Beleza

“Compreendi que a vida não é uma sonata que, para realizar sua beleza, tem que ser tocada até o fim. Dei-me conta, ao contrário, de que a vida é um álbum de minissonatas. Cada momento de beleza vivido e amado, por efêmero que seja, é uma experiência completa que está destinada à eternidade. Um único momento de beleza e de amor justifica a vida inteira.”

. Rubem Alves in Palavras Para Desatar Nós .

DEUS

“Borges, quando indagado se acreditava em Deus: “Se a palavra Deus significa um ser que existe fora do tempo, não estou certo de acreditar nele. Mas se significa algo em nós que está do lado da justiça, então sim, acredito mesmo que, a despeito de todos os crimes, há um propósito moral no mundo”.

. Alberto Manguel in Os Livros e os Dias .

Resenha: Montanha Mágica

Livro: Montanha Mágica
Autor(a): Thomas Mann
Editora:
Companhia das Letras
Páginas: 856

Nota: 5
(1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Que livro, meus senhores, que livro!!!
Demorei três anos para finalizar a leitura desse livro. Comprei junto com três amigas professoras quando decidimos fundar um grupo de leitura na escola em que trabalhava. Todas elas leram o livro em dois, três meses e eu fiquei pra trás. Hoje, com o livro terminado, não entendo porque relutei tanto na leitura e porquê ele não me cativou desde o início. Mas confesso que tive muitos problemas em embalar na história. Comecei e parei um sem número de vezes. Mas, terminei.

A Montanha Mágica conta a história do Jovem Hans Castorp, engenheiro recém formado e promissor que está indo visitar seu primo doente Joachim num sanatório (lembrando que não é um manicômio ou algo parecido. Sanatórios são clínicas médicas privadas que fazem tratamentos, principalmente de doenças respiratórias, baseados em descanso) para tuberculosos, no alto dos Alpes Suíços. Na subida para a “Montanha Mágica” já iniciamos uma jornada de conhecimento sobre a infância de Hans e descobrimos que ele é órfão de pai e mãe, mas que eles lhe deixaram uma boa herança e o menino foi criado pelo avô (que mais pra frente ao falecer também lhe deixa uma herança). O Jovem já está, portanto, com a vida ganha, mas isso não lhe impediu de estudar e conseguir um emprego em uma ótima empresa que iria iniciar logo mais. Enquanto aguarda o início do primeiro emprego, decide-se então por visitar o primo e sua ideia é passar três semanas com o mesmo em Berghof, nome do sanatório.

Berghof se mostra um lugar encantador, com refeições fartas, belas vistas de suas sacadas, momentos inigualáveis de apresentações musicais, palestras e os mais diferenciados pacientes que são um banquete para a inteligência curiosa do protagonista Hans Castorp. É muito fácil se afeiçoar a ele, devo admitir. Eu, que nunca sou muito fã de protagonistas, me vi querendo ser amiga pessoal de Hans. Simpático, desprovido de qualquer preconceito, munido de muitas atitudes humanas, ele se dá com todos os pacientes e em pouquíssimas ocasiões tem algum dissabor com algum deles. Além disso é bastante engraçado e sua curiosidade e vontade de aprender aguçada, fazem dele um personagem interessantíssimo que teremos o maior prazer de acompanhar durante as muitas páginas que contarão sua história e estadia na Montanha Mágica.

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RETROCESSO

“O Mundo, o Sr. Settembrini sorriu, senhor de si, passará por cima dessa revolução do retrocesso anti-humano”.

. Thomas Mann in A Montanha Mágica .

Uma aliança?

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“Não, ela não usa aliança; eu também já reparei nisso. Meu Deus, talvez não lhe assente bem, talvez lhe faça a mão larga demais. Ou pode ser que ela julgue o uso da aliança costume muito burguês. Andar assim com uma argola lisa no dedo… agora só falta o molho de chaves num cestinho… Não senhor, ela é muito moderna para isso. Eu sei positivamente que todas as mulheres russas têm no seu modo de ser qualquer coisa de liberdade e desembaraço. E esse tipo de anel é tão prosaico, tão negativo! É, por assim dizer, um símbolo de servidão. Dá às mulheres um quê de freira, faz delas umas florezinhas não-me-toques. Não admira que a sra. Chauchat não queira ser assim…”.

. Thomas Mann in A Montanha Mágica .

 

Resenha: Os Livros e Os Dias

Livro: Os Livros e Os Dias
Autor(a): Alberto Manguel
Editora:
Companhia das Letras
Páginas: 216

Nota: 5
(1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Esse livro é uma deliciaaaa!!
Eu sou apaixonada por Manguel desde a faculdade quando trabalhei o texto “O Roubo de Livros” do livro dele “A Historia da Leitura” que super indico também a todos. Depois li “A Biblioteca à Noite” que foi tema de uma exposição LINDÍSSIMA no SESC da Paulista. Me emocionei muito nessa exposição. Compartilho do amor pelos livros e leitura de Manguel. Enfim, sou fã demais do autor pra não amar qualquer coisa que ele escreva.

Esse livro li por indicação dos funcionários da Biblioteca Mario de Andrade (sigo no instagram e eles dão dicas de leituras maravilhosas). Queria ter lido em janeiro, porquê a premissa do livro é “Um Ano de Leituras Prazerosas”. São 12 livros sobre os quais Manguel vai falando como um diário, contando seus dias e os livros, passando por cidades e países que está visitando, falando dos cenários e contextualizando com as leituras. É impossível não se apixonar e querer ler os livros sobre os quais fala. Inclusive não ficam só nos 12, o autor acaba fazendo citações de muitos outros livros e autores.

Fiquei super feliz de ver um autor brasileiro entre esses livros. Machado de Assis e seu MARAVILHOSO “Memorias Póstumas de Brás Cubas”. Meu favorito do autor. E também favorito de Manguel que tem 5 exemplares na sua biblioteca particular. Ele faz comentários pertinentes e lindos sobre o livro e exalta o autor.

O livro é muito gostoso de ler, longe de ser erudito tem uma linguagem acessível e é um deleite pra quem divide com ele a paixão pelos livros e leitura. Super recomendo!!

BIBLIOTECAS IMAGINÁRIAS

  • Uma biblioteca de livros nunca escritos: as “pequenas obras” de Sherlock Holmes, tais como “uma pequena obra de investigação acerca da influencia de uma profissão sobre o formato da mão, com litografias de mãos de telhadores, marinheiros, corticeiros, tipógrafos, tecelões e lapidadores de diamantes”, sua monografia sobre a identificação de rastros, e o célebre Acerca da distinção entre as cinzas de vários tabacos, ilustrado com lâminas coloridas;
  • Uma biblioteca de livros reais lidos por personagens imaginários: Holmes lê os clássicos alemães e, para sustentar uma visão romântica da pequenez do homem no universo remete Watson a Jean Paul. De modo ainda mais surpreendente, Watson responde que já o leu: “Cheguei a ele por intermédio de Carlyle” (o que suscia o comentário de Holmes: “isso foi como seguir o córrego até chegar ao lago que o origina”).

Alberto Manguel in Os Livros e Os Dias

Resenha: A Garota das Laranjas

Livro: A Garota das Laranjas.
Autor(a): Jostein Gaarder
Editora:
Companhia das Letras
Páginas: 132

Nota: 5
(1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Cartas, cartas…
Acho que Jostein Gaarder era um apaixonado por cartas! A maioria dos livros que li dele, os personagens usam de cartas para se comunicar e acho isso apaixonante. Não sou muito fã de livros escritos em primeira pessoa, ou pelo menos não era. Acho que ultimamente li alguns desses e tenho gostado bastante. A gente muda, não é mesmo? Mas as cartas de Gaarder sempre me cativaram e nesse livro não foi diferente.

Nesta história, um pai que já se foi há onze anos, volta a se comunicar com seu filho, hoje com 15 anos, através de uma carta que deixou escondida no seu carrinho de bebê. Através dessa carta, o pai compartilha com o filho uma história muito bonita sobre A Garota das Laranjas e você se vê envolvido e desesperado pra descobrir porque ela carregava um saco de papel cheio de laranjas, porque eles se encontravam raramente e furtivamente e porque quando se conversam de verdade, ela pede pra que ele a aguarde por 6 meses.

Todos esses acontecimentos envoltos da magia dos pensamentos reflexivos e indagativos que toda obra de Jostein Gaarder tem. A Filosofia está ali entre as linhas, entre as palavras, e entre os seus próprios pensamentos que acompanhando a narrativa também começam a flutuar até o mundo das ideias!! Recomendo, como todo livro de Gaarder. Uma leitura super rápida e fluida e que marca o coração e faz pensar.

NÃO ME LIVRO

“Até pensei em dar os livros de minha coleção para os amigos que abrigo com ternura no coração. Mas ao contrário da intenção, no armário mora a literatura, cujo olor perdura e se desfaz em minha mão. Assumo o ciúme, o costume de egoísmos que em mim tem verdadeiro crivo. Da minha obsessão não me LIVRO! Guardarei os volumes que jogam lumes nos meus dias de então como os malhos diários que iluminam cenários na minha imaginação”.

. João Pedro Roriz .

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