Resenha: Não me Abandone Jamais

Livro: Não Me Abandone Jamais
Autor(a): Kazuo Ishiguro
Editora:
 Companhia das Letras
Páginas: 344

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Quando a vi dançando aquele dia, enxerguei uma outra coisa. Enxerguei um novo mundo chegando muito rápido. Mais científico, mais eficiente, é verdade. Mais cura para as velhas doenças. Muito bem. Mas um mundo duro, um mundo cruel. E vi uma menina novinha, de olhos bem fechados segurando no colo o mundo antigo e bom de antes, o mundo que ela sabia, lá no fundo, que não poderia continuar existindo, e ela segurando esse mundo no colo e pedindo pra ele não deixa-la partir… Aquela cena me partiu o coração. Nunca mais esqueci”. 

Eu vi o filme primeiro. Em 2010. Assim que foi lançado. Lembro de ter ficado olhando pra parede uns bons minutos depois que o filme acabou sem saber o que fazer. Sem saber como é que se vive depois daquilo, de verdade. Uma cena, específica do filme, e juro que não é spoiler, pode ler: estrada vazia, faróis ligados, Tommy desce do carro vai até a frente dos faróis e começa a berrar e berrar até que cai no chão e Kathy desce do carro e o abraça. Foi aí, nesse ponto que eu perdi minha alma. Eu sei que está parecendo dramático, mas é. É mesmo. O assunto é sério, é dramático, é atual e distópico ao mesmo tempo. Ele traz a tona muitos questionamentos e reflexões. E medos. O filme abriu um buraco que eu tinha que preencher com a leitura do livro que ainda não tinha no Brasil. Mas eu PRECISAVA DELE.

Quando finalmente consegui ler, me apaixonei ainda mais pelo tema e pela história. Se eu já tinha gostado do filme, o livro era (que surpresa, né gente? rs) ainda melhor.  A escrita de Kazuo é delicada e começa tão branda, tão tranquila como um diário de memórias de Kathy H.  e você vai se apaixonando por ela, pela forma como ela vai se lembrando dos dias no instituto, da amizade, de Tommy, das relações, dos professores, das sensações. É como uma amiga que você faz ao longo da leitura, que te dá a mão e vai te levando por um passeio tranquilo e você vai se deixando levar. Aparecem algumas palavras como doador, cuidadora e você fica se perguntando o que seria exatamente essas coisas, mas a verdade chega de mansinho e acho que é isso que impacta ainda mais. Você não tá preparado pra verdade quando ela chega. E é um soco no estômago, como diria tão bem Clarice Lispector (sobre outro assunto, mas cabe bem aqui). Continuar lendo “Resenha: Não me Abandone Jamais”

Nobel de Literatura de 2017

 

Kazuo-Ishiguro4

O ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2017 foi anunciado hoje (05/10). O escolhido pela Academia Sueca para receber a láurea foi Kazuo Ishiguro “que, em romances de grande força emocional, revelou o abismo sob nossa sensação ilusória de conexão com o mundo”, nas palavras da Instituição. Antes do anúncio oficial, a canadense Margaret Atwood, o queniano Ngugi Wa Thiong’o e o japonês Haruki Murakami lideravam as apostas para o Nobel de Literatura deste ano.

Kazuo Ishiguro nasceu na cidade de Nagasaki, no Japão, em 1954. Aos 5 anos de idade, porém, se mudou com a família para a Inglaterra, razão pela qual cresceu sob a influência das duas culturas. O escritor voltaria para a sua terra natal quase 30 anos mais tarde. O Japão pós-Guerra foi tema dos livros A Pale View of Hills(1982) e An Artist of the Floating World (1986), seus dois primeiros romances publicados.

No Brasil, o escritor tem cinco obras lançadas, todas pela editora Companhia das Letras: Quando éramos órfãos (2000), Noturnos (2010), O gigante enterrado(2015), Os vestígios do dia (2016) e Não me abandone jamais (2016). As duas últimas viraram filmes em 1993 e 2010, respectivamente, com contribuições do próprio Ishiguro para as adaptações dos roteiros.

Após receber o Man Booker Prize, em 1989, pelo livro Os vestígios do dia, Kazuo Ishiguro tornou-se um best-seller mundial. A escolha do escritor nipo-britânico para receber o Nobel sucede a controversa decisão de laurear o músico norte-americano Bob Dylan, em 2016.

Fonte: TAG Et Cetera

Nunca mais esqueci

Quando a vi dançando aquele dia, enxerguei uma outra coisa. Enxerguei um novo mundo chegando muito rápido. Mais científico, mais eficiente, é verdade. Mais cura para as velhas doenças. Muito bem. Mas um mundo duro, um mundo cruel. E vi uma menina novinha, de olhos bem fechados segurando no colo o mundo antigo e bom de antes, o mundo que ela sabia, lá no fundo, que não poderia continuar existindo, e ela segurando esse mundo no colo e pedindo pra ele não deixa-la partir… Aquela cena me partiu o coração. Nunca mais esqueci”.

. Kazuo Ishiguro in Não Me Abandone Jamais .