Resenha: Carta a Minha Filha

Livro: Carta a Minha Filha
Autora: Maya Angelou
Editora: @editoraagir
Páginas: 144
Nota: 5/5

“Eu dei à luz uma criança, um filho, mas tenho milhares de filhas. Vocês são negras e brancas, judias e muçulmanas, asiáticas, falantes de espanhol, nativas da América e das ilhas Aleutas. Vocês são gordas e magras, lindas e feias, gays e héteros, cultas e iletradas, e estou falando com todas vocês. Eis aqui minha oferenda”.

Obrigada é muito pouco diante da gratidão que sinto por essa obra ter sido escrita e por termos a oportunidade de lê-la. Maya nos presenteia com uma narrativa cheia de amor, esperança, positivismo e conselhos que só uma mãe poderia compartilhar conosco. O tom é materno, a voz fala aos nossos corações e suas palavras trazem reflexões e aprendizados para a vida, hoje e sempre.

Dividido em 28 capítulos, encontramos desde narrativas de situações vividas a poemas, conselhos, canções e eles se mesclam entre dor e amor, angústia e alento, drama e comédia. Como eu costumo dizer: a vida como ela é. Maya nos traz palavras que nos dão coragem para lutar e nos tornamos protagonistas de nossa própria história. Aborda assuntos como lar, racismo, violência, religião, costumes e faz isso de uma forma tão cativante, íntima e confessional que é impossível parar até acabar.

Através de seus relatos, Maya nos mostra seus avanços em viver a vida da melhor maneira possível tentando sempre manter o otimismo e a esperança, apesar de todas as situações terríveis das quais foi vítima.

“O navio da minha vida pode ou não estar navegando por mares calmos e tranquilos. Os dias desafiadores da minha existência podem ou não ser brilhantes e promissores. Em dias tempestuosos ou ensolarados, em noites gloriosas ou solitárias, mantenho uma atitude de gratidão. Se insisto em ser pessimista, há sempre o amanhã. Hoje eu sou abençoada”.

Esse livro é seu testemunho de luta, um tocante relado de vida. Super recomendo a leitura!
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Sons abafados

“Os sons chegavam abafados a mim, como se as pessoas estivessem falando através do lenço ou com as mãos sobre a boca. As cores também não eram reais, mas uma vaga variação dos tons pastel que indicavam não tanto cores, mas familiaridades desbotadas. Os nomes das pessoas me fugiam, e comecei a me preocupar com minha sanidade”.

. Maya Angelou in Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola .

Resenha: Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola

Livro: Eu sei por que o pássaro canta na gaiola
Autora: Maya Angelou
Editora: @taglivros
Páginas: 336
Nota: 5/5

Esse livro poderia ser uma ficção, mas é real. Uma autobiografia que te faz mergulhar tão fundo nas relações humanas descritas que você se sente parte da narrativa.

Conhecemos neste livro a infância e início da adolescência de Maya e seu irmão Bailey Jr. na casa da avó e do tio, em Stamps, uma cidade americana onde a segregação racial é escancarada. Acompanhamos em sua narrativa, ora metafórica, ora objetiva, os principais acontecimentos de sua vida nesse período, envoltas em situações de racismo e sexismo. Das humilhações diárias aos encontros com os pais com os quais não tem nenhum tipo de relação construída, até o terrível estupro do qual foi vítima aos 8 anos de idade.

A narrativa de Maya é excepcional. A forma como ela conta esse momento tão hediondo de sua trajetória é intensa, emocional e envolvente. Fiquei o tempo todo com vontade de pegar a pequena Maya no colo e chorar todas as lágrimas não derramadas, mas sentidas intensamente. Uma criança que sequer tinha ideia do que estava vivendo.

“Os sons chegavam abafados a mim, como se as pessoas estivessem falando através do lenço ou com as mãos sobre a boca. As cores também não eram reais, mas uma vaga variação dos tons pastel que indicavam não tanto cores, mas familiaridades desbotadas. Os nomes das pessoas me fugiam, e comecei a me preocupar com minha sanidade”.

É uma leitura dolorosa, que nos faz refletir e repensar muitos conceitos, muitas ações e atitudes e por isso tão importante e essencial. Precisamos de leituras como essa para começar a entender os nossos privilégios e a respeitar e compreender aqueles que sofrem uma vida inteira para ter um segundo da paz que esbanjamos.

Recomendo muito!!
#blogentreaspas#leiamulheresnegras#bookstagram#ler

Triplo preconceito

“A mulher negra é agredida nos anos jovens por todas essas forças comuns da natureza ao mesmo tempo em que fica presa no fogo cruzado triplo do preconceito masculino, do ódio branco ilógico e da falta de poder Negro”.

. Maya Angelou in Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola .

Medo

“Eles não nos odeiam de verdade. Eles não nos conhecem. Como podem nos odiar? O que eles tem é medo”.

. Maya Angelou in Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola .

Gênio

“Eu não sentiria falta da Sra. Flowers, pois ela me deu sua palavra secreta que conjurava um gênio que me serviria por toda a vida: livros”.

. Maya Angelou in Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola .

Poetas Negros

“Ah, poetas Negros conhecidos e desconhecidos, com que frequência suas dores loteadas nos seguraram? Quem vai computar as noites solitárias amenizadas por suas canções, ou as panelas vazias ressignificadas pelas suas histórias?”.

. Maya Angelou in Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola .

Lágrimas e Sangue

“Nós seguimos por uma estrada que com lágrimas
foi regada

Nós viemos, abrindo caminho
Em meio ao sangue dos massacrados”.

Trecho da da música de James Weldon Johnson,
“Lift Ev’ry Voice and Sing”

. Maya Angelou in Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola .

Presunção

“Nós éramos empregadas e fazendeiros, quebra-galhos e lavadeiras, e qualquer coisa maior que aspirássemos ser era uma farsa e presunção”.

. Maya Angelou in Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola .

Mortos

“Nós todos deveríamos estar mortos”.

. Maya Angelou in Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola .