer…
Nem, estendendo para a morte as minhas mãos impacientes,
Implorando que em troca de um morno repouso,
Me arrebatassem esta alma palpitante
E este sopro de vida.
Oh! deixe-me morrer… e que logo se acabe
A terrível disputa entre o corpo e a alma.
Que o mesmo Sono para sempre a absorva
A derrota do bem e o mal triunfante!

. Emily Brönte in O vento da Noite .

Ler bons livros…

Assim que aquele fantasma, Cathy, passou os dedos ossudos pelo vidro da janela, fiquei fascinada e não consegui mais largar o livro. Com Emily eu podia ouvir os gritos desesperados de Heathcliff nas charnecas. Não acredito que depois de ler uma escritora tão boa quanto Emily Brönte eu consiga voltar a ler ‘Ill-Used by Candlelight’ da srta. Amanda Gillyflower. Ler bons livros não permite que você goste de livros ruins”.

. Mary Ann Shaffer e Annie Barrows in 
A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata .

30.07 – 197º Aniversário de Emily Brönte

Se olho para essas lajes, vejo nelas gravadas as suas feições.! Em cada nuvem, em cada arvore, na escuridão da noite, refletida de dia em cada objeto, por toda a parte eu vejo a tuda imagem.! Nos rostos mais vulgares dos homens e mulheres, até as minhas feições me enganam com a semelhança. O mundo inteiro é uma terrível testemunha de que um dia ela realmente existiu, e eu a perdi para sempre…”

. Emily Brönte in O Morro dos Ventos Uivantes .

30.07 – 195º Aniversário de Emily Brönte

“Morro dos Ventos Uivantes” é o nome da morada do sr. Heathcliff; uma denominação tipicamente provinciana que descreve o tumulto atmosférico a que a construção se vê exposta durante as tempestades. De fato, lá no alto deve haver rajadas puras e revigorantes a qualquer hora: chegamos a imaginar a força do vento norte soprando para além do precipício graças a uns poucos abetos retorcidos nas imediações da casa; e por uma cerca de espinheiros magros, todos estendendo os galhos na mesma direção, como que pedindo esmolas ao sol.

Emily Brönte in O Morro dos Ventos Uivantes

Resenha: O Morro dos Ventos Uivantes


Livro:
O Morro dos Ventos Uivantes
Autor(a): Emily Brönte
Editora: Record
Páginas: 397

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Há uma linda citação de Zafón em seu igualmente lindo livro A Sombra do Vento que diz que “poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração”. E eis então o que me ocorreu com O Morro dos Ventos Uivantes e sua história de amor controversa. Desde a primeira vez que peguei a primeira edição com tradução de Rachel de Queiroz nas mãos, aos 19 anos, já li o livro quatro vezes. Em todas elas me emociono de derramar lágrimas e não me canso de venerar a brilhante e sensível escrita de Emily Brönte, magnífica escritora que morreu aos 30 anos sem sequer saber que seu livro seria consagrado como um dos romances mais importantes da literatura inglesa e mundial.

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Impraticável

Meus maiores sofrimentos neste mundo têm sido os sofrimentos de Heathcliff; fui testemunha deles e senti-os todos, desde o começo. Meu maior cuidado na vida é ele. Se tudo desaparecesse e ele ficasse, eu continuaria a existir. E se tudo o mais ficasse, e ele fosse aniquilado, eu ficaria só em um mundo estranho, incapaz de ter parte dele. Meu amor por Linton é como a folhagem da mata: o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores, isso eu sei muito bem. E o meu amor por Heathcliff é como as rochas eternas que ficam debaixo do chão; uma fonte de felicidade quase invisível, mas necessária. Nelly, eu sou Heathcliff. Sempre, sempre o tenho no meu pensamento. Não é como um prazer – porque eu também não sou um prazer para mim própria -, mas como o meu próprio ser. Portanto, não fale mais em separação: é impraticável.

Catherine Earnshaw, personagem de
Emily Brönte in O Morro dos Ventos Uivantes

Terra tão calma

Demorei-me um pouco por ali, sob o sereno céu, a olhar as mariposas que esvoaçavam entre as urzes e as campânulas, e a ouvir o vento suave a soprar na relva, e pensando sempre que ninguém poderia atribuir um sono agitado aos habitantes daquela terra tão calma”

. Emily Brönte in O Morro dos Ventos Uivantes .