COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Dica de Leitura: Comentários a Respeito de Evelyn – Cah Muniz

Hoje conheceremos melhor a autora Cah Muniz e o seu livro Comentários a Respeito de Evelyn! Cah é autora em 07 antologias publicadas fisicamente entre 2017 e 2018 pelas editoras Empíreo, Futurama, Illuminare e pelos projetos “Sonhos Literários” e “Engenho das Palavras”. É umas das antologistas de Meu (Não Tão) Querido Ex, lançada em 2020. Tem 5 e-books publicados na Amazon, disponíveis para compra: Comentários a Respeito de Evelyn, Corações Sequestrados, SuperStar, Contos (In)Contáveis e A Paciente — primeiro livro da trilogia romântica que continuará em 2021.

Vem comigo conhecer um pouco mais dessa autora:

Como a literatura entrou em sua vida?

CAH MUNIZ: Meu pai era um livreiro viajante! Desde criança me vi cercada de literatura! Leio desde muito jovem e nunca mais parei. Resolvi escrever aos 13 anos, num concurso de poesias. Iniciei com elas, depois escrevi alguns livros (que claro, não deixaram a minha gaveta) e fiquei em um hiato de escrita… Até decidir criar coragem e dividir minhas histórias em 2018.

Como é sua rotina para escrever? Você tem alguma rotina para escrever, alguma disciplina, um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?

CAH MUNIZ: Eu tenho escrito muito. Nesta pandemia intensifiquei o meu ritmo, aproveitando a ausência em eventos e festas. Com isso criei um hábito delicioso e produtivo: amo escrever às 4/5 da manhã. Tenho mais inspiração neste horário e busco adaptar minha rotina para me sentar no notebook todos os dias (possíveis) e dar continuidade nas programações. Porém, quando surge mesmo a inspiração, se eu pudesse sequer sairia do escritório. Escreveria direto, rs.

Quanto tempo demora para concluir um livro?

CAH MUNIZ: Isso depende muito. Mas geralmente o livro inicial — escrito na  inspiração — costumo escrever em 40 dias. Depois entra a fase de revisões e esta demora mais, até dois meses inteiros. Entre escrever e publicar aí pode demorar anos.

As histórias “se escrevem” sozinhas ou você pensa na trama inteira?

CAH MUNIZ: Quando a inspiração chega, geralmente ela me traz uma “cena chave”. A partir desta cena é que desenvolvo todo o livro. Por exemplo: em “Comentários a Respeito de Evelyn” eu escutei inesperadamente a música “Three Times a Lady”, do Commodores. A cena que cito no livro surgiu na hora — sabia que os personagens estariam naquele momento, mas não sabia como eles chegariam até lá. Em romances é assim. Mas para contos, eu costumo “ouvir” a primeira e a última frase. E então escrevo o meio, rs.

De onde vem a inspiração?

CAH MUNIZ: Amo assuntos cotidianos. Sou uma observadora em restaurantes, bares, festas. Adoro ouvir “casos”, histórias de “romances que não deram certo”, “intrigas familiares”. O que outros chamariam de “curtir uma fofoca”, para um escritor, na verdade, é acervo de inspiração. Uma coisa que me ajuda também é ser inconformada com finais de filmes, por exemplo. Se curto a química dos atores em cena, eu guardo isso comigo — e depois costumo escrever uma história para eles. Boa parte dos casais que já divulguei nos meus romances possuem inspiração em atores que trabalharam juntos — e que eu quis oferecer minha própria narrativa.

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Retrospectiva Literária 2020

  • O livro infanto-juvenil que mais gostei: Coraline – Neil Gaiman

É uma história grandiosa contada com simplicidade e poesia, os acontecimentos vão sendo descritos com uma sutileza tenebrosa. São retalhos dos nossos próprios medos. As personagens são profundas e inesquecíveis, nos fazendo refletir sobre as muitas faces que cada um esconde sobre sutilezas e sorrisos e os diálogos, mesmo os mais pequenos, tem sempre muito a dizer. Me encantou muito como ele construiu a personagem Coraline, que apesar de ser uma criança, é extremamente esperta e consegue pressentir perigos e reconhecer certas situações com grande clareza.

  • A aventura que me tirou o fôlego: O Labirinto dos Espíritos – Carlos Ruiz Zafón

Não dá nem pra pensar em como explicar as tantas reviravoltas mesclando presente e passado, personagens antigos e queridos com novos personagens fantásticos e percorrendo caminhos tortuosos até finalmente juntar todas as pontas soltas e fechar a história com maestria. A narrativa especial de Zafón traz o melhor e o pior de seus personagens a tona, nos mostrando a realidade nua e crua da natureza humana. Tudo isso permeado por cenários que vão de lugares sombrios e escabrosos a encantados e belos, além é claro do fato de o leitor estar o tempo todo cercado por citações, personagens e livros, fechando com chave de ouro o encantamento dessa obra.

  • O terror que me deixou sem dormir: Escuridão Total sem Estrelas – Stephen King

Acredito mesmo que ele nos trouxe um tanto da vida como ela é e acho que isso é muito mais aterrorizante que qualquer monstro ou histórias sobrenaturais, porque está ali, ao nosso alcance. São 4 contos que poderiam ser livros separados, mas que compuseram com maestria esse livro cujo título vim a entender somente nas linhas finais do posfácio e faz todo sentido. Não preciso dizer o quanto recomendo a leitura desse livro, o quanto amo a narrativa desse autor e o quanto esse livro, bem a vida como ela é, é um tipo de terror que nos assombra por muito tempo.

  • O suspense mais eletrizante: Colega de Quarto  – Victor Bonini

Você já imaginou chegar em casa e a televisão estar ligada sendo que você tem certeza que a desligou antes de sair? E se encontrasse um chinelo que não é seu no quarto de hóspedes? Uma escova de dentes a mais no banheiro? E se você acordasse ás 2h da manhã com o microondas apitando? Em outras noites, a descarga? E quando você vai checar… NADA. Apavorante não? Das primeiras às ultimas palavras, a narrativa de Victor Bonini te prendem nesse mistério assustador.

  • O romance que me fez suspirar: Comentários a Respeito de Evelyn – Cah Muniz

Este é o romance de estreia da escritora Cah Muniz, que sigo no instagram e blog há algum tempo!! O enredo a princípio me pareceu super adolescente e clichê e quase pensei em não continuar por já estar um pouco saturada desse tipo de leitura e também por não ser o meu gênero favorito! Todos já sabem que romance romântico não é meu forte. Mas fico feliz de ter persistido na leitura, pois fui surpreendida ao longo da narrativa por uma história envolvente e de grande carga emocional.

  • A saga que me conquistou: Duna – Frank Herbert

É muito difícil explicar em poucas palavras a profundidade dessa história e tudo que disse é bastante superficial em relação à todas as suas vertentes filosóficas, religiosas e ambientais. Acompanhamos nesse livro a jornada de um herói e sua incessante busca pelo conhecimento, ponto bastante abordado nesse livro. A trama é muito bem amarrada, a narrativa de Herbert é genial e empolgante e apesar de alguns momentos se tornar um pouco cansativa nos detalhes e descrições, são extremamente necessários para o desenrolar da história. Com certeza quer continuar a ler os livros dessa saga!

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Dica de Leitura: Apenas Uma Vez – Cleia Lira

Hoje conheceremos melhor a autora Cleia Lira e o primeiro livro do seu box Garotos de Jersey: Apenas Uma Vez! Cleia nasceu numa pequena cidade do interior de São Paulo chamada Arco-íris, porém adotou Sumaré como sua cidade. Aqui se casou e teve duas filhas. É professora e nas horas vagas lê, na verdade, segundo seu marido ela devora os livros esse é o seu vício, quando começa não consegue parar mais. E foi assim que se tornou escritora, leu tanto que um dia procurou uma história diferente para ler e como não achou, resolveu escrever e alguns meses depois surgiu seu primeiro livro: Sob Sua Proteção.  .

Vem comigo conhecer um pouco mais dessa autora:

Como a literatura entrou em sua vida?

CLEIA LIRA: A literatura sempre esteve presente na minha vida, amo ler e escrever se tornou uma consequência.

Como é sua rotina para escrever? Você tem alguma rotina para escrever, alguma disciplina, um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?

CLEIA LIRA: Eu gostaria muito de ter uma rotina, mas não sou disciplinada a esse ponto, já escrevi em muitas ocasiões diferentes e circunstâncias também, mas agora estou escrevendo com música coloco uma playlist e começo a escrever, não tem funcionado muito esse ano está complicado para escrever, mas espero ter mais tempo o ano que vem.

Quanto tempo demora para concluir um livro?

CLEIA LIRA: Depende muito do livro, alguns vem pronto na minha cabeça e é só escrever e outros levo mais tempo pensando, pesquisando e fazendo roteiros e esses levam um ano ou mais.

As histórias “se escrevem” sozinhas ou você pensa na trama inteira?

CLEIA LIRA: Bem que eu queria que as histórias se escrevessem sozinhas, mas não é assim que acontece, escrever é um trabalho solitário e longo, ninguém escreve um livro do dia pra noite. O que acontece é que algumas histórias já aparecem prontas na nossa cabeça com começo, meio e fim. Porém, ainda precisamos sentar para escrever elas.

De onde vem a inspiração?

CLEIA LIRA: É difícil mencionar apenas uma coisa, pois a inspiração chega de diversas formas,  pode ser pelas músicas, filmes, histórias e muito dos livros que leio.

Quais são seus livros e autores/autores favoritos?

CLEIA LIRA: Nossa tenho muitos, sou apaixonada pela literatura então sempre encontro um novo autor para me inspirar, mas se tivesse que citar alguns deles seria a Clarice Lispector com suas histórias que tendem a mexer com algo mais profundo no nosso íntimo, o Ernest Hemingway que consegue escrever as melhores histórias com uma precisão cirúrgica de palavras, a Carolina Maria de Jesus com uma escrita realista enfim tem muitos autores bons por aí para se inspirar. E meu livro favorito da vida é Senhora de José de Alencar.

Tem planos para livros futuros?

CLEIA LIRA: Eu tenho alguns rascunhos guardados para começar a escrever em 2021. Entre eles um livro infanto juvenil com uma protagonista adolescente negra, pretendo escrever um livro com contos que abordem diferentes temas enfrentados pelos adolescentes na escola. Essa ideia está esperando tem dois anos, acho que está na hora de mostrar ela para meus leitores.

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Dica de Leitura: Duna – Frank Herbert

Extraordinário!!

Há anos que estou para ler esse livro que foi indicação de um amigo muito querido e hoje me pergunto porque demorei tanto! Duna é um livro com uma história incrível e cheia de reflexões, o que tão bem caracteriza o seu gênero literário, a ficção científica. Além disso muitos dos questionamentos levantados nessa trama são extremamente atuais e podem se encaixar perfeitamente a alguns dos nossos acontecimentos cotidianos.

“Grave isso na memória, rapaz: um mundo é sustentado por quatro coisas… – ela ergueu quatro dedos nodosos – … o conhecimento dos sábios, a justiça dos poderosos, a prece dos justos e a coragem dos bravos. Mas tudo isso de nada vale… – ela cerrou o punho – … sem um governante que conheça a arte de governar. Faça disso a ciência de sua tradição!”

Duna é como ficou conhecido o planeta Arrakis, composto por um gigantesco deserto onde vivem enormes criaturas chamadas de “vermes”, pouquíssima água, algumas cidades e um povo nômade, os Fremen. As condições do planeta são severas e para sobreviver ao deserto é preciso utilizar um traje que reaproveita a água do corpo. É esse o nível de escassez de água do planeta conhecido como Duna. Além disso Duna possui “A Especiaria” que é um tipo de tempero especial que pode proporcionar a expansão da inteligência humana e permitir viagens intergaláticas e que só é encontrado neste planeta.

“Que sentidos nos faltam para que não consigamos ver nem ouvir um outro mundo a nossa volta?”

O ano é 10 mil, a humanidade já se espalhou pelas estrelas e a Terra é apenas uma lembrança. A sociedade é comandada por um Imperador e é composta por uma Guilda Espacial, duas casas que disputam entre si pelo governo de Duna, os Atreides (considerados os bons moços) e os Harkonnen (considerados os degenardos) e as Bene Gesserit, uma ordem de mulheres com poderes e propósitos misteriosos.

Da união do Duque Leto Atreides e da Bene Gesserit Lady Jéssica, nasce Paul Atreides, herdeiro da casa e suspeito de ser “O Escolhido”, o messias esperado pela ordem Bene Gesserit há anos e que tem o propósito de liderar o povo de Duna e salvá-lo de sua casa rival. Os três vão para Arrakis e acabam caindo numa armadilha ardilosa do Barão Vladmir Harkonnen, uma criatura terrível que abusa sexualmente de escravos e mantém sua população à base do medo.

“O respeito pela verdade é praticamente o alicerce de toda moral”

É muito difícil explicar em poucas palavras a profundidade dessa história e tudo que disse é bastante superficial em relação à todas as suas vertentes filosóficas, religiosas e ambientais. Acompanhamos nesse livro a jornada de um herói e sua incessante busca pelo conhecimento, ponto bastante abordado nesse livro. A trama é muito bem amarrada, a narrativa de Herbert é genial e empolgante e apesar de alguns momentos se tornar um pouco cansativa nos detalhes e descrições, são extremamente necessários para o desenrolar da história.

Acho interessante abordar também toda a preocupação do autor em relação ao nosso meio ambiente que fica bem explícita em Duna principalmente pelo personagem Kynes, o planetólogo de Arrakis e pai de Chani. O que me faz lembrar de dois pontos muito relevantes nessa história: as personagens femininas são sensacionais e é impossível não se tornar fã de pelo menos uma delas, ou todas elas; e o livro traz textos complementares maravilhosos, incluindo um glossário que ajuda muito na leitura e compreensão.

Afora tudo isso, quero deixar registrado o quanto eu fiquei apaixonada pela personagem Alia, irmã de Paul Atreids e protagonista de uma cena simplesmente FANTÁSTICA e que com certeza é a razão pela qual eu vou continuar a leitura dos próximos dois livros para pelo menos fechar a trilogia. É um livro de ficção científica de peso e que indico muito a leitura!

“Não terei medo. O medo mata a mente. O medo é a pequena morte que leva à aniquilação total. Enfrentarei meu medo. Permitirei que passe por cima e através de mim. E, quando tiver passando, voltarei o olho interior para ver seu rastro. Onde o medo não estiver mais, nada haverá. Somente eu restarei.”

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
Bibliotecária e leitora compulsiva! Apaixonada por livros e palavras.
SERVIÇO
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Dica de Leitura: Antes dela Partir – Flávia Tironi

Hoje conheceremos melhor a autora Flávia Tironi e seu livro Antes dela Partir. Flávia Tironi, tem 36 anos, é casada e mãe de um pequeno. É Designer de Moda, formada pelo Centro Universitário UNA de Minas Gerais, e Escritora. É autora do livro Antes Dela Partir, seu primeiro romance de fôlego, publicado em formato e-book na Amazon e do Spin-off referente ao mesmo, Azul Infinito, com previsão de lançamento na mesma plataforma em dezembro. Recentemente aceitou o convite para ser Colunista fixa no site da Parceira @rasdesenvolvimento e mantém um Blog que abastece com posts mensais. Outras experiências significativas incluem o miniconto Distâncias escrito para o Itaú Cultural e dois contos infanto-juvenis ainda não finalizados. Também escreve fanfics inspiradas em livros e séries. Seu próximo livro, com título a definir, já está sendo escrito e trata-se de um romance contemporâneo YA ambientado em Galway, na Irlanda.

Vem comigo conhecer um pouco mais dessa autora:

Como a literatura entrou em sua vida?

FLÁVIA TIRONI: Através dos meus pais. Meu pai sempre me contou histórias na infância e eu adorava ouvi-las. Posteriormente, já na escola, me tornei uma assídua frequentadora da biblioteca e fazia empréstimos constantemente.

Como é sua rotina para escrever? Você tem alguma rotina para escrever, alguma disciplina, um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?

FLÁVIA TIRONI: Não tenho uma. Eu estou constantemente escrevendo coisas aleatórias ou pensando em escrever. Penso que inspiração sempre faz com que o texto flua melhor e transmita mais emoção. Mas se você pensa em ser um profissional da escrita é necessário sim ter uma rotina porque sem ela, além de você levar mais tempo para concluir projetos, ficará a mercê de sua criatividade e para o mercado editorial isso não funciona.

Quanto tempo demora para concluir um livro?

FLÁVIA TIRONI: Bom, eu concluí apenas um até agora…rsr e ele me tomou três anos. No entanto, depois que lancei ele na Amazon, logo senti o desejo de ter outras histórias porque é assim que o autor vai ficando conhecido. Comecei a estruturar melhor minhas tramas e com isso ganhei tempo.

As histórias “se escrevem” sozinhas ou você pensa na trama inteira?

FLÁVIA TIRONI: É uma junção, creio eu. Tem ideias que surgem muito claramente e você as escreve e as reserva com a certeza de que serão usadas no momento certo da trama. Outras requerem a melhoria e em alguns casos a exclusão. Pela minha experiência, acho importante saber para onde ir ou você corre o risco de se perder pelo caminho. Pontuar fatos importante através de uma storyline é uma excelente forma de vislumbrar a história com um todo.

De onde vem a inspiração?

FLÁVIA TIRONI: De tantos lugares, nossa! Atualmente dos livros que leio, das músicas que escuto, das pessoas com as quais converso e principalmente das histórias aleatórias que escrevo com amigas. Se soubermos observar, até num momento de oração você pode ter um bom insight. Minha dica é: anote, pois do contrário, a ideia se perde.

Quais são seus livros e autores/autores favoritos?

FLÁVIA TIRONI: Livros quero citar três: Por lugares incríveis da Jennifer Niven, Um mais um da Jojo Moyes e Hibisco Roxo da Chimamanda Ngozi. Paulo Coelho (li muito na adolescência), Jojo Moyes (foi a autora que mais me inspirou enquanto estava escrevendo Antes Dela Partir), J.K. Rowling, C.S. Lewis e Neil Gaiman.

Tem planos para livros futuros?

FLÁVIA TIRONI: Alguns… rsr. Além do Spin-off Azul Infinito que pretendo lançar ainda este ano em formato e-book na Amazon, estou escrevendo um romance YA que vai mesclar um pouco de misticismo indiano com a cultura irlandesa. O tema central é a busca de Winnie, a protagonista, por algo maior e que confira maior sentido à vida que ela julga sem graça. E como enquanto escrevo, outras ideias vão surgindo, recentemente fui contemplada por um insight quando uma parceira me contou sobre o tempo em que viveu numa cidadezinha na Itália e eu fiquei completamente apaixonada. Afora isso, também tenho a intenção pulsante de escrever um livro infantil inspirado no meu filho de 2 anos, cujo título provisoriamente é Nico e A esponja mágica.

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Dica de Leitura: As Três Marias – Rachel de Queiroz

Neste romance autobiográfico escrito em 1939, Rachel nos presenteia com a trajetória de três garotas: Maria Augusta (Guta e a nossa narradora), Maria Glória e Maria José, as Três Marias como são chamadas no internato.

A história tem início na infância dessas meninas e caminhamos ao lado das três até a fase adulta quando cada uma vai seguir o melhor caminho para si. As Três Marias faz referência também à constelação e a própria narradora caracteriza cada uma das personagens conforme a característica dos astros:

“Glória era a primeira, rutilante e próxima. Maria José escolheu a da outra ponta, pequenina e tremente. E a mim coube a do meio, a melhor delas, talvez; uma estrela serena de luz azulada, que seria decerto algum tranquilo sol aquecendo mundos distantes, mundos felizes, que eu só imaginava noturnos e lunares.”

A proximidade das amigas se deu não somente pela afinidade, mas também por suas dores. As Três Marias são marcadas por perdas e sofrimentos que nenhuma criança deveria passar. Ao longo da história vamos conhecendo o passado de cada uma dessas meninas e seus desejos para o futuro, acompanhando suas traquinagens no internato, suas paixões e suas esperanças.

Mas é Guta quem acabamos conhecendo mais profundamente e que nos mostra uma alma atormentada e suas reflexões acerca do amor e da vida. Me remeteu às personagens de Clarice, embora com as características literárias tão únicas de Rachel. E é interessante notar que a autora nos revela muito de sua própria vida íntima neste livro.

A narrativa é especialmente deliciosa, simples, porém não menos bonita, cativante e fluída. Quando você se dá conta terminou o livro e está com um sorriso nos lábios, pois é daquelas leituras leves que aquecem o coração. Fecho minha resenha com uma citação final que também remete às estrelas:

“Olho as Três-Marias, juntas, brilhando. Glória reluz, impassível, num raio seguro e azul. Maria José, pequenina, fulge tremendo, modesta e inquieta como sempre. E eu, ai de mim, brilho também, hei de brilhar ainda por muito tempo – e parece que a minha luz tem um fulgor molhado e ardente de olhos chorando”.

Adorei esse livro e com certeza recomendo a leitura!

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
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Dica de Leitura: Nada – Carmen Laforet

“Houve momentos em que a vida rasgou todos os seus pudores ante meus olhos e apareceu nua, gritando intimidades tristes, que para mim eram apenas horríveis”.

Essa obra é do início ao fim isso. A vida, nua e crua, gritando horrores. A narrativa da autora é poética, deliciosa e super fluída. Há belas descrições de alguns pontos de Barcelona, e fiquei tão íntima da Rua Aribau que faço das palavras da personagem Andrea, as minhas próprias: “Entrar na Rua Aribau era como entrar na minha própria casa”. Mas ainda assim não sei dizer que sentimento tenho ao pensar nessa leitura, porque você fica da primeira à ultima página sem saber se amou ou achou simplesmente um absurdo tudo que foi relatado.

A história é narrada em primeira pessoa, por Andrea, uma jovem órfã que se muda para a casa de sua Avó em Barcelona, para cursar Letras na Universidade. As lembranças que tem dessa casa e de sua família são totalmente o oposto do que encontra ao chegar. Seus familiares estão empobrecidos e amontados num casarão decadente logo após a Guerra Civil Espanhola, e discutem o tempo todo aos gritos e agressões pelos motivos mais mesquinhos. Andrea sente-se o tempo todo deslocada e assustada, tentando se esgueirar pelas sombras sem ser vista e falando minimamente. Tenta buscar na universidade um modo de fugir desse mundo, mas é outro lugar onde se sente inadequada perto de seus colegas muito mais abastados que ela, criando relacionamentos superficiais, com exceção de Ena, sua melhor amiga.

“Ela me fez sentir tudo o que eu não era: rica e feliz. E nunca me esqueci disso.”

Nada é um relado da vida como ela é, do cotidiano de uma família desajustada que tenta manter seus vínculos aos berros. Tive ranço de alguns familiares, em especial de Angústias e sua carência e necessidade de controle no início do livro e Juan com seu machismo e agressividade até a última palavra do livro. As cenas de Juan e sua esposa Glória são indignantes, mas são cenas que muito provavelmente e infelizmente aconteçam dentro de muitos lares, sendo vistas ainda hoje, apesar de tanta luta, como normais. Inclusive pelas vítimas.

Andrea no meio de tudo isso é uma personagem, que apesar de protagonista e narradora da história, não se conecta muito, nem aos membros de sua família, nem ao próprio leitor. É possível perceber seu afastamento, sua introspecção. Sentia como se ela quisesse sumir o tempo todo, desaparecer do cenário aterrador de sua realidade. E quem poderia culpá-la por isso? Além disso tudo, ela pagava pelo quarto onde dormia no casarão de sua família e abdicou das refeições, para poder economizar para se dar algumas simples, mas caras, satisfações. Acabava gastando o dinheiro no início do mês e passava fome no restante dos dias. As descrições da magreza, das dores de cabeça, do mau humor e dos desejos que sentia ao ver/ouvir falar de comida, são perturbadores.

“O fato é que eu me sentia mais feliz desde que me desvencilhara daquele nó das refeições familiares. Pouco importava que naquele mês eu tivesse gastado demais e o orçamento de uma peseta diária mal desse para comer: no inverno, o meio-dia é a hora mais bonita. A melhor hora para tomar sol num parque ou na praça de Catalunha. Às vezes pensava, com prazer, no que estaria acontecendo em casa. Meus ouvidos se enchiam dos gritos do papagaio e dos palavrões de Juan. Preferia flanar livremente.”

É uma leitura que incomoda, que faz pensar e te tira do lugar comum. Três pontos que pra mim, formam uma verdadeira experiência literária. Portanto recomendo muito a leitura!

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

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Dica de Leitura: Criança 44 – Tom Rob Smith

Emocionante!

Logo que esse livro foi lançado eu soube que iria gostar dele. A capa, o título, o tema. Era o primeiro livro do autor Tom Rob Smith e que estréia maravilhosa no mundo da literatura. Adorei a narrativa do autor e achei fascinante a maneira como ele foi levando a história de forma que de uma hora pra outra você se vê tão envolvido com os personagens que passa a sentir suas dores, suas dificuldades e seus desesperos, apesar de todo o contexto hediondo.

A História se passa na União Soviética de 1953, quando a mão de ferro de Stalin esteve mais impiedosa, apoiada pela polícia secreta do Estado que mantinha o regime com crueldade e brutalidade que as palavras de Smith nos fizeram sentir na pele. Nesse contexto, o corpo de um menino é encontrado sobre os trilhos de uma ferrrovia. O agente Liev Demidov, encarregado de forçar a família a acreditar que foi um acidente, se comove e começa a suspeitar que há algo de errado. Então se desenrolam duas histórias: a particular de Liev e sua esposa que, particularmente eu achei fantástica pelo drama envolvido, e a busca incessante do agente pela verdade por trás do terrível crime.

Smith narra de forma fantástica a sociedade soviética da época, oprimida, devastada, passando fome e sendo agredida física e psicologicamente por um sistema sem compaixão e piedade. É assustador. Assim como é assustador você se pegar apaixonada pelo personagem magnífico e extremamente bem trabalho que é Liev, considerando que ele é um soldado soviético, idealista e que acredita fielmente no Estado a ponto de não questionar ordens e perseguir, torturar e até matar se fosse preciso.

Enquanto o Estado tenta manter uma fachada de sociedade feliz e igualitária, onde crimes brutais como o do menino nos trilhos jamais poderia acontecer, Liev começa a se questionar e Smith nos apresenta a relação dele com Raíssa, sua esposa. É fascinante como o autor consegue fazer com que o mundo pessoal de Liev e Raíssa reflitam o contexto histórico da época. Até certo ponto do livro a relação é fria e superficial, tanto que você nem mesmo acredita que algo sairá dali. No entanto, com uma citação apaixonada de Liev, o casal se torna tão envolvente que no momento em que Liev tem de decidir entre entregar sua esposa por lealdade ao Estado ou ir preso, deixando seus pais sem casa e alento, você vive com ele esse momento desesperador.

“Lembra quando nos conhecemos? Você achou que eu era grosseiro de ficar lhe encarando. Saltei na estação de metrô errada só pra perguntar o seu nome. E você não quis me dizer. Mas não fui embora sem saber. Então, você mentiu que se chamava Lena. Passei uma semana inteira só falando naquela mulher linda chamada Lena. Falei para todo mundo, Lena é muito bonita. Quando finalmente encontrei você de novo e convenci-a a andar comigo, chamei-a de Lena o tempo todo. No final do passeio, estava pronto para beijá-la e você para me dizer seu verdadeiro nome. No dia seguinte, eu disse para todo mundo como Raíssa era linda e todos riram de mim dizendo que na semana anterior era Lena, naquela era Raíssa e na próxima seria outra. Mas nunca foi. Foi sempre você”.

A busca de Liev pela verdade, suas suspeitas e crescente desconfiança no Estado só torna tudo ainda mais cativante e surpreendente e nos encaminha para um final brilhante e extremamente criativo.

Leitura recomendadíssima!!

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

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Dica de Leitura: Escuridão Total sem Estrelas – Stephen King

Aproveitando que dia 31/10 foi dia das bruxas, o famoso Halloween, trago uma indicação de leitura do mestre do terror: Stephen King!  

Eu adoro a narrativa de Stephen King e acho sinceramente um autor sensacional e extremamente criativo em seus mundos e histórias, mas nesse livro específico, não houve muita invenção. Acredito mesmo que ele nos trouxe um tanto da vida como ela é e acho que isso é muito mais aterrorizante que qualquer monstro ou histórias sobrenaturais, porque está ali, ao nosso alcance.

São 4 contos que poderiam ser livros separados, mas que compuseram com maestria esse livro cujo título vim a entender somente nas linhas finais do posfácio e faz todo sentido. Em 1922, um dos meus favoritos pela crueza da narrativa, ele nos conta a história de um fazendeiro que para manter suas terras consegue convencer seu próprio filho a ajudá-lo num crime hediondo e esse crime vai perseguir a ambos pelo resto de suas vidas. Um ato, uma escolha e toda uma história é modificada para sempre. As cenas neste são bem aterrorizantes e dignas de um bom terror, mas o ato em si e a mente má do ser humano são ainda piores.

Gigante no volante eu devorei em uma hora! Simplesmente não conseguia largar e precisava seguir lendo pra chegar à conclusão dessa história que foi fenomenal. Neste, temos uma escritora que vai fazer uma palestra em uma biblioteca pública na cidade vizinha e na volta pra casa, pegando um atalho ensinado pela bibliotecária, seu pneu fura e a ajuda que aparece vai ser o seu eterno pesadelo. Tenho que chamar atenção aqui para o poder narrativo de Stephen King que nos faz sentir o que seus personagens sente e algumas cenas desse conto me arrancaram lágrimas.

Em Extensão Justa temos uma ideia brilhante e um conto com humor sarcástico e cruel. Streeter, nosso protagonista, foi diagnosticado com câncer e está em seus últimos momentos quando se depara com um guarda-sol amarelo e uma placa que diz “Extensão Justa/Preço Justo” e decide parar na estrada vazia. Essa parada mudaria sua vida para sempre e mais que isso a vida de outras pessoas. Como construir a sua felicidade sobre a infelicidade alheia? Esse conto é genial e é impossível não refletir sobre muitos pontos. Preciso dizer que o conto se passa em Derry e que ninguém me tira da cabeça que o dono dessa placa e desse negócio macabro é um certo “pior palhaço do mundo”.

O último conto, Um bom casamento, é para nos tirar do lugar comum e nos fazer refletir sobre uma frase escrita pelo próprio King, em seu posfácio que mais parece outro conto desse livro: “É impossível conhecer alguém completamente, até mesmo aqueles que amamos”. Neste temos um casal comum, cuja história vai sendo contada e que nos lembra muitos casamentos que conhecemos por aí, uma vida pacata, uma felicidade tranquila, filhos criados e na faculdade. O marido vai fazer uma viagem à trabalho e numa busca na garagem, Darcy descobre com quem realmente está vivendo nos últimos 27 anos de casamento. E que descoberta meus senhores. E que sangue frio!

Não preciso dizer o quanto recomendo a leitura desse livro, o quanto amo a narrativa desse autor e o quanto esse livro, bem a vida como ela é, é um tipo de terror que nos assombra por muito tempo. Escuridão Total sem Estrelas se explicou no último parágrafo do posfácio, quando King está conversando diretamente conosco, seus leitores:

“Tudo bem, acho que já ficamos aqui embaixo na escuridão por muito tempo. Há todo outro mundo lá em cima. Pegue minha mão, fiel leitor, e ficarei feliz em levá-lo de volta à luz do sol. Estou feliz em ir pra lá, porque acredito que a maioria das pessoas é essencialmente boa. Sei que eu sou. É quanto a você que não tenho tanta certeza”.

Um Rei.

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
Bibliotecária e leitora compulsiva! Apaixonada por livros e palavras.
SERVIÇO
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COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Dica de Leitura: Olhai os Lírios do Campo – Érico Veríssimo

Este foi o primeiro livro que li de Erico Verissimo e foi numa época que não era muito fã de literatura nacional e por isso ainda desconhecia muitos autores consagrados de nosso país. O que posso dizer é que gostei muito da narrativa de Erico e que ele me incentivou a procurar mais sobre a nossa literatura. De alguma forma, Olhai os Lírios do Campo me lembrou um pouco do livro A insustentável Leveza do Ser, no sentido de nos fazer refletir sobre os diversos aspectos da natureza humana.

O título do livro foi o que me chamou mais atenção. É lindo e poético e bem no fim do livro fica claro a escolha do autor…

“Considerai os lírios do campo. Eles não fiam nem tecem e no entanto nem Salomão em toda a sua glória se cobriu como um deles”.

É a procura pelo que é verdadeiramente essencial na vida. A história gira em torno de Eugênio fontes, uma pessoa infeliz e marcada por experiências humilhantes de uma infância pobre. Eugênio cria um complexo de inferioridade que o acompanha por grande parte de sua vida. Uma das cenas mais marcantes do livro pra mim é quando Eugenio já na faculdade de Medicina e ao redor com alguns amigos, encontra seu pai, o pobre Ângelo:

“Eugênio viu um vulto familiar surgir a uma esquina e sentiu um desfalecimento. Reconheceria aquela figura de longe, no meio de mil… Um homem magro e encurvado, mal vestido, com um pacote no braço, o pai, o pobre Ângelo. Lá vinha ele subindo a rua. Eugênio sentiu no corpo um formigamento quente de mal-estar. Desejou – com que ardor, com que desespero! – que o velho atravessasse a rua, mudasse de rumo. Seria embaraçoso, constrangedor se Ângelo o visse, parasse e lhe dirigisse a palavra. Alcibíades e Castanho ficariam sabendo que ele era filho dum pobre alfaiate que saía pela rua a entregar pessoalmente as roupas dos fregueses… Haviam de desprezá-lo mais por isso. Eugênio já antecipava o amargor da nova humilhação. Olhou para os lados, pensando numa fuga.  (…) Hesitou ainda um instante e quando quis tomar uma resolução, era tarde demais. Ângelo já os defrontava. Viu o filho, olhou dele para os outros e o seu rosto se abriu num sorriso largo de surpreendida felicidade. Afastou-se servil para a beira da calçada, tirou o chapéu. – Boa tarde, Genoca! – exclamou.  O orgulho iluminava-lhe o rosto. Muito vermelho e perturbado Eugênio olhava para a frente em silêncio, como se não o tivesse visto nem ouvido. Os outros também continuavam a caminhar, sem terem dado pelo gesto do homem”.

No dia de sua formatura, Eugênio conhece melhor a estudante Olívia, uma garota cheia de sensibilidade e serenidade e com quem acaba criando um laço de amizade e depois torna-se seu amante. Para Eugenio, estar com Olívia era uma espécie de porto-seguro para onde ele ia quando se sentia estressado e estava em sofrimento. Mesmo assim, acaba casando-se com uma mulher rica e da alta sociedade, pois odeia a pobreza. Casou-se sabendo de seu erro, mas leva o casamento em frente por três anos. Neste período Eugênio deixa de ser médico e trabalha na firma do pai de sua esposa. A ambientação do romance é de uma época onde o capitalismo devasta a vida das personagens. A busca pela riqueza, status e prazer é a moda da época e ninguém se importa mais com os sentimentos.

Aos poucos e após um reencontro com Olívia onde ele descobre que tem uma filha, Eugênio começa a enxergar que fez a escolha errada e começa a dar alguns passos em direção a uma nova vida. No convívio puro e feliz com Anamaria, sua filha e Olívia, Eugênio descobre finalmente que dinheiro não traz felicidade, mas ainda assim não é capaz de dar o passo que o faria separar-se de sua confortável situação na casa do pai de sua esposa. Apenas um trágico acontecimento acaba por fazer Eugênio acordar de verdade e a partir de então, sua vida volta-se para a feitura do bem e a busca pela paz e o desenvolvimento pessoal.

A narrativa se divide, portanto, em duas partes, sendo a primeira contando a infância de Eugênio até seu casamento por dinheiro com Eunice e a segunda contando a parte em que Eugênio descobre o verdadeiro sentido de sua vida e inicia uma nova vida. Em ambas as partes, vários personagens e suas misérias pessoais também nos são apresentadas e isso também torna o romance interessante.

“A vida começa todos os dias”.

Gostei de conhecer Erico Veríssimo e sua narrativa desenvolta e rica. Anotei diversas citações lindas e as relações sociais e pessoais apresentadas foram muito bem desenvolvidas. Destaco o namoro de Dora, moça rica e da alta sociedade e Simão, um pobre judeu discriminado por sua raça.

Com certeza, é uma leitura recomendada!

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
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