Resenha: Seminário dos Ratos

Livro: Seminário dos Ratos
Autora: Lygia Fagundes Telles
Editora: @companhiadasletras
Páginas: 184
Nota: 5/5

Com vergonha e certa dor assumo que este é meu primeiro livro da Lygia, pois me apaixonei por sua narrativa e não acredito que ainda não tinha lido nada dela! De qualquer forma, fiquei muito feliz de ter começado por esse livro de contos que já se inicia com um conto fantástico que me lembrou um pouco de Poe, autor que recentemente li uma coletânea de contos com o @grupodeleituraentrenos ☺️

Lygia é sensacional e você sempre fica um tempo depois de terminar um conto refletindo sobre o que foi lido e sem saber ao certo o que pensar. Seus contos são envolventes e quando você menos espera te pegam de algum jeito. Uma leitura impactante e que alterna entre diferentes pontos de vista que vão do fluxo de consciência ao diálogo e perpassam por passado e presente sem nunca perder o fio da meada, e ainda trazem um quê de realismo fantástico. Não à toa foi cogitada para o Prêmio Nobel de Literatura.

Fui conquistada já no primeiro conto, As Formigas, que se tornou um dos favoritos e foi quase impossível parar a leitura antes do final. Destaco além deste, os contos Tigrela, A presença, Lua crescente em Amsterdã e claro, o conto que dá nome ao livro: Seminário dos Ratos que traz uma crítica profunda ao momento histórico e político da época e que infelizmente ainda é muito atual. A frase “A situação está sob controle” é perfeita para representar o governo da época e não muito diferente dos dias atuais.

O conto se passa em uma casa de campo onde estão reunidos alguns chefes de estado discutindo a situação dos ratos que por fim invadem a casa e devoram tudo. A genialidade da narrativa de Lygia ainda consegue nos deixar em dúvida sobre quem é humano e quem é rato na situação, o que me fez lembrar muito de A Revolução dos Bichos. Simplesmente fantástico.

Com uma cadência perfeita, Lygia aborda assuntos importantes aos pedacinhos, como se pintasse um quadro e cuja imagem completa só saberemos ao final, admirados e estarrecidos. Impossível não se apaixonar.

Super recomendo a leitura.
#blogentreaspas#leiamaismulheres#literaturanacional 📚

Resenha: Crianças da Guerra

Livro: Crianças da Guerra
Autora: Viola Ardone
Editora: @faroeditorial
Páginas: 240
Nota: 4/5

Crianças da Guerra me surpreendeu em vários momentos com sua história. A narrativa clara da autora nos apresenta a visão infantil, em primeira pessoa, de Amerigo Speranza sobre uma Itália se reconstruindo após a guerra. O cenário é de uma Nápoles em ruínas e uma pobreza extrema após o conflito. Amerigo chega a tentar capturar e vender ratos no mercado, e sua mãe tenta sustentá-lo como pode. De seu pai, sabe apenas que foi tentar ganhar dinheiro na América.

A mãe de Amerigo é uma personagem humana e com falhas muito realistas. Ela trata Amerigo com certa distância e sem muito cuidado, não mostrando receio em lhe mostrar as duras verdades da vida, que é o que ela unicamente conhece. No intuito de fazer com que ele sobreviva, ela o coloca em um programa de caridade no qual serão levados à viver com famílias ricas do Norte, até que a crise passe e possam voltar à sua terra Natal.

A medida que conhece os confortos de uma vida mais tranquila, onde pode ir à escola, estudar música, que é sua paixão, ter comida na mesa todos os dias e carinho, Amerigo começa a ficar dividido entre o amor que sente pela mãe e a afeição que começa a criar por sua nova família anfitriã. A autora consegue contrabalancear muito bem os momentos de tristeza com os momentos mais tranquilos da história, focando a narrativa na formação do personagem e suas escolhas, nem sempre fáceis, ao longo da vida.

A história me surpreendeu muito pelo crescimento emocional e pela veracidade de seus personagens. Esperei por uma história totalmente diferente, tristíssima, que traria somente agruras e momentos terríveis e me deparei com uma história comovente sobre relacionamentos humanos e laços que podem ser criados independente de serem sanguíneos e nos faz refletir sobre o verdadeiro significado de família.

Super recomendo a leitura!
#blogentreaspas#criancasdaguerra#leitura#faroeditorial

Resenha: O Jogo do Exterminador

Livro: O Jogo do Exterminador
Autor: #OrsonScottCard
Editora: @devirbrasil
Páginas: 380
Nota: 5/5 (💜)

Vencedor dos prêmios Nebula e Hugo, o livro se passa no futuro (entre 2164 e 2170) e nos apresenta um planeta Terra quase levado há extinção por dois grandes conflitos com uma espécie alienígena chamada de “abelhudos”.

Tentando se precaver de um possível terceiro conflito que pode ser fatal, os humanos se preparam para a guerra, enviando crianças para um centro de treinamento para que se tornem grandes comandantes capazes de evitar o fim do planeta.

Neste contexto conhecemos Andrew Wiggin, o terceiro filho de uma família numa época em que isso não era nada comum, já que os casais só podiam ter até dois filhos e o terceiro era passível de várias sanções sociais. Ele está sendo testado para a Escola de Combate, para qual seus dois irmãos não passaram.

Peter, seu irmão mais velho apesar de ser muito inteligente tem traços sociopatas e Valentine a irmã do meio não possui a força necessária para fazer parte do programa. Ender é selecionado, demonstrando aos 6 anos uma inteligencia acima do normal especialmente para a estratégia, ganhando todos os jogos e simulações de guerra em grupos.

Ender começa a sentir o peso de ser um prodígio quando passa a ser sabotado por colegas e professores. Lembro do quanto me incomodou o fato dele ser uma criança de apenas seis anos e estar o tempo todo sendo empurrado para seu limite.

Seu treinamento é de horas a fio, passando por desafios que estão acima da sua capacidade, descansando pouquíssimo e nunca podendo ter nenhum conforto, nem mesmo entrar em contato com a sua família, tudo para que pudesse se tornar o melhor comandante e ser bem sucedido em sua tarefa. É de cortar o coração.

Uma leitura super envolvente que te surpreenderá quando compreender a verdadeira história do conflito entre os humanos e os “Abelhudos” e te deixará sem chão no final, com uma reviravolta que é impossível de prever.

Leitura super recomendada!!!
#blogentreaspas#desafiosliterários#geekculture#nerd🤖

Resenha: A Mão e a Luva

Livro: A Mão e a Luva
Autor: Machado de Assis
Editora: @taglivros
Páginas: 176
Nota 4/5

Segundo livro publicado do autor, inicialmente em formato de folhetim. Nesta novela vamos conhecer Guiomar, uma bela jovem que vive com sua madrinha baronesa e está sendo cortejada por três pretendentes bastante distintos em personalidade. Estevão dá início a novela e seu cortejo dura muito pouco, já que ambos são ainda muito jovens e a moça não sente por ele nada além de estima. Demora muito tempo pra superar esse baque, mas conta com a amizade de Luis Alves para isso.

Passado alguns anos, voltam a se encontrar, e ele tenta novo cortejo e mais uma vez é rejeitado por Guiomar que é moça de personalidade forte e que tem clareza do que deseja para si, não se deixando levar por palavras bonitas e pelo ímpeto das paixões.

É então que surge Jorge, sobrinho da Baronesa e que vem visitá-la por um tempo. Ele se encanta por Guiomar e decide deixar uma carta para ela declarando seus sentimentos. A moça, no entanto, apesar de achá-lo interessante e sentir-se aflita em relação a madrinha que tem muito apreço por ele, não tem certeza de que seria a escolha certa para a vida que almeja para si, muito embora esteja levando a carta em consideração.

Para completar a equação, Luis Alves, que acompanha os cortejos de Estevão há tempos e também os recentes de Jorge, decide declarar sua admiração por Guiomar, mas o faz sem os rodeios e floreios das paixões, demonstrando maturidade e segurança e deixando a moça em situação difícil para decidir o seu futuro.

Apesar de ser uma de suas primeiras obras, Machado já demonstra toda genialidade em explorar a natureza humana de seus personagens e através deles soltar boas críticas à sociedade da época e aos seus costumes e em envolver o leitor com pitadas ácidas de humor e comentários como se fossemos seus confidentes. Acho que é impossível que algo que Machado tenha escrito não carregue seu talento e natural qualidade na escrita.

Super recomendo a leitura!
#blogentreaspas#leiamaisautoresnegros#leianacional 📚

Resenha: Livros

Livro: Livros (Coleção: Ilha Deserta)
Autor: Diversos
Editora: @publifolha
Páginas: 192
Nota: 4/5

Se você fosse para uma ilha deserta e pudesse levar 10 livros, quais seriam?

Essa é a premissa desse livro: sete autores escolhem, cada qual, dez livros para levar a uma ilha deserta e explicam os motivos para cada escolha. O livro é pequeno de tamanho e de páginas, mas com um conteúdo maravilhoso e delicioso de ler. Um compilado com 70 pequenas resenhas de livros extraordinários feitas por autores renomados da nossa literatura.

Importante ressaltar que dentre as escolhas foram citados doze livros de literatura nacional, incluindo: Clarice Lispector, Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, entre outros. Apesar de não ser um número ideal, sempre fico feliz de ver nossa literatura sendo ressaltada e indicada, pois temos livros e autores sensacionais que merecem a nossa valorização.

Enfim, é um livro que fala de livros e por si só isso bastaria pra ser uma boa leitura, mas ainda tem um adendo super bacana que é conhecer os motivos que levaram os autores a fazer suas escolhas e conhecendo um pouco mais das suas histórias e vivências com estes livros. Destaco um trecho do autor Bernardo Ajzenberg que achei lindíssimo:

“Há quem não consiga escovar os dentes sem antes estourar um cravo ou uma espinha do rosto. Há quem fume seu cigarro, infalivelmente, depois de um cafezinho. Como todo mundo, também acumulo pequenos vícios de tipo semelhante. Mas aqui cabe destacar um outro, de gênero diferente: antes de dormir, mesmo se fiquei horas absorvido por outra leitura, dou sempre uma espiadela na Recherche (Em Busca do Tempo Perdido – Marcel Proust)…, uma página qualquer, por sorteio. Às vezes, duas frases bastam, às vezes, uma. É minha forma de oração”.

Recomendo essa deliciosa leitura!
#blogentreaspas#resenhasliterárias#livrossobrelivros#amoler

Resenha: Histórias Extraordinárias

Livro: Histórias Extraordinárias
Autora: Edgar Allan Poe
Editora: @companhiadasletras
Páginas: 448
Nota: 5/5

Fazia anos que não lia nada de Poe e foi como ler pela primeira vez. Fiquei impressionada com sua qualidade narrativa permeada de linguagem poética, e da intensidade com que consegue nos fazer mergulhar em suas histórias, ora nos levando por aventuras que aguçam a curiosidade, ora nos aterrorizando com o sobrenatural e utilizando do mais bem trabalhado terror psicológico.

A cada conto experimentado nesta leitura, Poe mostra sua perfeita compreensão dos princípios básicos que regem o gênero, trazendo sempre algo intenso e vivo. Além disso, nos faz refletir sobre muitos aspectos da natureza humana, muitas vezes invocando desculpas para as mais terríveis ações pelo sobrenatural ou influências malignas por nossa exclusiva dificuldade em conseguir encarar que seja a perversidade natural do ser humano.

Difícil escolher poucos contos como os favoritos nessa obra. Os que mais me chamaram atenção foram, sem dúvida: A Máscara da Morte Rubra, que em tão poucos páginas trouxe tanta atualidade e semelhança ao que vivemos nos dias de hoje, que me deixou impressionada; O Coração Delator e O Gato Preto, ambos envolventes na atmosfera de loucura e suspense e que me lembrou muito dos sentimentos de Crime e Castigo; William Wilson, trazendo o tema do Duplo que se introduz já desde o título do conto e vai se reproduzindo em diversas camadas e níveis através do conto até seu final surpreendente.

Meu conto favorito desta coletânea foi O Poço e o Pêndulo, que se passa na época da inquisição e cuja leitura foi uma das mais impactantes que já fiz. Fui totalmente arrastada pelo terror psicológico desse conto e senti, como se acontecesse comigo, todas as angústias descritas ao personagem condenado à uma morte cruel. Narrativa genial e aterradora. Vale um olhar sobre o conto A Carta Roubada, que apesar de não ser um dos favoritos, me mostrou um lado investigativo de Poe que desconhecia e que foi influência para Conan Doyle e Agatha Christie.

Recomendo muito a leitura!
#blogentreaspas#edgardallanpoe#contosdesuspense 💀

Resenha: “Querida konbini” – Sayaka Murata

Livro: Querida Konbini
Autora: Sayaka Murata
Editora: Estação Liberdade
Tradutora: Rita Kohl
Páginas: 152

Keiko Furukura é uma mulher de 36 anos um tanto fora do comum. Sem ambições
profissionais, ela também não sonha com o tradicional destino feminino de casar e ter filhos.
Não se prende nem aos papeis tradicionais de gênero, nem aos mais modernos. Essa dupla
recusa é o ponto a partir do qual se desenrola “Querida Konbini”, o livro que tornou a
escritora japonesa Sayaka Murata best-seller dentro e fora da sua terra natal.


A personagem principal não tem um relacionamento amoroso e trabalha há mais de 15
anos em uma “konbini”, uma espécie de loja de conveniência – o que é considerado um
emprego “sem futuro”. Sem jamais ter se adaptado às regras implícitas que regem a
convivência entre as pessoas, a protagonista encontrou na loja de conveniência que a
contratou um papel que consegue interpretar. É quase com alívio que ela relata o
treinamento como atendente: foi ensinada sobre o que deve fazer, o que deve dizer, sobre
como deve sorrir e se comportar.


Se trata, de diferentes formas, de um trabalho precário, pouco criativo e que rende apenas
um salário baixo, sem qualquer perspectiva de melhora. E todos veem problema nisso –
exceto a própria Keiko. A sua recusa aos dois principais caminhos da vida adulta não se
limita a causar estranhamento em quem convive com ela. Na verdade, as pessoas parecem
ter uma necessidade quase visceral de ela “mude de vida”.


Quando Keiko tenta atender às pressões externas entrando em um relacionamento, todos
parecem esquecer o desprezo que sentiam pelo novo namorado dela. Cercada por sorrisos,
elogios e votos de felicidade, Keiko aos poucos se dá conta de que “queremos o seu
melhor” muitas vezes significa “queremos que você não seja estranha”. É uma perspectiva
assustadora quando pensamos na reação que nós mesmos receberíamos se
resolvêssemos nos recusar tão radicalmente a fazer aquilo que esperam de nós.


E é daí que vem um dos maiores trunfos do livro: com sua capacidade de fazer o senso
comum se tornar estranho, Sayaka Murata nos empresta um novo olhar sobre o que nos
cerca. A autora retrata a irrelevância que as pessoas à volta da personagem principal dão
aos seus reais desejos e vontades. Para o círculo familiar e de amizades de Keiko, vale
muito mais a conformidade com as expectativas sociais do que a sua possível felicidade.
Embora exista uma crítica aos papéis sociais, na história de Sayaka Murata a recusa de
Keiko não chega a ter ares revolucionários: o livro é menos sobre a atitude da personagem
fazer alguma diferença no mundo e mais sobre a turbulência social causada por quem, sem
causar mal a ninguém, vive satisfeito sem se encaixar. E isso não é nem de longe um ponto
negativo! “Querida konbini” é uma ótima leitura para todos aqueles que gostam de se
surpreender.

Sobre a escritora
Sayaka Murata nasceu em 1979. Já venceu o Prêmio Gunzo para Novos Escritores e
também os prêmios Mishima Yukio, Noma e Akutagawa. “Querida konbini” foi seu primeiro
livro traduzido para o inglês – atualmente,o título já está disponível em mais de 30 idiomas.,
incluindo português


Autoria do post
Meu nome é Vitória, muito prazer! Trabalho na editora de recursos educativos Twinkl, sou apaixonada por literatura e nos últimos meses tenho me empenhado em conhecer escritoras que ainda não estavam no meu repertório. Por isso, ao longo dos próximos
meses, vou falar aqui no “Entre Aspas” sobre 5 livros escritos por mulheres que são ótimos
para conhecer a literatura japonesa contemporânea.
Muito obrigada pelo espaço, Evelyn.

Resenha: Agnes Grey

Livro: Agnes Grey
Autora: Anne Brönte
Editora: @editoramartinclaret
Páginas: 257
Nota: 4,5/5

Anne é a irmã mais nova e a menos popular das irmãs Brönte e Agnes Grey foi seu romance de estreia. Um romance que já chegou desafiando a sociedade da época com uma exposição bastante crítica sobre o comportamento aristocrático das famílias e detalhes do que acontecia dentro de seus casarões.

Apesar do pai de Agnes ser um pobre clérigo, relegando-os a uma vida simples e sem luxos, a educação das filhas foi primorosa, e apoiada pela mãe, Agnes parte aos 18 anos para seu primeiro trabalho como preceptora, sonho que vinha acalentando no intuito de contribuir com o sustento da família e também de ser dona de seu próprio destino.

Infelizmente fracassa ao tentar transmitir educação e autoridade aos seus primeiros tutelados, crianças terrivelmente mimadas e maldosas, cujos pais não faziam a menor questão de censurar e pelo contrário, incentivam as más atitudes, já que as cultivavam entre si também. Em sua segunda tentativa, conhece a família Murray, e apesar de suas tuteladas também não serem exemplos de boa conduta, encontra no seio desta família a estima que buscava.

Agnes se mostra uma protagonista que apesar de resiliente diante dos dissabores, mantém-se inabalável em sua busca por respeito e independência. Através de seus pensamentos traz críticas claras em relação a vida de uma preceptora nesta época, cheia de restrições, praticamente invisível e subordinada aos caprichos e vontades de todos aqueles que tem uma classe social superior à sua.

Além disso, também desnuda o comportamento das famílias aristocratas dessa época, mostrando sua verdadeira face. Não à toa, sua obra não foi bem recebida, sendo vista como uma ofensa à sociedade e não condizente à realidade.

Inegável o talento da narrativa de Anne Brönte e a importância social dessa obra. No entanto, e isso é muito pessoal, não foi uma história que me causou tanto impacto quanto O Morro ou Jane Eyre, embora tenha sido uma leitura extremamente fluída e prazerosa.

Recomendo fortemente a leitura!
#blogentreaspas#literaturainglesa#leiamaismulheres 🌹

Resenha: Sula

Livro: Sula
Autora: Toni Morrison
Editora: @taglivros
Páginas: 192
Nota: 5/5 (💜)

Esse é o meu segundo contato com a autora Toni Morrison, e definitivamente eu vou ler qualquer coisa que essa mulher decidir publicar. É difícil dizer qual é o foco central dessa história e seu enredo não é exatamente linear, mas são fotografias cotidianas da realidade triste no Fundão de um país segregado nos anos 1920, onde o casamento e a maternidade é uma imposição e necessidade às mulheres negras e os homens negros aceitam os trabalhos que os brancos recusam.

De forma tortuosa, acompanhamos mulheres na narrativa forte e poética de Morrison, vivenciando a solidão, a loucura, o abandono, o desespero da fome e a sobrevivência dura. Um olhar desavisado para esta realidade pode sugerir que são somente esses horrores que nos são apresentados, mas é preciso um olhar mais aguçado para encontrar pequenos pontos de amor e luz disfarçados em ações e gestos despretensiosos.

E então Sula, “filha única, mas imprensada em um lar de desordem pulsante constantemente desarranjado por coisas, pessoas, vozes e batidas de portas”, decide pela liberdade e uma forma de sobreviver baseada em suas próprias escolhas. Independente, se nega a permitir que lhe imponham uma visão dela que não seja a que ela própria escolheu. A qualquer custo.

Suas ações são vistas pelos que não tiveram a coragem/vontade de fazer essa escolha, com insatisfação, raiva, escândalo, deboche e por fim, medo. E nos colocamos neste mesmo lugar, com nossos julgamentos. Eu detestei Sula e me indignei com diversas posturas suas que ainda não sei se consigo perdoar.

Esse é o ponto chave da história pra mim. A reflexão que fazemos sobre o que vemos que nos oferece muito mais do que o que está sendo visto. Abre portas para reflexões importantes sobre a maternidade, o papel das mulheres, amor e amizade, a natureza humana e principalmente a liberdade e o quanto pode ser terrível, antes mesmo de ser um sonho.

Lágrimas, angústia. Literatura que tira a gente do lugar comum, da zona de conforto e nos abre percepções diferentes do mundo.

Super recomendo a leitura!
#blogentreaspas#resenha

Resenha: Star Wars IV – Uma Nova Esperança

Livro: Star Wars – IV: Uma Nova Esperança
Autores: George Lucas, Donald F. Glut e James Kahn
Editora: @darksidebooks
Páginas: 201
Nota: 5/5
📚LC @nerdvino

O livro da @darksidebooks traz a compilação da trilogia original de Star Wars e foi escrito a partir dos roteiros dos filmes. Esta resenha é apenas do livro um e já começa com a nave da Senadora Leia Organa sendo atacada sob a acusação de fazer parte da Aliança Rebelde, um movimento contra o Império que se impõe com um regime totalitário sobre toda a galáxia.

Entre os oficiais do mais alto escalão do império está Darth Vader, o “vilão” dessa história e que consegue prender Leia e a está torturando em busca de informações sobre a Aliança Rebelde e acusando-a de roubar informações sobre a Estrela da Morte, uma arma bélica imperialista capaz de destruir planetas inteiros.

Leia realmente tem essas informações e as mantém seguras dentro do androide (meu favorito da vida todinha) R2D2 e o envia juntamente com C-3PO para o planeta Tatooine, onde um dos últimos Jedis, Ben Kenobi, reside. Perdidos no planeta, os andróides acabam encontrando o jovem Luke Skywalker e ele consegue visualizar a mensagem de Leia, saindo em busca de mais informações e encontrando Kenobi no caminho.

Com Ben, Luke acaba descobrindo muitas informações que seus tios que o criaram escondiam, sobre seu passado e origem, já que o jedi era amigo de seu pai. Ben acaba se tornando um mestre para Luke e ensinando algumas coisas durante essa jornada, formando um elo de amizade importantíssimo para o rapaz.

O grupo tem sucesso nessa primeira batalha que é tão emocionante descrita em palavras, quanto a cena das telas e o episódio termina com a famosa cerimônia de agradecimento a Luke, Han e Chewie pela imensa ajuda à causa rebelde!

A narrativa é super fluída e é como estar vendo o filme. Importante ressaltar, numa história de muitos anos atrás, a importância, força e inteligência de personagens femininas equivalente (e em alguns casos até maior) a papéis masculinos, como Leia.

Super recomendo!!
#blogentreaspas#ficçãocientífica#starwars#newhope