Resenha: Os Livros e Os Dias

Livro: Os Livros e Os Dias
Autor(a): Alberto Manguel
Editora:
Companhia das Letras
Páginas: 216

Nota: 5
(1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Esse livro é uma deliciaaaa!!
Eu sou apaixonada por Manguel desde a faculdade quando trabalhei o texto “O Roubo de Livros” do livro dele “A Historia da Leitura” que super indico também a todos. Depois li “A Biblioteca à Noite” que foi tema de uma exposição LINDÍSSIMA no SESC da Paulista. Me emocionei muito nessa exposição. Compartilho do amor pelos livros e leitura de Manguel. Enfim, sou fã demais do autor pra não amar qualquer coisa que ele escreva.

Esse livro li por indicação dos funcionários da Biblioteca Mario de Andrade (sigo no instagram e eles dão dicas de leituras maravilhosas). Queria ter lido em janeiro, porquê a premissa do livro é “Um Ano de Leituras Prazerosas”. São 12 livros sobre os quais Manguel vai falando como um diário, contando seus dias e os livros, passando por cidades e países que está visitando, falando dos cenários e contextualizando com as leituras. É impossível não se apixonar e querer ler os livros sobre os quais fala. Inclusive não ficam só nos 12, o autor acaba fazendo citações de muitos outros livros e autores.

Fiquei super feliz de ver um autor brasileiro entre esses livros. Machado de Assis e seu MARAVILHOSO “Memorias Póstumas de Brás Cubas”. Meu favorito do autor. E também favorito de Manguel que tem 5 exemplares na sua biblioteca particular. Ele faz comentários pertinentes e lindos sobre o livro e exalta o autor.

O livro é muito gostoso de ler, longe de ser erudito tem uma linguagem acessível e é um deleite pra quem divide com ele a paixão pelos livros e leitura. Super recomendo!!

Resenha: A Garota das Laranjas

Livro: A Garota das Laranjas.
Autor(a): Jostein Gaarder
Editora:
Companhia das Letras
Páginas: 132

Nota: 5
(1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Cartas, cartas…
Acho que Jostein Gaarder era um apaixonado por cartas! A maioria dos livros que li dele, os personagens usam de cartas para se comunicar e acho isso apaixonante. Não sou muito fã de livros escritos em primeira pessoa, ou pelo menos não era. Acho que ultimamente li alguns desses e tenho gostado bastante. A gente muda, não é mesmo? Mas as cartas de Gaarder sempre me cativaram e nesse livro não foi diferente.

Nesta história, um pai que já se foi há onze anos, volta a se comunicar com seu filho, hoje com 15 anos, através de uma carta que deixou escondida no seu carrinho de bebê. Através dessa carta, o pai compartilha com o filho uma história muito bonita sobre A Garota das Laranjas e você se vê envolvido e desesperado pra descobrir porque ela carregava um saco de papel cheio de laranjas, porque eles se encontravam raramente e furtivamente e porque quando se conversam de verdade, ela pede pra que ele a aguarde por 6 meses.

Todos esses acontecimentos envoltos da magia dos pensamentos reflexivos e indagativos que toda obra de Jostein Gaarder tem. A Filosofia está ali entre as linhas, entre as palavras, e entre os seus próprios pensamentos que acompanhando a narrativa também começam a flutuar até o mundo das ideias!! Recomendo, como todo livro de Gaarder. Uma leitura super rápida e fluida e que marca o coração e faz pensar.

NÃO ME LIVRO

“Até pensei em dar os livros de minha coleção para os amigos que abrigo com ternura no coração. Mas ao contrário da intenção, no armário mora a literatura, cujo olor perdura e se desfaz em minha mão. Assumo o ciúme, o costume de egoísmos que em mim tem verdadeiro crivo. Da minha obsessão não me LIVRO! Guardarei os volumes que jogam lumes nos meus dias de então como os malhos diários que iluminam cenários na minha imaginação”.

. João Pedro Roriz .

Saiba mais sobre o autor, aqui! ❤ 

Tesouro Escondido

Sou bibliotecária, trabalho em uma biblioteca escolar e estava reunindo alguns livros de poesia para uma pesquisa com a professora de língua portuguesa, quando encontrei esse livro. Abri exatamente neste poema:

PARADOXO
O homem não crê
na humanidade
do homem.

E foi aí que o livro me engoliu pra dentro dele e não parei de ler mais, quase perdi a hora da atividade. Levei pra casa e terminei no final de semana. Não conhecia esse autora, mas os poemas dele me encantaram. São, em sua maioria, curtos, mas muito atuais e reais. As vezes cínicos, bastante críticos, cheios de reflexão. E toda leitura que traz reflexão, que faz pensar, vale muito a pena. Super recomendo. Um Tesouro escondido nas estantes da biblioteca.

Resenha: Tartarugas até lá embaixo!

Livro: Tartarugas até lá embaixo.
Autor(a): John Green
Editora:
Intrínseca
Páginas: 266

Nota: 4
(1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Um pouco triste, um TUDO de vida real.
Terminei esse livro extremamente emocionada. Sei que John Green é visto por muitos como escritor de historinhas de adolescente e, no fim, é mesmo isso que ele é, mas eu não vejo isso como negativo. Eu também tenho um pouco de preguiça de alguns romances adolescentes muito bobinhos, mas definitivamente não é o que acontece com John Green. Ele sempre traz algum assunto bem profundo junto com a adolescência e nos envolve de alguma forma, nos fazendo refletir muito sobre as dores e problemas do outro. John Green escreve sobre empatia. E precisamos MUITO disso hoje em dia.

Neste livro, o assunto é transtorno de ansiedade e TOC. É uma enorme angústia mergulhar junto com Aza Holmes, nossa protagonista, em suas espirais de pensamentos que vão ficando cada vez mais fortes e acabam levando-a a acreditar em certas coisas num grau muito elevado, excluindo-a do convívio com as pessoas, afastando-a dos mais queridos e deixando-a completamente atordoada em situações que para qualquer outra pessoa seriam coisas simples, que sequer chegariam a pensar sobre. E, se você já passou por algum tipo de dor emocional, mesmo que em graus mais amenos, vai ser impossível não se reconhecer em algumas dessas situações.

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Resenha: A Via Crucis do Corpo

Livro: A Via Crucis do Corpo
Autor(a): Clarice Lispector
Editora:
Rocco
Páginas: 84

Nota: 5
(1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Clarice é Clarice…
… Mas esse livro foi diferente de todos os livros dela que já li, porque foi um livro como ela mesmo chamou no conto Explicação de “encomendado”. E ela estava se sentindo um tanto mal com isso. Nesse conto explicação ela diz que avisou ao editor que não escrevia por encomenda e nem por dinheiro e sim por impulso, mas que enquanto a ligação corria, ela já começava a imaginar as histórias. Mas que tinha vergonha do que escreveu e que queria lançar com pseudônimo, mas que o editor não deixou porque ela deveria ter liberdade de escrever o que quisesse. O que fica claro na explicação e em quase todos os contos do livro que são 14, é que ela não estava confortável, mas as histórias vieram!! São, como tudo que Clarice escreve, profundas, um pouco tristes, totalmente VIDA nossa de cada dia e que nos fazem refletir. Amo Clarice porque ela nos faz mergulhar no que não queremos encarar, mas precisamos!!

Algumas citações que destaquei da leitura:

“Que podia fazer? senão ser a vítima de mim mesma.”

“Se contasse, não acreditariam porque não acreditavam na realidade.”

“Porque é dever da gente viver. E viver pode ser bom. Acredite.”

“Às vezes me dá enjoo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta.”

Todos os contos são sobre sexualidade, algo que ela escreve com naturalidade, mas com pudor. É perceptível o desconforto em alguns momentos e ela inclusive pede desculpas às vezes por certos detalhes cruéis, segundo ela. Pede desculpas não a nós leitores, mas aos personagens por “ter que escrever isso”!!

Clarice sempre se utiliza dessas conversas em seus livros, com ela mesma, com o leitor, com os personagens, com Deus. E esse pra mim é o charme de sua literatura tão forte, que traz e aproxima a autora de nos, que mostra suas fraquezas, seus desconfortos, suas inseguranças e faz dela gente como a gente em situações que já vivemos ou ainda viremos a viver!!

Recomendo a leitura!!

23.04 [19] – Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais

Roubartilhei daqui:

Hoje, se me pergunto por que amo a literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é: porque ela me ajuda a viver. Não é mais o caso de pedir a ela, como ocorria na adolescência, que me preservasse das feridas que eu poderia sofrer nos encontros com pessoas reais; em lugar de excluir as experiências vividas, ela me faz descobrir mundos que se colocam em continuidade com essas experiências e me permite melhor compreendê-las. Não creio ser o único a vê-la assim. Mais densa e mais eloquente que a vida cotidiana, mas não radicalmente diferente, a literatura amplia o nosso universo, incita-nos a imaginar outras maneiras de concebê-lo e organizá-lo. Somos todos feitos do que os outros seres humanos nos dão: primeiro nossos pais, depois aqueles que nos cercam; a literatura abre ao infinito essa possibilidade de interação com os outros e, por isso, nos enriquece infinitamente. Ela nos proporciona sensações insubstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo. Longe de ser um simples entretenimento, uma distração reservada às pessoas educadas, ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano.

Tzvetan Todorov in A Literatura em Perigo.