COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Dica de Leitura: Antes dela Partir – Flávia Tironi

Hoje conheceremos melhor a autora Flávia Tironi e seu livro Antes dela Partir. Flávia Tironi, tem 36 anos, é casada e mãe de um pequeno. É Designer de Moda, formada pelo Centro Universitário UNA de Minas Gerais, e Escritora. É autora do livro Antes Dela Partir, seu primeiro romance de fôlego, publicado em formato e-book na Amazon e do Spin-off referente ao mesmo, Azul Infinito, com previsão de lançamento na mesma plataforma em dezembro. Recentemente aceitou o convite para ser Colunista fixa no site da Parceira @rasdesenvolvimento e mantém um Blog que abastece com posts mensais. Outras experiências significativas incluem o miniconto Distâncias escrito para o Itaú Cultural e dois contos infanto-juvenis ainda não finalizados. Também escreve fanfics inspiradas em livros e séries. Seu próximo livro, com título a definir, já está sendo escrito e trata-se de um romance contemporâneo YA ambientado em Galway, na Irlanda.

Vem comigo conhecer um pouco mais dessa autora:

Como a literatura entrou em sua vida?

FLÁVIA TIRONI: Através dos meus pais. Meu pai sempre me contou histórias na infância e eu adorava ouvi-las. Posteriormente, já na escola, me tornei uma assídua frequentadora da biblioteca e fazia empréstimos constantemente.

Como é sua rotina para escrever? Você tem alguma rotina para escrever, alguma disciplina, um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?

FLÁVIA TIRONI: Não tenho uma. Eu estou constantemente escrevendo coisas aleatórias ou pensando em escrever. Penso que inspiração sempre faz com que o texto flua melhor e transmita mais emoção. Mas se você pensa em ser um profissional da escrita é necessário sim ter uma rotina porque sem ela, além de você levar mais tempo para concluir projetos, ficará a mercê de sua criatividade e para o mercado editorial isso não funciona.

Quanto tempo demora para concluir um livro?

FLÁVIA TIRONI: Bom, eu concluí apenas um até agora…rsr e ele me tomou três anos. No entanto, depois que lancei ele na Amazon, logo senti o desejo de ter outras histórias porque é assim que o autor vai ficando conhecido. Comecei a estruturar melhor minhas tramas e com isso ganhei tempo.

As histórias “se escrevem” sozinhas ou você pensa na trama inteira?

FLÁVIA TIRONI: É uma junção, creio eu. Tem ideias que surgem muito claramente e você as escreve e as reserva com a certeza de que serão usadas no momento certo da trama. Outras requerem a melhoria e em alguns casos a exclusão. Pela minha experiência, acho importante saber para onde ir ou você corre o risco de se perder pelo caminho. Pontuar fatos importante através de uma storyline é uma excelente forma de vislumbrar a história com um todo.

De onde vem a inspiração?

FLÁVIA TIRONI: De tantos lugares, nossa! Atualmente dos livros que leio, das músicas que escuto, das pessoas com as quais converso e principalmente das histórias aleatórias que escrevo com amigas. Se soubermos observar, até num momento de oração você pode ter um bom insight. Minha dica é: anote, pois do contrário, a ideia se perde.

Quais são seus livros e autores/autores favoritos?

FLÁVIA TIRONI: Livros quero citar três: Por lugares incríveis da Jennifer Niven, Um mais um da Jojo Moyes e Hibisco Roxo da Chimamanda Ngozi. Paulo Coelho (li muito na adolescência), Jojo Moyes (foi a autora que mais me inspirou enquanto estava escrevendo Antes Dela Partir), J.K. Rowling, C.S. Lewis e Neil Gaiman.

Tem planos para livros futuros?

FLÁVIA TIRONI: Alguns… rsr. Além do Spin-off Azul Infinito que pretendo lançar ainda este ano em formato e-book na Amazon, estou escrevendo um romance YA que vai mesclar um pouco de misticismo indiano com a cultura irlandesa. O tema central é a busca de Winnie, a protagonista, por algo maior e que confira maior sentido à vida que ela julga sem graça. E como enquanto escrevo, outras ideias vão surgindo, recentemente fui contemplada por um insight quando uma parceira me contou sobre o tempo em que viveu numa cidadezinha na Itália e eu fiquei completamente apaixonada. Afora isso, também tenho a intenção pulsante de escrever um livro infantil inspirado no meu filho de 2 anos, cujo título provisoriamente é Nico e A esponja mágica.

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Dica de Leitura: As Três Marias – Rachel de Queiroz

Neste romance autobiográfico escrito em 1939, Rachel nos presenteia com a trajetória de três garotas: Maria Augusta (Guta e a nossa narradora), Maria Glória e Maria José, as Três Marias como são chamadas no internato.

A história tem início na infância dessas meninas e caminhamos ao lado das três até a fase adulta quando cada uma vai seguir o melhor caminho para si. As Três Marias faz referência também à constelação e a própria narradora caracteriza cada uma das personagens conforme a característica dos astros:

“Glória era a primeira, rutilante e próxima. Maria José escolheu a da outra ponta, pequenina e tremente. E a mim coube a do meio, a melhor delas, talvez; uma estrela serena de luz azulada, que seria decerto algum tranquilo sol aquecendo mundos distantes, mundos felizes, que eu só imaginava noturnos e lunares.”

A proximidade das amigas se deu não somente pela afinidade, mas também por suas dores. As Três Marias são marcadas por perdas e sofrimentos que nenhuma criança deveria passar. Ao longo da história vamos conhecendo o passado de cada uma dessas meninas e seus desejos para o futuro, acompanhando suas traquinagens no internato, suas paixões e suas esperanças.

Mas é Guta quem acabamos conhecendo mais profundamente e que nos mostra uma alma atormentada e suas reflexões acerca do amor e da vida. Me remeteu às personagens de Clarice, embora com as características literárias tão únicas de Rachel. E é interessante notar que a autora nos revela muito de sua própria vida íntima neste livro.

A narrativa é especialmente deliciosa, simples, porém não menos bonita, cativante e fluída. Quando você se dá conta terminou o livro e está com um sorriso nos lábios, pois é daquelas leituras leves que aquecem o coração. Fecho minha resenha com uma citação final que também remete às estrelas:

“Olho as Três-Marias, juntas, brilhando. Glória reluz, impassível, num raio seguro e azul. Maria José, pequenina, fulge tremendo, modesta e inquieta como sempre. E eu, ai de mim, brilho também, hei de brilhar ainda por muito tempo – e parece que a minha luz tem um fulgor molhado e ardente de olhos chorando”.

Adorei esse livro e com certeza recomendo a leitura!

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
Bibliotecária e leitora compulsiva! Apaixonada por livros e palavras.
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Blog: http://blogentreaspas.com
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Dica de Leitura: Nada – Carmen Laforet

“Houve momentos em que a vida rasgou todos os seus pudores ante meus olhos e apareceu nua, gritando intimidades tristes, que para mim eram apenas horríveis”.

Essa obra é do início ao fim isso. A vida, nua e crua, gritando horrores. A narrativa da autora é poética, deliciosa e super fluída. Há belas descrições de alguns pontos de Barcelona, e fiquei tão íntima da Rua Aribau que faço das palavras da personagem Andrea, as minhas próprias: “Entrar na Rua Aribau era como entrar na minha própria casa”. Mas ainda assim não sei dizer que sentimento tenho ao pensar nessa leitura, porque você fica da primeira à ultima página sem saber se amou ou achou simplesmente um absurdo tudo que foi relatado.

A história é narrada em primeira pessoa, por Andrea, uma jovem órfã que se muda para a casa de sua Avó em Barcelona, para cursar Letras na Universidade. As lembranças que tem dessa casa e de sua família são totalmente o oposto do que encontra ao chegar. Seus familiares estão empobrecidos e amontados num casarão decadente logo após a Guerra Civil Espanhola, e discutem o tempo todo aos gritos e agressões pelos motivos mais mesquinhos. Andrea sente-se o tempo todo deslocada e assustada, tentando se esgueirar pelas sombras sem ser vista e falando minimamente. Tenta buscar na universidade um modo de fugir desse mundo, mas é outro lugar onde se sente inadequada perto de seus colegas muito mais abastados que ela, criando relacionamentos superficiais, com exceção de Ena, sua melhor amiga.

“Ela me fez sentir tudo o que eu não era: rica e feliz. E nunca me esqueci disso.”

Nada é um relado da vida como ela é, do cotidiano de uma família desajustada que tenta manter seus vínculos aos berros. Tive ranço de alguns familiares, em especial de Angústias e sua carência e necessidade de controle no início do livro e Juan com seu machismo e agressividade até a última palavra do livro. As cenas de Juan e sua esposa Glória são indignantes, mas são cenas que muito provavelmente e infelizmente aconteçam dentro de muitos lares, sendo vistas ainda hoje, apesar de tanta luta, como normais. Inclusive pelas vítimas.

Andrea no meio de tudo isso é uma personagem, que apesar de protagonista e narradora da história, não se conecta muito, nem aos membros de sua família, nem ao próprio leitor. É possível perceber seu afastamento, sua introspecção. Sentia como se ela quisesse sumir o tempo todo, desaparecer do cenário aterrador de sua realidade. E quem poderia culpá-la por isso? Além disso tudo, ela pagava pelo quarto onde dormia no casarão de sua família e abdicou das refeições, para poder economizar para se dar algumas simples, mas caras, satisfações. Acabava gastando o dinheiro no início do mês e passava fome no restante dos dias. As descrições da magreza, das dores de cabeça, do mau humor e dos desejos que sentia ao ver/ouvir falar de comida, são perturbadores.

“O fato é que eu me sentia mais feliz desde que me desvencilhara daquele nó das refeições familiares. Pouco importava que naquele mês eu tivesse gastado demais e o orçamento de uma peseta diária mal desse para comer: no inverno, o meio-dia é a hora mais bonita. A melhor hora para tomar sol num parque ou na praça de Catalunha. Às vezes pensava, com prazer, no que estaria acontecendo em casa. Meus ouvidos se enchiam dos gritos do papagaio e dos palavrões de Juan. Preferia flanar livremente.”

É uma leitura que incomoda, que faz pensar e te tira do lugar comum. Três pontos que pra mim, formam uma verdadeira experiência literária. Portanto recomendo muito a leitura!

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
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Dica de Leitura: Criança 44 – Tom Rob Smith

Emocionante!

Logo que esse livro foi lançado eu soube que iria gostar dele. A capa, o título, o tema. Era o primeiro livro do autor Tom Rob Smith e que estréia maravilhosa no mundo da literatura. Adorei a narrativa do autor e achei fascinante a maneira como ele foi levando a história de forma que de uma hora pra outra você se vê tão envolvido com os personagens que passa a sentir suas dores, suas dificuldades e seus desesperos, apesar de todo o contexto hediondo.

A História se passa na União Soviética de 1953, quando a mão de ferro de Stalin esteve mais impiedosa, apoiada pela polícia secreta do Estado que mantinha o regime com crueldade e brutalidade que as palavras de Smith nos fizeram sentir na pele. Nesse contexto, o corpo de um menino é encontrado sobre os trilhos de uma ferrrovia. O agente Liev Demidov, encarregado de forçar a família a acreditar que foi um acidente, se comove e começa a suspeitar que há algo de errado. Então se desenrolam duas histórias: a particular de Liev e sua esposa que, particularmente eu achei fantástica pelo drama envolvido, e a busca incessante do agente pela verdade por trás do terrível crime.

Smith narra de forma fantástica a sociedade soviética da época, oprimida, devastada, passando fome e sendo agredida física e psicologicamente por um sistema sem compaixão e piedade. É assustador. Assim como é assustador você se pegar apaixonada pelo personagem magnífico e extremamente bem trabalho que é Liev, considerando que ele é um soldado soviético, idealista e que acredita fielmente no Estado a ponto de não questionar ordens e perseguir, torturar e até matar se fosse preciso.

Enquanto o Estado tenta manter uma fachada de sociedade feliz e igualitária, onde crimes brutais como o do menino nos trilhos jamais poderia acontecer, Liev começa a se questionar e Smith nos apresenta a relação dele com Raíssa, sua esposa. É fascinante como o autor consegue fazer com que o mundo pessoal de Liev e Raíssa reflitam o contexto histórico da época. Até certo ponto do livro a relação é fria e superficial, tanto que você nem mesmo acredita que algo sairá dali. No entanto, com uma citação apaixonada de Liev, o casal se torna tão envolvente que no momento em que Liev tem de decidir entre entregar sua esposa por lealdade ao Estado ou ir preso, deixando seus pais sem casa e alento, você vive com ele esse momento desesperador.

“Lembra quando nos conhecemos? Você achou que eu era grosseiro de ficar lhe encarando. Saltei na estação de metrô errada só pra perguntar o seu nome. E você não quis me dizer. Mas não fui embora sem saber. Então, você mentiu que se chamava Lena. Passei uma semana inteira só falando naquela mulher linda chamada Lena. Falei para todo mundo, Lena é muito bonita. Quando finalmente encontrei você de novo e convenci-a a andar comigo, chamei-a de Lena o tempo todo. No final do passeio, estava pronto para beijá-la e você para me dizer seu verdadeiro nome. No dia seguinte, eu disse para todo mundo como Raíssa era linda e todos riram de mim dizendo que na semana anterior era Lena, naquela era Raíssa e na próxima seria outra. Mas nunca foi. Foi sempre você”.

A busca de Liev pela verdade, suas suspeitas e crescente desconfiança no Estado só torna tudo ainda mais cativante e surpreendente e nos encaminha para um final brilhante e extremamente criativo.

Leitura recomendadíssima!!

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

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Dica de Leitura: Escuridão Total sem Estrelas – Stephen King

Aproveitando que dia 31/10 foi dia das bruxas, o famoso Halloween, trago uma indicação de leitura do mestre do terror: Stephen King!  

Eu adoro a narrativa de Stephen King e acho sinceramente um autor sensacional e extremamente criativo em seus mundos e histórias, mas nesse livro específico, não houve muita invenção. Acredito mesmo que ele nos trouxe um tanto da vida como ela é e acho que isso é muito mais aterrorizante que qualquer monstro ou histórias sobrenaturais, porque está ali, ao nosso alcance.

São 4 contos que poderiam ser livros separados, mas que compuseram com maestria esse livro cujo título vim a entender somente nas linhas finais do posfácio e faz todo sentido. Em 1922, um dos meus favoritos pela crueza da narrativa, ele nos conta a história de um fazendeiro que para manter suas terras consegue convencer seu próprio filho a ajudá-lo num crime hediondo e esse crime vai perseguir a ambos pelo resto de suas vidas. Um ato, uma escolha e toda uma história é modificada para sempre. As cenas neste são bem aterrorizantes e dignas de um bom terror, mas o ato em si e a mente má do ser humano são ainda piores.

Gigante no volante eu devorei em uma hora! Simplesmente não conseguia largar e precisava seguir lendo pra chegar à conclusão dessa história que foi fenomenal. Neste, temos uma escritora que vai fazer uma palestra em uma biblioteca pública na cidade vizinha e na volta pra casa, pegando um atalho ensinado pela bibliotecária, seu pneu fura e a ajuda que aparece vai ser o seu eterno pesadelo. Tenho que chamar atenção aqui para o poder narrativo de Stephen King que nos faz sentir o que seus personagens sente e algumas cenas desse conto me arrancaram lágrimas.

Em Extensão Justa temos uma ideia brilhante e um conto com humor sarcástico e cruel. Streeter, nosso protagonista, foi diagnosticado com câncer e está em seus últimos momentos quando se depara com um guarda-sol amarelo e uma placa que diz “Extensão Justa/Preço Justo” e decide parar na estrada vazia. Essa parada mudaria sua vida para sempre e mais que isso a vida de outras pessoas. Como construir a sua felicidade sobre a infelicidade alheia? Esse conto é genial e é impossível não refletir sobre muitos pontos. Preciso dizer que o conto se passa em Derry e que ninguém me tira da cabeça que o dono dessa placa e desse negócio macabro é um certo “pior palhaço do mundo”.

O último conto, Um bom casamento, é para nos tirar do lugar comum e nos fazer refletir sobre uma frase escrita pelo próprio King, em seu posfácio que mais parece outro conto desse livro: “É impossível conhecer alguém completamente, até mesmo aqueles que amamos”. Neste temos um casal comum, cuja história vai sendo contada e que nos lembra muitos casamentos que conhecemos por aí, uma vida pacata, uma felicidade tranquila, filhos criados e na faculdade. O marido vai fazer uma viagem à trabalho e numa busca na garagem, Darcy descobre com quem realmente está vivendo nos últimos 27 anos de casamento. E que descoberta meus senhores. E que sangue frio!

Não preciso dizer o quanto recomendo a leitura desse livro, o quanto amo a narrativa desse autor e o quanto esse livro, bem a vida como ela é, é um tipo de terror que nos assombra por muito tempo. Escuridão Total sem Estrelas se explicou no último parágrafo do posfácio, quando King está conversando diretamente conosco, seus leitores:

“Tudo bem, acho que já ficamos aqui embaixo na escuridão por muito tempo. Há todo outro mundo lá em cima. Pegue minha mão, fiel leitor, e ficarei feliz em levá-lo de volta à luz do sol. Estou feliz em ir pra lá, porque acredito que a maioria das pessoas é essencialmente boa. Sei que eu sou. É quanto a você que não tenho tanta certeza”.

Um Rei.

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Dica de Leitura: Olhai os Lírios do Campo – Érico Veríssimo

Este foi o primeiro livro que li de Erico Verissimo e foi numa época que não era muito fã de literatura nacional e por isso ainda desconhecia muitos autores consagrados de nosso país. O que posso dizer é que gostei muito da narrativa de Erico e que ele me incentivou a procurar mais sobre a nossa literatura. De alguma forma, Olhai os Lírios do Campo me lembrou um pouco do livro A insustentável Leveza do Ser, no sentido de nos fazer refletir sobre os diversos aspectos da natureza humana.

O título do livro foi o que me chamou mais atenção. É lindo e poético e bem no fim do livro fica claro a escolha do autor…

“Considerai os lírios do campo. Eles não fiam nem tecem e no entanto nem Salomão em toda a sua glória se cobriu como um deles”.

É a procura pelo que é verdadeiramente essencial na vida. A história gira em torno de Eugênio fontes, uma pessoa infeliz e marcada por experiências humilhantes de uma infância pobre. Eugênio cria um complexo de inferioridade que o acompanha por grande parte de sua vida. Uma das cenas mais marcantes do livro pra mim é quando Eugenio já na faculdade de Medicina e ao redor com alguns amigos, encontra seu pai, o pobre Ângelo:

“Eugênio viu um vulto familiar surgir a uma esquina e sentiu um desfalecimento. Reconheceria aquela figura de longe, no meio de mil… Um homem magro e encurvado, mal vestido, com um pacote no braço, o pai, o pobre Ângelo. Lá vinha ele subindo a rua. Eugênio sentiu no corpo um formigamento quente de mal-estar. Desejou – com que ardor, com que desespero! – que o velho atravessasse a rua, mudasse de rumo. Seria embaraçoso, constrangedor se Ângelo o visse, parasse e lhe dirigisse a palavra. Alcibíades e Castanho ficariam sabendo que ele era filho dum pobre alfaiate que saía pela rua a entregar pessoalmente as roupas dos fregueses… Haviam de desprezá-lo mais por isso. Eugênio já antecipava o amargor da nova humilhação. Olhou para os lados, pensando numa fuga.  (…) Hesitou ainda um instante e quando quis tomar uma resolução, era tarde demais. Ângelo já os defrontava. Viu o filho, olhou dele para os outros e o seu rosto se abriu num sorriso largo de surpreendida felicidade. Afastou-se servil para a beira da calçada, tirou o chapéu. – Boa tarde, Genoca! – exclamou.  O orgulho iluminava-lhe o rosto. Muito vermelho e perturbado Eugênio olhava para a frente em silêncio, como se não o tivesse visto nem ouvido. Os outros também continuavam a caminhar, sem terem dado pelo gesto do homem”.

No dia de sua formatura, Eugênio conhece melhor a estudante Olívia, uma garota cheia de sensibilidade e serenidade e com quem acaba criando um laço de amizade e depois torna-se seu amante. Para Eugenio, estar com Olívia era uma espécie de porto-seguro para onde ele ia quando se sentia estressado e estava em sofrimento. Mesmo assim, acaba casando-se com uma mulher rica e da alta sociedade, pois odeia a pobreza. Casou-se sabendo de seu erro, mas leva o casamento em frente por três anos. Neste período Eugênio deixa de ser médico e trabalha na firma do pai de sua esposa. A ambientação do romance é de uma época onde o capitalismo devasta a vida das personagens. A busca pela riqueza, status e prazer é a moda da época e ninguém se importa mais com os sentimentos.

Aos poucos e após um reencontro com Olívia onde ele descobre que tem uma filha, Eugênio começa a enxergar que fez a escolha errada e começa a dar alguns passos em direção a uma nova vida. No convívio puro e feliz com Anamaria, sua filha e Olívia, Eugênio descobre finalmente que dinheiro não traz felicidade, mas ainda assim não é capaz de dar o passo que o faria separar-se de sua confortável situação na casa do pai de sua esposa. Apenas um trágico acontecimento acaba por fazer Eugênio acordar de verdade e a partir de então, sua vida volta-se para a feitura do bem e a busca pela paz e o desenvolvimento pessoal.

A narrativa se divide, portanto, em duas partes, sendo a primeira contando a infância de Eugênio até seu casamento por dinheiro com Eunice e a segunda contando a parte em que Eugênio descobre o verdadeiro sentido de sua vida e inicia uma nova vida. Em ambas as partes, vários personagens e suas misérias pessoais também nos são apresentadas e isso também torna o romance interessante.

“A vida começa todos os dias”.

Gostei de conhecer Erico Veríssimo e sua narrativa desenvolta e rica. Anotei diversas citações lindas e as relações sociais e pessoais apresentadas foram muito bem desenvolvidas. Destaco o namoro de Dora, moça rica e da alta sociedade e Simão, um pobre judeu discriminado por sua raça.

Com certeza, é uma leitura recomendada!

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Dica de Leitura: A Retornada – Donatella Di Pietrantonio

“Eu fiquei órfã de duas mães vivas. Uma me entregou quando eu ainda tinha seu leite na língua; a outra quando eu tinha treze anos. Eu era filha de separações, de laços de parentescos falsos ou omitidos, de distâncias. Não sabia mais de quem eu provinha. No fundo, até hoje não sei.”

Meu Deus que livro doído. Tantos sentimentos contidos em tão poucas páginas, é de partir o coração. A protagonista, que não chega a ganhar um nome sendo conhecida por todos como “A Retornada”, ou “A devolvida”, nos conta como se escrevesse um diário, como foi a sua jornada desde que foi levada de volta à casa de sua mãe biológica aos 13 anos e precisou se adaptar a essa nova realidade, sem entender ao certo qual foi o motivo dessa “devolução”.

Nesse novo lar ela precisa aprender a conviver com irmãos que também não entendem o que ela está fazendo ali, com a distância de uma mãe que ela sequer consegue chamar de mãe, a escassez de comida, a sujeira, a violência doméstica, ou seja, a falta total de recursos financeiros e emocionais que é totalmente diferente do universo que ela tinha antes na casa da “mamãe do mar” como ela chama sua mãe adotiva.

“Com o tempo, perdi também a ideia confusa de normalidade e, hoje, ignoro qual lugar seja o de uma mãe. Isso me falta, do mesmo modo que pode faltar saúde, proteção, certezas”.

O ponto forte dessa narrativa é o fato de que a protagonista é tão abandonada que ninguém se dá ao trabalho de explicar nada pra ela, e você se vê tão perdida e tão confusa quanto ela, querendo descobrir quais foram os motivos que a levaram a tal situação. O choque do abandono, que por si só, já é bastante traumático, é só o começo de inúmeras situações terríveis pelas quais ela passa nesse novo lar. Já de início ela se vê obrigada a dividir a cama com a irmã mais nova, um colchão velho com cheiro de mofo e xixi seco que logo ela descobre tem esse cheiro porque a irmã faz xixi na cama todas as noites e ela se vê acordando molhada diversas vezes.

Porém é justamente com essa irmã que um laço afetivo é criado e ambas se apoiam e se defendem nas situações terríveis a que são submetidas dia a dia nesse lar descompensado. Essa ligação bonita entre as duas, que persistirá pela vida toda, é construída aos poucos e aos tropeços, e é um dos poucos, ou talvez o único alento que temos ao longo da leitura.

“Nunca entendi o gesto de uma menina de dez ano que apanhava todo dia, mas queria salvar o privilégio que eu gozava, a irmã intocável chegada há pouco”

E mais uma vez, trago a reflexão sobre a importância do papel do pai. O que acontece aqui é novamente um julgamento extremo sobre essas mães que abandonam essa menina duas vezes, embora de um modo ou de outro, estejam ali e o abandono ainda mais real e palpável pra mim que é o abandono dos pais que jamais a trataram como prioridade. Um livro que traz muitas reflexões e cuja leitura eu super recomendo!

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

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Dica de Leitura: Não Verás País Nenhum – Ignácio de Loyola Brandão

Angustiante. Impactante. Assustador. São algumas das palavras com as quais eu descrevo essa leitura que me surpreendeu do início ao fim. Este é o primeiro livro de Ignácio de Loyola Brandão que leio e com certeza não será o último. Gostei muito da história e de sua narrativa desenvolta que nos envolve na leitura e torna impossível não querer ir até o final, mesmo que este final pareça horripilante.

O autor nos leva a um futuro terrível e apocalíptico onde bebe-se com naturalidade água reciclada de urina pois os rios secaram e a água do mar está tão poluída que é impossível até mesmo encostar nela; onde visita-se um museu com águas engarrafadas do passado destruído e é possível ouvir o som das cachoeiras já inexistentes e o canto dos pássaros já disimados; onde fez-se uma cerimônia para o corte da última árvore do Brasil, aplaudida e filmada como algo magnífico e onde se luta por um cartão de água e comida e por viver o mais dignamente possível debaixo de um sol escaldante que arranca a pele e deixa as pessoas loucas.

Este livro é um sério alerta do que nos espera no futuro. E um futuro que ao meu ver, não está mais tão longe como imaginamos. O governo durante todo o tempo tenta abrandar as consequências da destruição humana com campanhas publicitárias otimistas que mostram apenas o lado bom das coisas (e mesmo quando esse lado não existe, inventam). Trabalham através da opressão pelos Civiltares e pela massificação através da comida factícia que teria sido criada já com ingredientes que inibem o questionamento e a insatisfação.

“– Lembra-se de quando líamos os livros de Clark, Asimov, Bradbury, Vogt, Vonnegut, Wul, Miller, Wyndham, Heinlein? Eram supercivilizações, tecnocracia, sistemas computadorizados, relativo – ainda que monótono – bem-estar. E, aqui, o que há? Um país subdesenvolvido vivendo em clima de ficção científica. Sempre fomos um país incoerente, paradoxal. Mas não pensei que chegássemos a tanto”.

Muitos trechos chocantes e cenas e situações de arrepiar! Quando o noticiário da TV passa novamente a cerimônia do corte da última árvore no Brasil, Sousa, o protagonista, se recorda de sua infância e lembra quando o avô o levava para assistí-lo derrubar árvores. Me emocionei bastante com o trecho, pois assim como ele, sempre tive a mesma impressão a respeito de uma árvore tombando:

“Quando vi a primeira árvore cair, meu pai estava ao meu lado. O barulho foi tão horrível que nem a presença dele impediu o meu susto. Chorei. Agora penso: teria sido pena? Não, seria racionalizar os sentimentos de uma criança. Me lembro até hoje o horror que foi a árvore tombando. Um gigante desprotegido, os pés cortados, solto de repente, desabando num ruído imenso. Choro, lamento, ódio, socorro, desespero, desamparo. Ao tombar, tive a impressão de que ela procurava se amparar nas outras. Se apoiar em arbustos frágeis, que se ofereciam impotentes.Fracos demais para segurá-la. Porém solidários. Morriam juntos, arrastados, esmagados. Ao mesmo tempo que tentava se apoiar, aquela coisa imensa parecia ter vergonha de se mostrar tão fraca. De ter sido derrubada sem nenhuma reistência. Urrava de ódio. Poderia resistir? Não via como. Na confusão que se estabelecia nela, caía. Arrastando tudo, arrebentando árvores menores, fazendo um barulho que me parecia cachoeira, ou represa estourando.”

Me lembrou muito 1984 e Admirável Mundo Novo, e assim como estes, merece as cinco estrelas pelo alerta e pela mensagem. Precisamos realmente refletir e repensar. Este livro nos dá essa oportunidade e abre nossas mentes para questionamentos e a vontade de querer fugir desse futuro tão horrível. A narrativa de Loyola é tão clara que quase podia ver as cenas acontecendo na minha frente. Admiro muito autores que conseguem nos transportar para os cenários e nos fazem passar pelas vicissitudes das personagens.

Este é o tipo de leitura essencial, além de recomenda!

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Dica de Leitura: Morra, Amor – Ariana Harwicz

“Achei que meu menino estava chorando, mas toda noite eu o ouço chorar e, quando chego perto, é o silêncio total, como se tivesse gravado um fragmento do seu choro e se reproduzisse sozinho. Mas às vezes não ouço nada. Estou sentada no sofá, a poucos metros do seu quarto, vendo um programa de troca de casais, babás perfeitas, ou pintando as unhas, quando meu querido aparece com o calção meio arriado e me diz: por que ele não para de chorar?, o que ele quer?, a mãe é você, tem que saber. Não sei o que ele quer, digo, não tenho a menor ideia”.

Vou começar com esse trecho, pois ele diz tudo pra mim sobre a leitura desse livro. O que temos aqui é uma jovem mãe que muito claramente não queria ser mãe, ou simplesmente não fazia ideia de como seria e quando aconteceu não teve a melhor experiência de sua vida, como tão banalmente somos levados a acreditar que é a experiência materna. Ela vive numa cidade esquecida do interior da França com seu marido e seu bebê e sofre de depressão pós parto, nos dando uma narrativa confusa de seus sentimentos e pensamentos que é exatamente como ela se sente nesse universo.

Ela mesma, aborda o fato de que ter engravidado foi um erro que ela poderia ter evitado, mas que acabou não fazendo e agora está ali tendo que ir à padaria comprar um bolo de seis meses pro filho, pois segundo outras mães que, inclusive fazem os bolos elas mesmas, não é igual ao cinco ou ao sete… E “um segundo depois de parirem dizem, já não imagino minha vida sem ele, é como se ele estivesse sempre estado comigo”. Dá pra perceber a solidão nessas frases? Dá pra perceber o quanto ela se sente estranha por não sentir as mesmas coisas que as outras mulheres sentem? Ela debocha… consigo ver ela revirando os olhos nessa afirmação, mas é uma auto defesa, pra esconder a verdade: é solitário e extremamente doloroso não sentir algo que é tão natural e comum aos outros e sentir que só você, sente de forma diferente.

Então ela tenta esconder. E tenta ser a mãe que todos esperam que ela seja. E tenta ser a esposa que todos esperam que ela seja, mas falha miseravelmente a cada tentativa. Ela cozinha pro marido, ela troca o bebê (com raiva, querendo morrer, mas faz, tentando se encaixar), ela ouve ele chorando as vezes, e as vezes não consegue. Fica super claro os altos e baixos da depressão… os feixes de luz que se abrem e ela tenta desesperadamente se agarrar e tentar fazer algo normal, e quando a escuridão vem e ela simplesmente se deixa levar pelos pensamentos terríveis. Ouvi muito e li muito sobre: mas porque ela não procura ajuda? Por que ela não aceita ajuda? E essas perguntas não tem uma resposta certa e nem uma única resposta. Podem ser tantos os motivos: ela estar tão doente e sequer saber que precisa de ajuda, ela sentir vergonha da situação (o que acho provável, já que quando ela está no hospital conversando com os médicos ela diz o tempo todo: eu sou um lixo, eu sei que sou o pior dos lixos), e tantas outras possibilidades…

A frase do início da resenha, deixa muito claro o quanto é cobrado de uma mãe, o quanto ela tem que MILAGROSAMENTE saber das coisas porque de um dia pro outro se tornou mãe e a maternidade é esse conto de fadas que transforma as pessoas e de repente elas sabem tudo e são pessoas maravilhosas, nada mais importa. Elas são mães. Elas não são mais seres humanos, não são mais pessoas, não são mais nada: são mães. E além desse ponto que é muito importante, o trecho mostra o quanto é aceitável essa postura um tanto antiquada e patética de pai, de achar que só por ter contribuído na concepção já fez TUDO que tinha que fazer e não precisa fazer mais nada. Afinal, é a mãe que tem que saber…

Ah, mas eu sei que muitos defenderão o pai do livro, porque ele amava ela, ele aceitava o problema dela, ele cuidava do bebê nos momentos que ela estava tendo as crises. Vamos refletir um pouco mais sobre isso? Ele fazia sim, mas fazia porque ela não fazia, porque se ela fosse a guerreira que a maioria das mães que eu conheço é, e fizesse TUDO, o “querido” não sairia do lugar. E vamos relembrar que na maioria das vezes o bonito chamava a mãe dele ou levava o bebê pra casa dela. E eu só me faço uma pergunta: porque é aceitável o pai não cuidar, não acordar a noite, não ouvir o bebê chorar e a mãe não? Ambos são seres humanos e a gente precisa começar a desmistificar isso de que mãe é uma super mulher cheia dos poderes e que a partir do momento que vira mãe não sente mais nada, só é mãe. E precisa parar de achar aceitável essa postura ridícula de homens que “ajudam” mas dizem: “você que é a mãe” e dane-se se ela é um ser humano, se tem hormônios, se está doente, se não está preparada pra isso.

Porque é por isso que o aborto é um crime sem perdão, mas o pai ir embora e abandonar seu filho na barriga da mãe é normal, acontece… Ambas as situações são terríveis e na mesma medida pra mim. Porque acredito que se muitas mães tivessem ao lado um pai presente, de verdade, muitos abortos/abandonos e outras situações terríveis seriam evitadas. Está mais do que na hora da sociedade entender que a responsabilidade é dos dois. 50% de cada um, nem mais, nem menos pra nenhum!

Não estou, de forma alguma, justificando todos os atos dela. Ela fez sim muita coisa errada, muita coisa que dá angústia na gente de ler, mas que a gente precisa refletir. A maternidade não é igual para todas. Nem todo mundo sente esse amor incondicional e nem todo mundo passa por um conto de fadas, e tudo bem! Vamos ser mais empáticas umas com as outras e vamos refletir mais sobre a divisão de responsabilidades, porque ninguém faz filho sozinho! Sim, esse assunto me revolta e nem é meu lugar de fala, afinal, nem mãe sou. Mas tenho mãe e tenho amigas mães e sinto empatia por todas as que sofrem qualquer tipo de abuso por não sentirem como as outras, ou por pais que acham que fazem muito, sem realmente fazer algo de verdade.

Achei que era importante trazer essa reflexão. E acho importante demais um livro que traga a vida nua e crua, e a realidade como ela é pra que a gente possa se abrir a essas reflexões. Eu tiro meu chapéu para a coragem da autora, e que muitas outras mulheres se sintam seguras a dizer o que sentem sem precisar chegar nesses pontos extremos, podendo encontrar empatia e compreensão e talvez, encontrar um equilíbrio!

Super recomendo!

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
Bibliotecária e leitora compulsiva! Apaixonada por livros e palavras.
SERVIÇO
Blog: http://blogentreaspas.com
Instagram: @blog_entreaspas
Email: entreaspasb@gmail.com

COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Dica de Leitura: Um Dia – David Nichols

A primeira palavra que me vem à cabeça ao pensar nesse livro é real. Acho que dificilmente se encontra um romance onde os personagens e os momentos sejam tão reais e verdadeiros como neste livro. Nicholls acertou no tom da narrativa, na criação dos personagens, no toque perfeito de contar a história em flashs de ano a ano, todos no mesmo dia, 15 de julho, que foi quando os protagonistas se conheceram. Simplesmente brilhante.

Dexter e Emma passam juntos a noite depois da formatura em 15 de julho de 1988 e ambos sabem que no dia seguinte irão trilhar caminhos totalmente diferentes. Porém, mesmo depois de apenas um dia, descobrem que não conseguem parar de pensar um no outro. Ainda assim, seguem seus caminhos, isoladamente, conversando através de cartas, postais e telefonemas que nos presenteiam com diálogos inteligentes e cativantes.

“O que quer que aconteça amanhã, tivemos o hoje!”

Dex e Em, Em e Dex se tornam uma espécie de melhores amigos, sem deixar aquele clima de amor/paixao de lado. É um relacionamento bonito, sincero, com altos e baixos onde ambos compartilham suas vidas em todos os aspectos. Emma é uma garota comum, estudiosa, nerd e cheia de idealismo. Não é uma beldade, mas tem uma beleza toda sua que compõe, com sua personalidade um quadro belo e admirável. Passa grande parte da vida tentando descobrir o que fazer da vida, mas assim que descobre se torna uma brilhante profissional, confiante e feliz.

“Eles falavam muito pouco do que sentiam um pelo outro: não havia necessidade de frases bonitas e pequenas atenções entre amigos tão experientes.”

Dexter é um rapaz bonitão, rico, com a vida toda pela frente e uma vontade sem igual de vivê-la até as últimas consequências. Por sua beleza, e nem tanto pelo talento, é convidado a trabalhar na televisão e tem um grande pico de sucesso, que o leva a se tornar uma pessoa diferente que acaba se distanciando dos amigos, incluindo Emma.

É justamente esse balde de realidade na vida de ambos, que torna toda a narrativa especial. É impossível não ficar o livro todo torcendo e esperando pelos clichês e se deparando com nada menos que a crua realidade da vida que não se pode negar. Nisso e na beleza dos momentos que narra com muita qualidade, Nicholls me conquistou completamente.

“O amor não se altera em poucas horas ou semanas….”

A história que se passa no período de 20 anos, contados ano a ano em todo dia 15 de julho é um espetáculo narrativo à parte. Além do fato de admirar muito livros que tragam em sua leitura todos os tipos de emoções. Ri, chorei, suspirei, tive raiva e é impossível não se ver refletida em Emma, nem que seja em apenas um aspecto de sua vida.

Outro encanto do livro é o recurso maravilhoso que Nicholls utilizou nos momentos finais do livro em que mesclou o tempo presente, com as lembranças do início do relacionamento há 20 anos atrás.

“Às vezes você percebe quando os seus grandes momentos estão acontecendo, às vezes eles surgem do passado. Talvez seja a mesma coisa com as pessoas.”

Leitura totalmente recomendada!

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
Bibliotecária e leitora compulsiva! Apaixonada por livros e palavras.
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