Tempo para Ler

Tendo descoberto as delícias da leitura, Sua Majestade sentiu vontade de passá-la adiante.
_ Você lê, Summers? – perguntou ao motorista, a caminho de Northampton.
_ Ler, majestade?
_ Livros?
_ Quando tenho chance, majestade. Parece que nunca dá tempo.
_ É o que diz uma porção de gente. É preciso encontrar tempo. Agora de manhã, por exemplo. Você vai ficar sentado na porta da prefeitura me esperando. Podia ler.
_ Tenho de vigiar o carro, majestade. Estamos nas Midlands. O vandalismo é universal”.

. Alan Bennett in Uma Real Leitora .

Adorei esse trecho do livro, porque eu gosto muito de ler. E leio muito. Este ano já passei dos 80 livros e pretendo chegar a 100. É meu lazer favorito e aí as pessoas me perguntam: como você consegue ler tanto? Tenho certeza que alguns acham que eu não faço mais nada da vida, mas não é verdade. Eu trabalho, sou bibliotecária e pra melhorar trabalho em uma escola com crianças e adolescentes. Chego em casa morta de cansaço e ainda tem as coisas de casa pra fazer. Não tenho filhos (e  longe de mim querer comparar o trabalho e a responsabilidade de criar uma criança) mas tenho animais de estimação que também demandam atenção e acredito que ainda que tivesse filhos arranjaria tempo para ler. Porque só não lê quem não quer, quem não gosta, quem prefere outros tipos de lazer. É errado? Claro que não!! Cada um gosta de fazer uma coisa. Se todo mundo gostasse da mesma coisa ia ser um mundo muito chato. O que me incomoda de verdade, e as vezes, são as desculpas esfarrapadas. Como essa do motorista da Rainha. “Ah, eu não tenho tempo pra ler”. Não, a verdade é: eu não quero ler nesse tempo que tenho livre. Quero ver TV, ouvir rádio, ficar na internet, enfim… Tempo pra ler, todo mundo tem! E eu acharia muito mais legal a pessoa dizer a verdade: Ah, eu não quero ler… e pronto! Não é pecado.

*originalmente postado em novembro 17, 2010 às 11:42 am

Falta…

Eu queria escrever alguma coisa minha. Bonita e simples.
Mas só consigo pensar na falta que você me faz de vez em quando.
E é isso. Você me faz tanta falta de vez em quando…

{ Lyani }

Gaiola de prender idéias

Quando uma idéia boa me chegava eu a prendia na minha “gaiola de prender idéias”, um caderninho, na esperança de um dia transformá-la num artigo. Mas a quantidade de idéias que eu colocava na gaiola de prender idéias era muito maior que minha capacidade de escrever. Elas nunca iriam se transformar em literatura. Seriam condenadas ao esquecimento. Fiquei com dó delas. Resolvi então tirá-las da gaiola e soltá-las aos quatro ventos. Estão aí, neste livro.

Rubem Alves in Ostra Feliz Não Faz Pérola

Quem sabe um dia eu também não solte as minhas idéias aos quatro ventos… Por enquanto, deixo-as aqui… Em minha gaiola de prender idéias 🙂

O Menino do Pijama Listrado

Era um livro que eu gostaria de ler.
Mas, acabei de ver o filme e, com olhos ainda muito vermelhos, afirmo que talvez seja demais.
Li demais sobre o tema:

  1. Sem tempo para Chorar – Cynthia Freeman;
  2. Jóias – Danielle Steel;
  3. O Dossiê Odessa – Frederick Forsyth;
  4. Exodus – Leon Uris;
  5. O Sétimo Segredo – Irving Wallace;
  6. Mila 18 – Leon Uris;
  7. A Menina que Roubava Livros – Markus Zusak;
  8. As Memórias do Livro – Geraldine Brooks.

E já está na lista O Leitor de Bernhard Schlink. Será que eu consigo ler mais um livro sobre esse triste tema? Tema este que sempre me faz chorar? Que sempre me impressiona? *respira fundo* Não sei… quem sabe?

O que está acontecendo?

Eu também não sei.
Teve a fase dos estudos para um concurso que era o sonho da minha vida e então a vida me deu um belo tapa na cara, o concurso se foi, o resultado foi o mais negativo possível e aí tinha todo (não que seja muito)  meu tempo livre de volta e… *suspiro* Não sei. Desde que saí da prova sabendo que nada ia mudar que eu estou um pouco (pra não dizer totalmente) sem ânimo pra fazer quase nada. Sou super organizada (não é a toa que sou bibliotecária ;P ) e sempre deixo contas, roupas, livros, enfim… Tudo organizado em minha casa. Mas desde o concurso, perguntem ao meu marido se ele consegue achar qualquer coisa? Eu larguei mão de tudo e comecei uma rotina mecanizada de levantar, vestir, trabalhar, voltar pra casa, dormir. No meio disso, só um vício que não consigo abandonar: POLYVORE. Já ouviram falar? É um site de moda. Cliquem no link pra dar uma olhadinha, é viciante (rs). Sei lá, é como se fazer os looks e sets tirassem todos os problemas da minha cabeça. Em compensação fica tudo parado: blogger, twitter, escrever, leituras, filmes, felicidade. É, parece que eu peguei minha vida e coloquei num canto e disse pra mim mesma: “depois eu resolvo”. Mas, não tem “depois eu resolvo” com a vida, tem? Pra ajudar, estou com crise de bronquite e sinusite em casa já a 2 dias e amanhã vai ser mais um. Talvez seja emocional (eu tenho certeza) e está mais do que na hora de voltar a ativa (com tudo!). Peço milhões de desculpas a todos os leitores que continuaram vindo aqui religiosamente e deixando todos esses comentários maravilhosos e carinhosos. Vocês são muito especiais. De verdade! E é por isso que resolvi fazer esse post totalmente pessoal e sincero. Não vou conseguir voltar ao que era antes de uma hora pra outra, isso eu sei, mas vou tentar e VOU conseguir! E por isso, não me abandonem, ok? Me aguardem que eu volto visitando, comentando, escrevendo e postando muito! 😀

E não sobrou nenhum…

Encontrei no Vísceras Literárias que viu no Livro e Afins e blog do Paulo:

Mudaram o nome do famoso “O caso dos dez negrinhos” de Agatha Christie para se tornar politicamente correto. O mais engraçado é que o título original é mantido na capa, então… Perde um pouco a lógica, não?

Absurdo!

  • Mais sobre o assunto aqui.

Meus hábitos de leitora

Leonardo do Vísceras Literárias me indicou e eu resolvi fazer:

  1. Sempre antes de ler qualquer livro, abro na última página e leio a última palavra;
  2. Sou compulsiva por livros. Não posso receber promoção por e-mail ou entrar numa livraria sem comprar no mínimo um;
  3. Tenho mania de ler um livro ouvindo apenas uma música que é a que estou curtindo no momento, aí acabo associando o livro àquela música específica;
  4. Sou bastante influenciada a ler um livro pelo título;
  5. Adoro ler antes de dormir e no ônibus;
  6. Tenho muitos livros, mas nem perto do quanto eu realmente gostaria de ter e não tenho ainda um local específico pra eles e preciso urgente;
  7. Trato os livros como se fossem bens preciosos (e são!), não risco, não escrevo, não sublinho frases, não faço anotações, não dobro as pontas das páginas, só marco a página onde parei com um marcador e principalmente não leio enquanto estou me alimentando, ou deixo o livro próximo a comida, água ou qualquer coisa que possa causar o mínimo dano;
  8. Confesso que tenho algumas restrições quanto a emprestar meus livros. Só para quem eu tenho certeza cuidará bem deles e principalmente, me devolverá;
  9. Costumo chorar, rir, brigar com os personagens dos livros que leio. Pareço uma louca, eu sei, mas é inconsciente. Entro na história e é como se fizesse parte dela;
  10. Guardo todas as citações que mais gosto de todos os livros que já li e estou lendo aqui no meu blog.

🙂

100.000 visitas

Nunca fui ligada à números. Não me importo com a quantidade de amigos no orkut, ou a quantidade de comentários nos meus posts (contanto que tenha ao menos um, rs), ou quantas visitas recebo por dia. Nunca me importei de verdade com isso. São só números. O que sempre importou pra mim é a qualidade de quem vem até aqui, de quem lê  e compreende os posts e compartilha da mesma paixão pelas palavras, pelos livros, pela vida. Isso é que faz toda a diferença. Mas, eu não podia deixar esse número aí do título passar em branco. São 100.000 visitas e eu fico feliz de saber que as citações que escolho e as poucas palavras que são realmente minhas agradam alguém, que transmitem emoção, que encontram um outro coração aberto a essas sensações. Isso é muito importante pra mim e por isso é que fiz um presente. Sim, um presente, porque as visitas são minhas mas quem merece ganhar um presente são todos vocês que estão aqui dia a dia me acompanhando.

É um presente singelo mas feito de coração. E é pra você e você e você que está lendo esse post agora. Que me visita as vezes, sempre, todo dia. Porque se eu cheguei a essa marca de visitas é graças a você, a todos vocês!!!

OBRIGADA 🙂

Rangiku ♥ Gin

Eu acho que nunca contei minha paixão por Mangá aqui. Mas, deve ter ficado explícito em alguns posts, músicas, trechos, ou pra quem já visitou o meu outro blog. Isso vem de tempos, lá de quando eu tinha meus 10 ou 11 anos e corria da escola pra casa pra não perder Cavaleiros do Zodíaco. E depois vieram outros, alguns que marcaram, outros não. Angel Sanctuary foi um dos que marcaram. Sara e Setsuna, anjos condenados ao inferno pelo pecado mortal de amarem-se sendo irmãos de sangue. Chorei muito lendo, assistindo aos OVAs e ouvindo suas melodias maravilhosas. Chobits também marcou, com a Chii e sua fofura, ri demais com este. E então a Fla me apresentou Bleach. E com ele a Matsumoto Rangiku e o Ichimaru Gin. E esse marcou mesmo.  Não é novidade (eu acho)  pra ninguém que eu adoro as personagens más e os chamados anti-heróis que não são de todo maus, mas não são sonsos como os mocinhos. Sim, e não é só de Mangá, é de novela, seriado, quadrinhos… Alguns exemplos: Sephiroth do Final Fantasy, Wolverine do X-men, House do House M.D., Aizen do Bleach, Rosiel e Kira do Angel Sanctuary. Enfim, acho que é bem por isso que amo de paixão esse casal que citei acima. Gin é muito do mau. Ainda não se sabe ao certo se é realmente e completamente mau, ou se é um anti-herói. O fato é que ele é todo misterioso e sombrio. E muito sarcástico e eu sou completamente apaixonada por ele. E a Rangiku é uma personagem do bem. Mas não é certinha, santinha e enjoadinha como toda mocinha geralmente é. Ela é desajeitada, esquecida, vive enchendo a cara com sakê, extrovertida, engraçada e tem o “q” que me fez adorá-la: é apaixonada pelo Gin. Eu, que nem sou viciada em dramas e romances impossíveis, não preciso dizer que pra mim é o casal mais perfeito de todos né? Ele, mau, administrador do Hueco Mundo (inferno). Ela, doidinha mas do bem, vice-capitã da Sereitei (céu). E ambos se gostam, mas não dizem. E fica aquele amor subtendido nas falas, nas entrelinhas, nos suspiros, nos olhares. É simplesmente lindo.

E aí que eu contei tudo isso só porquê estava lendo uma citação de Clarice que se encaixou tanto na história desse casal, que decidi vir aqui publicar e achei que deveria dar essa introdução:

Olharam-se sem palavras, desalento contra desalento. Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos. Mas ambos eram comprometidos. Ela com sua infância impossível. {…} Ele, com sua natureza aprisionada. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, até vê-lo dobrar a outra esquina. Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.

. Clarice Lispector in Tentação .

Citação esta que conheci também com a Fla  🙂

Entrelinhas

─ “Sempre conservei uma aspa à esquerda e à direita de mim” ─ C. L. Sempre achei que aspas eram o “dito não dito” Mas quem sou eu pra questionar C.L?
─ Como assim?
─ Bem, pessoas aspas, geralmente agem como o que querem ser, mas ficam longe de quem são! Se vive entre aspas… vive metáforas… personagens.
─ Acho que é isso mesmo.
─ Surpresa minha, você escreve tão segura de si… Não acredito que sua personalidade seja tão diferente.
─ Engraçado você achar que escrevo tão segura de mim, quando acho que estou escrevendo toda a fragilidade do que há em mim.
─ As palavras são apenas a janela… Se aprender a ler, entenderá o que ter com a pessoa do outro lado. Sentimentos são traduzidos por palavras… Saudade, o que é? Sabemos o que a saudade significa, mas não o que é, então podemos escrever saudade de uma maneira nova, fazendo qualquer pessoa entender o que é, sem dizer a palavra saudade. Se eu escrever:

Eu acordei com saudade. Saudade é bom pra acordar com a gente. A gente levanta e deixa a saudade dormindo quietinha na cama, com medo dela assustar com o barulho do vento entrando pela janela. Eu queria aprender a descrever o que senti, aprendi e o quanto sou grato por ti. Queria não te perder assim, no espelho trincado, no parta retrato vazio, na aliança sem dedo, na gaveta ao lado de seu perfume preferido. Eu tenho medo de acordar a saudade, deixa ela lá, dormindo, hoje serei mais rico que o luar, aquele cúmplice de nossas caminhadas no calçadão a beira mar. Tenho tanta fá em mim, tão pouca crença em ti e uma insignificante esperança em nós.

─ Estou falando de alguém e da saudade, mas posso descrever a minha saudade simplesmente sem tocar na palavra.

Se eu tentar me distrair, vou brincar de recorta e cola com fotos suas. Vou pintar os seus cabelos de uma outra cor, vou te colocar peitões enormes, te fazer mais baixa, alta, gordinha e magra. Vou marcar o seu rostos com pintas, sardas e marquinhas de catapora, vou tatuar as suas costas, pés e ombros. Quem sabe eu até lhe faça negra, ruiva, morena, quem sabe eu explore cada cantinho do seu corpo em busca de algo que eu não adore, que não ame. Quem sabe um dia eu entenda onde e quando começou, a partir de quando você entrou aqui em mim!?A minha vontade de lhe ter hoje, é ainda maior que a de ontem.

─ Ainda cheira saudade?
─ E mais intenso…
─ É assim que leio você… Nas entrelinhas, no que não foi dito, mas no que pesava quando escreveu…
─ “Que se salvem as entrelinhas” C.L., era a frase anterior a esta que iniciou a conversa.

Conversa no Msn com w.Moscolini