Resenha: Montanha Mágica

Livro: Montanha Mágica
Autor(a): Thomas Mann
Editora:
Companhia das Letras
Páginas: 856

Nota: 5
(1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Que livro, meus senhores, que livro!!!
Demorei três anos para finalizar a leitura desse livro. Comprei junto com três amigas professoras quando decidimos fundar um grupo de leitura na escola em que trabalhava. Todas elas leram o livro em dois, três meses e eu fiquei pra trás. Hoje, com o livro terminado, não entendo porque relutei tanto na leitura e porquê ele não me cativou desde o início. Mas confesso que tive muitos problemas em embalar na história. Comecei e parei um sem número de vezes. Mas, terminei.

A Montanha Mágica conta a história do Jovem Hans Castorp, engenheiro recém formado e promissor que está indo visitar seu primo doente Joachim num sanatório (lembrando que não é um manicômio ou algo parecido. Sanatórios são clínicas médicas privadas que fazem tratamentos, principalmente de doenças respiratórias, baseados em descanso) para tuberculosos, no alto dos Alpes Suíços. Na subida para a “Montanha Mágica” já iniciamos uma jornada de conhecimento sobre a infância de Hans e descobrimos que ele é órfão de pai e mãe, mas que eles lhe deixaram uma boa herança e o menino foi criado pelo avô (que mais pra frente ao falecer também lhe deixa uma herança). O Jovem já está, portanto, com a vida ganha, mas isso não lhe impediu de estudar e conseguir um emprego em uma ótima empresa que iria iniciar logo mais. Enquanto aguarda o início do primeiro emprego, decide-se então por visitar o primo e sua ideia é passar três semanas com o mesmo em Berghof, nome do sanatório.

Berghof se mostra um lugar encantador, com refeições fartas, belas vistas de suas sacadas, momentos inigualáveis de apresentações musicais, palestras e os mais diferenciados pacientes que são um banquete para a inteligência curiosa do protagonista Hans Castorp. É muito fácil se afeiçoar a ele, devo admitir. Eu, que nunca sou muito fã de protagonistas, me vi querendo ser amiga pessoal de Hans. Simpático, desprovido de qualquer preconceito, munido de muitas atitudes humanas, ele se dá com todos os pacientes e em pouquíssimas ocasiões tem algum dissabor com algum deles. Além disso é bastante engraçado e sua curiosidade e vontade de aprender aguçada, fazem dele um personagem interessantíssimo que teremos o maior prazer de acompanhar durante as muitas páginas que contarão sua história e estadia na Montanha Mágica.

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RETROCESSO

“O Mundo, o Sr. Settembrini sorriu, senhor de si, passará por cima dessa revolução do retrocesso anti-humano”.

. Thomas Mann in A Montanha Mágica .

Convenções…

“_Silêncio! Algo muito sutil me passa pela cabeça. Que é o tempo, afinal? – perguntou Hans Castorp […] – Você pode me dizer? Percebemos o espaço com os nossos sentidos, por meio da vista e do tato. Muito bem! Mas que órgão possuímos para perceber o tempo? Você pode me responder? Aí você empaca, está vendo? Como é possível medir uma coisa da qual, no fundo, nada sabemos, nada, nem uma de suas características sequer? Dizemos que o tempo passa. Está bem, que passe. Mas para que pudéssemos  medi-lo… Espero um pouco! Para que o tempo fosse mensurável, seria preciso que decorresse de um modo uniforme; e onde está escrito que é mesmo assim? Para a nossa consciência, não é. Somente o supomos, para a boa ordem das coisas, e nossas medidas, permita-me essa observação, não passam de convenções…”.

. Thomas Mann in A Montanha Mágica .