Morria

“Sentia que morria em cada morte que testemunhava”.

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .

Primeiros a morrer…

“Os bichos foram os primeiros a morrer. Em seguida, as crianças. O caminho do mar transformado em uma vala comum e inconstante. Crianças e bichos, todos tombados na água sem nenhum ritual, como duras tábuas de madeira despencadas em um túmulo semovente. Longe de suas famílias, nunca encontrariam o caminho para qualquer terra sem males onde pudessem se reunir com seus ancestrais”.

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .

Voz do Mundo

“Só quem está vivo consegue escutar a voz do mundo, entender sua linguagem, seu rumor, os ermos e luminescências de suas palavras, e por estar vivo é que consegue responder”

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .

Morta

“Uma pessoa sabe que está morta quando não consegue mais escutar a voz dos animais, dos espíritos, das árvores, dos rios”

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .

Olhar

“Seguiu-me com um olhar fixo: era uma pergunta ou era raiva? Eu não me esqueci desse olhar”.

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .

Mestra

“Se a história é uma mestra, qual é a sua face? Ela é a configuração do passado apenas?”

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .

Como?

“Como pode ser bom alguém que compra outras pessoas?”

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .

Gente

“Sem palavras não poderíamos ser gente. Nosso povo recebeu a palavra de vida do criador, e isso nos diferencia dos bichos”

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .

Minúsculo coração

“Na tarde em que vira uma grande onça destripada no terreiro, o coração se tornara muito pequeno dentro do peito, minúsculo coração de pássaro sem penas, reduzido a presa caída do ninho”

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .

Rio

“Nunca vira um rio que falasse tantas águas, rio sem margens”.

. Micheliny Verunschk in O Som do Rugido da Onça .