Destrói

“As vezes, o ter destrói o ser”.

. José Saramago in As Palavras de Saramago .

Incomodados

“Deveríamos viver mais incomodados. O amanhã não existirá se não mudarmos o hoje”.

. José Saramago in As Palavras de Saramago .

Egoísmo

“A doença mortal do homem como homem é o egoísmo”.

. José Saramago in As Palavras de Saramago .

Palavras

“Não temos outra coisa [que palavras]. Somos as palavras que usamos A nossa vida é isso”.

. José Saramago in As Palavras de Saramago .

Cegueira

“Há um morrer de cegueira, que é um morrer de quem não usa a razão para viver”.

. José Saramago in As Palavras de Saramago .

Resenha: As Palavras de Saramago

Livro: As Palavras de Saramago
Organizador: Fernando Gomez Aguilera
Editora:
Companhia das Letras
Páginas: 488
Nota: 5
(1.Não gostei 2.Gostei pouco; 3.Gostei;
 4.Gostei bastante;
5.Adorei)

“Aqui jaz, indignado, fulano de tal”

É como Saramago quer que coloquem em sua lápide quando morrer… E diz mais “indignado por ter entrado num mundo injusto e ter saído de um mundo injusto”. Eu sou fã de Saramago desde o primeiro livro que li “Ensaio sobre a Cegueira”. Depois a cada livro que fui lendo do autor, fui me apaixonando cada vez mais pelo seu jeito direto, racional, a vida como ela é de fazer literatura.

Esse livro foi um presente de uma amiga querida e é uma coletânea de citações de José Saramago recolhida de suas declarações em jornais, revistas, livros e entrevistas publicados em diversos países ao longo de 3 anos. Essas citações estão divididas em três grandes seções:

– Quem se chama José Saramago: compilando citações do autor sobre si mesmo, o ser humano, a vida, a morte, Deus, ética, razão, entre outros. Nessa seção conhecemos um pouco mais sobre o autor e suas reflexões, questionamentos e indignações sobre estes temas. Dentre as maravilhosas palavras destaco: “As vezes, o ter destrói o ser”; “A felicidade consite em dar passos em direção a si mesmo e olhar o que você é”; “Há um morrer de cegueira, que é um morrer de quem não usa a razão para viver”; “A doença mortal do homem como homem é o egoísmo”.

– Pelo fato de ser escritor: que traz suas declarações sobre literatura, obras, autor-narrador, leitores, romance, história, entre outros. Aqui descobrimos o profissional escritor, como se dedica a esse trabalho de forma racional, sem rituais, sem modos de fazer, mas com dedicação, afinco e muito estudo e pesquisa. Dentre suas palavras, destaco as seguintes: “Não temos outra coisa [que palavras]. Somos as palavras que usamos A nossa vida é isso”; “Tudo pode ser ‘extraordinário’, se é ‘extraordinária’ a nossa maneira de ver e de sentir”; “Toda obra literária leva uma pessoa dentro, que é o autor”; “Dizer demais é sempre dizer de menos”; “Num romance cabe tudo, é uma tentativa de compreender o mundo”

– O cidadão que sou: trazendo palavras do autor sobre compromisso, democracia, política, meios de comunicação, direitos humanos, pensamentos críticos, entre outros. E nesta ultima seção, conhecemos os pensamentos de Saramago sobre seu compromisso como escritor em relação à sociedade, ao mundo, à vida. Ele não se vê e nem a sua obra como algo à parte do mundo. Dentre estes, os que destaco são: “Indignemo-nos”; “deveríamos viver mais incomodados. O amanhã não existirá se não mudarmos o hoje”; “A democracia não pode se limitar à simples substituição de um governo pelo outro”; “Uma bala nunca é um argumento político”; “Vivemos num sistema de mentiras organizadas”; “Estou comprometido com a vida até o ultimo dos meus dias, e me esforço para mudar as coisas”.

E dizer mais o que? Praticamente marquei o livro todo. Saramago é sensacional, um dos meus autores favoritos e recomendo muitíssimo a leitura.

23.04 [20] ─ Dia Mundial do Livro

“Às vezes, digo que fazer um romance é o mesmo que fazer uma cadeira: a cadeira tem que ter quatro pés, tem que estar equilibrada, a pessoa tem que se sentar na cadeira e estar confortável, há uma estrutura e as coisas têm que estar apoiadas umas nas outras para que a cadeira não caia. E, por outro lado, se a cadeira, além de funcionar, de responder à necessidade que se tem, na hora de se sentar, de que ela seja sólida, puder carregar uma estética, puder ser bonita, bem desenhada, pois aí, sim… Mas tudo precisa de ser sólido, e o romance tem, do meu ponto de vista, que ter uma estrutura em que o leitor não diga “pois aqui falta algo” ou que se alongou excessivamente. Todas são partes de um todo que tem que funcionar de uma forma, no fundo, equilibrada. Talvez possa parecer surpreendente que eu diga que escrever um romance é o mesmo que fazer uma cadeira, mas isso só significa o espeito ao trabalho bem-feito: pode ser um romance ou pode ser uma cadeira, e quem diz uma cadeira pode dizer muitíssimas outras coisas”.


“Entrevista a José Saramago”, Biblioteca Nacional de Argentina, Sala Virtual de Leitura, Buenos Aires, 12 de
dezembro de 2000 [Entrevista a José Luis Moure].

Que humanidade é esta?

Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta? Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, acho que ainda não chegamos a isso, não somos seres humanos. Talvez cheguemos um dia a sê-lo, mas não somos, falta-nos mesmo muito. Temos aí o espetáculo do mundo e é uma coisa arrepiante. Vivemos ao lado de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro. Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo. E enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica”.

. José Saramago in Canarias7 (1994) .

Resenha: Que farei com este livro?


Livro:
 Que Farei com Este Livro?
Autor(a): José Saramago
Editora:
 Cia. das Letras
Páginas: 232

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

~

Definitivamente eu sou fã de Saramago. Até mesmo no gênero teatro, que não é o meu forte, ele conseguiu me cativar. Confesso que a leitura das três peças que compõe esse livro foi mais simples e agradável para mim. Acredito que isso se deva aos longos e poéticos, embora não tão poéticos quanto Shakespeare, diálogos e conversas ao longo das três incríveis histórias. Copiei lindas citações e embora o tema, político e ao mesmo tempo existencial, também não seja dos meus favoritos, a leitura fluiu e só confirmou a habilidade do autor português.

A primeira peça, chamada “Que farei deste livro?” trata do retorno de Luís de Camões das Índias com seus escritos, Os Lusíadas. Na obtusa Inquisição e medíocre corte de Lisboa da época, Camões tem que negociar a permissão para publicar a sua obra, que veio a se tornar a amior da língua portuguesa. Gostei bastante dessa primeira peça, e foi das três a que li com maior interesse. Os diálogos são ótimos, afiados e cativam o leitor.

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Resenha: As Pequenas Memórias


Livro:
As Pequenas Memórias
Autor(a): José Saramago
Editora:
 Cia das Letras
Páginas: 142

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

~

Mais um livro genial de Saramago, embora não esteja entre os meus favoritos. A obra é uma autobiografia dos primeiros quinze anos de vida do autor, desde seu nascimento em 1922 na aldeia da Azinhaga até os estudos na escola industrial de Lisboa, de onde saiu serralheiro mecânico. O intuito do autor ao escrever o livro era “que os leitores soubessem de onde saiu o homem que sou”. Conseguiu. Foi uma leitura muito agradável pelas recordações desse autor tão querido.

A narrativa das recordações é feita da mesma forma como as demais obras do autor, sem pontuações nos diálogos, sua marca registrada. Esse recurso, neste livro, não tornou a leitura cansativa como as vezes em obras mais longas do autor. Para quem é fã de Saramago, a leitura é curiosa e traz aquele gostinho de quero mais em cada página, pois você quer conhecê-lo mais a fundo, saber de suas descobertas, alegrias e medos.

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