Resenha: O Homem que Caiu na Terra

Livro: O Homem que Caiu na Terra
Autor: Walter Tevis
Editora: @darksidebooks
Páginas: 224
Nota: 4/5

É uma ficção científica de escrita elegante e que nos conta a jornada de Thomas Jerome Newton, um extraterrestre do planeta Anthea que vem para a Terra com o objetivo de salvar sua população da extinção por falta de recursos naturais. Newton passou por um treinamento de 10 anos para conseguir parecer-se com um ser humano, aprendendo as línguas e como se relacionar através de programas de rádios e televisão que conseguiam ser captados em seu planeta.

Ao chegar ao planeta Terra, com sua inteligência superior a dos seres humanos, começa a colocar o seu plano em ação, se tornando um empresário de sucesso e conseguindo os subsídios necessários para construir uma nave que buscaria os antheanos. Porém após alguns anos de convivência em nosso planeta, ele começa a perceber as diferenças entre o que assistia e ouvia nos programas em seu treinamento e a realidade da natureza humana e começa a refletir sobre sua missão e se ela realmente fazia sentido.

“Sentiu nojo, cansado deste lugar barato e alienígena, essa cultura berrante, vocal, sem raízes e sensual, esse agregado de macacos espertos, incomodados e egoístas – vulgares e indiferentes”.

Decepcionado, cansado, longe de casa e se sentindo cada vez mais sozinho, começa a se descuidar de seu disfarce, chamando a atenção do Governo. É um livro de leitura rápida e apesar de ter algumas explicações científicas, não é cansativo, pois tudo é tão interessante que você quer logo chegar ao final e descobrir o desfecho dessa trama. O personagem Newton é extremamente bem construído, demonstrando sentimentos humanos como medo, angústia, solidão e nos fazendo facilmente ter empatia e torcer para que seu objetivo seja alcançado.

O final me abalou emocionalmente, é um livro que apesar de tranquilo, carrega uma tristeza nas críticas sutis ao nosso comportamento humano e em relação à vida do planeta. Newton demonstra mais humanidade e preocupação com o destino da Terra e de suas riquezas naturais do que muitos humanos que conhecemos.

Vale muito a pena a leitura!

#blogentreaspas#ficçãocientífica#generofavorito#leia

Resenha: Oito Detetives

Livro: Oito Detetives
Autor: Alex Pavesi
Editora: @faroeditorial
Páginas: 285
Nota: 4/5

O matemático Grant McAllister escreveu sete histórias de detetive utilizando regras e teorias matemáticas, calculando as diferentes possibilidades de uma história de mistério e assassinato. Intitulou essas histórias de “Assassinatos Brancos” e por mais de 20 anos elas pareceram perfeitas e intactas aos olhos de todos. No entanto, uma editora esperta e ambiciosa, Júlia Hart decide que quer republicar o livro do autor, mas ao ler as histórias começa a notar coincidências que lembram muito um assassinato que aconteceu na vida real, muito próximo da data do primeiro lançamento do livro.

Conforme ela vai lendo as histórias e as discutindo com Grant, nós leitores também temos acesso ao essencial de cada uma delas o que torna a leitura extremamente empolgante, pois cada um dos casos é cheio de mistérios e reviravoltas e não tem como não querer saber como cada um deles se resolve e como cada um deles faz parte de um quebra cabeça ainda maior e mais sério. A sensação é que você tem vários livros dentro de um mesmo livro e você mergulha tanto em cada história que até se perde quando volta a original.

A narrativa do autor é bastante fluída e traz todos os ingredientes de um bom livro de investigação e assassinato: vítimas, suspeitos, detetives, crimes “perfeitos” e muito mistério e suspense. Os diálogos de Júlia e Grant são muito estimulantes, pois ambos se mostram extremamente inteligentes e disputam uma batalha intelectual que está além dos livros e suas histórias, mas na busca por encobrir ou encontrar um assassinato real.

Para todos aqueles que curtem uma boa história de investigação à lá Agatha Christie e Sherlock Holmes, esse livro é uma ótima pedida. Achei o enredo extremamente original e o desfecho é totalmente surpreendente. Apesar de todas as minhas teorias, que fui elaborando ao longo das histórias, não consegui chegar à conclusão final real.

Super recomendo a leitura!
#blogentreaspas#oitodetetives#parceria#faroeditorial#leia

Resenha: 20 Mil Léguas Submarinas

Livro: 20 mil léguas submarinas
Autor: Jules Verne
Editora: @editorazahar
Páginas: 456
Nota: 5/5 (💜)

O lviro é narrado pelo Professor Arronnax, um estudioso naturalista que é convidado a participar de uma expedição em busca de um estranho animal que tem sido visto em várias partes do mundo. Muitas teorias são elaboradas, mas quando a embarcação finalmente se depara com o “animal”, Arronnax, seu fiel auxiliar Conselho e Ned Land, um exímio arpoador, são lançados ao mar e descobrem que o animal é na verdade o submarino Nautilus. Dentro da embarcação submarina gigantesca vão participar de diversas expedições pelo fundo do mar, nos presenteando com aventuras e descrições simplesmente fantásticas.

Verne se baseia bastante na ciência da época para escrever esse livro, explicando em mínimos detalhes o funcionamento das tecnologias do extraordinário Náutilus, misturando com sua infinda criatividade e imaginação. Além disso, durante as expedições feitas ao fundo do mar, são mais inúmeras classificações das espécies encontradas, o que claro, torna a leitura em alguns pontos mais morosa, mas jamais maçante. Esse é um ponto que divide os leitores e acaba afastando alguns do autor, o que é uma pena, pois vencidos esses momentos, essa história traz momentos singulares e uma experiência narrativa primorosa.

Além disso, capitão Nemo e todos os mistérios que envolvem seu personagem, são extremamente cativantes e você passa o livro querendo desvendar um pouco mais de sua história. Fica muito claro em algumas de suas falas, que não pretende voltar nunca ao convívio da humanidade e que por ela alimenta um desprezo sem fim. O motivo desses sentimentos intensos de ódio no entanto não são esclarecidos, embora no prefácio desta edição maravilhosa da Zahar, entendemos um pouco mais sobre e o porquê de Verne tê-lo mantido tão misterioso e sem tantas explicações durante toda a jornada submarina. O que na minha opinião, deixou tudo ainda mais empolgante! É realmente uma experiência literária fantástica!!

Super recomendo! ⚓️🌊🐳🐠🦈🐡🐙

#blogentreaspas#ficçãocientífica#nautilus#capitãonemo

Resenha: Jane Eyre

Livro: Jane Eyre
Autora: Charlote Brönte
Editora: @editorazahar
Páginas: 536
Nota: 5/5 💜

Jane Eyre é um romance de formação e uma autobiografia que traz vários elementos da literatura gótica na ambientação, nas construções e nos acontecimentos misteriosos que acompanham a trama do livro. A história é certamente incomum e bastante revolucionária desde o início já que Jane contraria os costumes da época nos quais as mulheres tinham como propósito absoluto casar.

Jane é órfã e desde criança, quando se vê maltratada pela tia e primos, se rebela exigindo ir para um orfanato onde também se vê controlada e passando por dificuldades relacionadas aos ditames da sociedade. Cansada de estar à mercê da vontade de todos, decide trabalhar e ser dona de seu próprio destino. Acaba sendo preceptora de uma garota numa propriedade chamada Thornfield Hall, onde é super bem recebida e sente que encontra um lar pela primeira vez em sua vida.

Nesta propriedade conhece seu patrão, Sr. Rochester, com quem desenvolve uma amizade que enreda ao amor e testemunha acontecimentos estranhíssimos que culminarão na descoberta de um segredo que selará seu destino. Jane se mostra uma personagem consciente de que merece mais e que se opõe a desempenhar um papel preestabelecido pela sociedade.

Ela passa por privações terríveis, é tratada como um ser sem valor, não é bonita, não é rica e não tem a quem recorrer além dela mesma e ainda assim se recusa a galgar um lugar na sociedade através do casamento. Esses pontos, por si só, foram suficientes pra que eu a admirasse, mas, além disso, Charlotte escreve o livro falando diretamente com o leitor, um recurso literário que adoro e me aproxima da trama.

É impossível não se afeiçoar a Jane e torcer para que tenha sucesso em suas aspirações. E muito embora, no fim, ela tenha se casado, isso foi feito por livre escolha e não como uma salvação, já que sua vida já estava estabelecida por seus próprios esforços e méritos. Não há como negar a genialidade da autora ao conhecer essa narrativa poderosa.

Recomendo muitíssimo!!
#blogentreaspas#literaturainglesa#leiamaismulheres 🌹

Resenha: Prazer em Queimar

Livro: Prazer em Queimar
Autor: Ray Bradbury
Editora: @editorabibliotecaazul
Páginas: 413
Nota: 5/5

Não sei se consigo fazer uma resenha a altura desse livro fantástico e que deveria ser lido e conhecido por todos! Prazer em Queimar é uma reunião de 16 contos que deram origem ao clássico e maravilhoso Fahrenheit 451, incluindo “O Bombeiro”, ponta pé inicial sobre uma sociedade que queima livros e persegue quem os tenta proteger.

Os contos trazem temas que perpassam pela pós-morte, a liberdade e a falta dela, a opressão e a repressão, a censura, a arte e a necessidade sempre angustiada de manter a memória. Entre alguns contos curtos, e outros um tanto maiores, você vai sendo socado por frases e trechos que surgem do nada em diálogos extremamente bem elaborados pelo autor e que trazem uma profunda reflexão. É um autor que sabe muito bem utilizar os diálogos para passar mensagens importantes.

Esse livro sensacional trata sobre a intolerância, a ignorância cega e um futuro que não está nem um pouco longe de acontecer. São questões importantíssimas recheadas de referências a livros queridos, autores maravilhosos e muita angústia e dor se você é um apaixonado por livros. É simplesmente doloroso assistir as atitudes de intolerância e não só com livros, mas com todo o tipo de arte e aquilo que nos torna mais humanos.

É difícil destacar os melhores contos, já que todos tem a sua importância e trazem alguma mensagem necessária, mas alguns mexeram mais comigo, como “O lixeiro”, “O sorriso” e o meu favorito “Para o futuro” que faz parte dos 3 contos extras do livro e que me pareceram tratar de uma realidade pós-Fahrenheit 451.

Além desses, os contos “Muito depois da Meia-Noite” e “O Bombeiro”, que são praticamente versões anteriores do livro, trazem a oportunidade de observar o trabalho do autor com o texto e o seu amadurecimento, o que foi uma experiência muito bacana.

Me basta apenas recomendar essa obra fortemente!
#blogentreaspas#fahrenheit451#raybradbury#amoleitura

Resenha: Se eu abrir esta porta agora…

Livro: Se eu abrir esta porta agora…
Autor/Ilustrador: Alexandre Rampazo @alerampazo
Editora: @sesispeditora
Páginas: 56
Nota: 5/5

“Quem disse que seria fácil abrir uma porta a noite?” E assim começa a sinopse desse livro encantador do autor/ilustrador Alexandre Rampazo. E quem disse que é realmente fácil? Quem nunca teve medo de abrir uma porta? Acredito que todas as crianças passam por isso na infância com a porta do armário, do guarda-roupas. Quem não tem uma história dessa pra contar? Olha, me arrisco a dizer que até alguns adultos teriam histórias desse tipo. Eu mesma não gosto de dormir com a porta do guarda-roupa aberta, nem uma frestrinha. Eu hein… rsrs

Impossível começar a falar desse livro, sem tratar do trabalho editorial sensacional dele. Primeiro que não é um livro comum e vai ser difícil de descrever, mas vou tentar. Ele vem envolto numa caixinha e quando você tira o conteúdo é uma sanfona cheia de portas e você consegue abrir as portas para qualquer lado. O que torna a experiência de leitura uma brincadeira, cada porta trazendo uma surpresa.

Se lido na “ordem”, se é que se pode dizer que haja uma ordem, você vai encontrar vários seres que causam medo: monstro, lobo mau, bruxa… Depois do outro lado, um menino, um amigo, brincadeiras… As ilustrações são lindíssimas (desliza pro lado). E na minha humilde interpretação, de um lado é o menino abrindo a porta e encontrando o “medo” e do outro lado é o “medo” encontrando o menino, o que me fez lembrar de Monstros S.A., mas é um livro que deixa aberta a inúmeras interpretações…

Na linda sinopse escrita por Roger Mello, ele pergunta: “A porta é a arte, a filosofia, a ciência? É um portal? Precisamos desse perigo, dessa surpresa” e isso abre um novo mundo de interpretações que torna esse livro além da idade! Precisamos perder o medo de abrir as portas. Elas podem sim trazer muito medo e ansiedade, mas também pode ser o início de uma linda e diferente jornada!

Quem nunca quis abrir a porta do armário e ir pra Nárnia? Enfim, é um livro lindo, único e encantador. Merece ser lido por todas as idades!!

Super recomendo!
#sesispeditora#amoleitura#literaturainfantil#ilustrações

Resenha: Fique Comigo

Livro: Fique Comigo
Autora: Ayòbámi Adébáyò
Editora: @taglivros
Páginas: 536
Nota: 5/5

Tantos sentimentos…
Yejide e Akin nasceram numa cultura poligâmica mas decidem viver um relacionamento monogâmico. Porém, após 4 anos sem ter filhos, a família de Akin começa a interferir convencendo-o a aceitar uma segunda esposa. Yejide desesperada de ciúmes e medo, faz o possível e o impossível em busca da gravidez para salvar seu casamento, vítima do julgamento da família e da sociedade.

Não consigo colocar em palavras decentes o quanto isso me incomoda. Essa cultura de que a mulher foi feita única e exclusivamente para parir e que se não fizer isso não tem mais sentido nenhum na vida!! Isso fica muito claro nessa citação que Yejide ouve da própria sogra: “As mulheres fabricam crianças, e se você não consegue fazer isso então não passa de um homem. Ninguém deveria chamá-la de mulher”.

É revoltante e eu quase parei de ler nesse ponto, mas a narrativa é tão envolvente que é impossível parar antes de chegar ao final, coisa que fiz no mesmo dia. Não posso falar mais da história sem contar algum spoiler importante e que prejudicaria essa experiência literária única. Fique Comigo é um livro sobre relacionamentos, perdas, convívio e principalmente sobre empatia. Nos faz refletir sobre nossos próprios pré-julgamentos e surpreende a cada página, culminando num desfecho extremamente inesperado.

A autora foi genial no tom da narrativa e além disso, me fez lembrar da palestra da autora Chimamanda Ngozi Adichie sobre o perigo de uma única história. Conhecer novas culturas e histórias é também encarar e tentar compreender coisas que fogem de todos os nossos princípios. É extremamente importante e nos faz crescer como seres humanos.

Indico demais a leitura!
#literaturanigeriana#leiamaismulheresnegras#culturas


Esta resenha foi recomendada na campanha da editora educativa Twinkl sobre a importância das mulheres na literatura.

Resenha: Labirinto

Livro: Labirinto
Autor: A.C.H. Smith
Editora: @darksidebooks
Páginas: 272
Nota: 4/5

“A vida é uma espécie de Labirinto, com todas as suas voltas e reviravoltas, seus caminhos retos e seus ocasionais becos sem saída”.

Escreveu Jim Henson nas anotações de produção do filme Labirinto lançado em 1986. Essas anotações foram a base para o roteiro e este, por sua vez, foi a base para o livro de A.C.H. Smith. Ou seja, mais um caminho inverso, mais um filme virando livro.

E que delícia revisitar essa história que me faz lembrar minha infância. Fazia muitos anos desde que assisti esse filme pela última vez e ler o livro foi como assistir ao filme de novo, fui relembrando as cenas e repassando os momentos na cabeça enquanto lia.

A história, como já devem conhecer, gira em torno da adolescente Sarah que entediada de cuidar de seu irmãozinho bebê, acaba pedindo que duendes venham buscá-lo. Pedido este que, para surpresa de Sarah é atendido. Em desespero ela pede ajuda ao Rei dos Duendes para recuperar seu irmão e descobre que terá 13h para atravessar um Labirinto se quiser vê-lo novamente.

No livro temos algumas informações a mais, como cenas que foram cortadas da telona, mas foram para as páginas e descobrimos o motivo da separação dos pais de Sarah e seu interesse pelo teatro. Além disso conhecemos uma versão ainda mais irritante da adolescente no livro.

Mas confesso que esperei ainda mais da história no papel. Fiquei o tempo todo aguardando conhecer mais sobre o Rei dos Duendes e que houvesse um maior amadurecimento e interação entre ele e Sarah, já que o autor tinha essa possibilidade na adaptação para o livro.

Ainda assim, esse livro é um presente aos fãs do filme, ainda mais por ser da caveirinha e trazer um trabalho editorial belíssimo com as ilustrações originais de Brian Froud e o diário de criação de Jim Henson.

Super recomendo a leitura!!!
#blogentreaspas#nostalgia#leia#literaturafantástica📚

Resenha: Jane

Livro: Jane
Autora: Aline Brosh McKenna
Ilustrador: Ramón K. Pérez
Editora: @pipocaenanquim
Páginas: 228
Nota: 5/5

Essa graphic novel me conquistou pela ilustração lindíssima da capa e o all star vermelho. Quando soube que era uma releitura contemporânea do romance clássico Jane Eyre de #CharloteBrönte, não tive outra saída, precisei comprar e ler.

Começo dizendo que as ilustrações (arrasta pro lado pra ver algumas) são realmente de cair o queixo e eu amei todas elas, faz com que toda a história fique ainda mais interessante do que é. São do ilustrador premiado Ramon K. Pérez e trazem um charme especial para o roteiro de Aline Brosh McKenna em sua estreia no mundo dos quadrinhos.

Jane perde seus pais muito cedo para o mar, e desde então é forçada a viver de maneira invisível na casa da tia e primos que ignoram a sua presença. Quando fica mais velha, decide partir em busca do seu lugar no mundo que definitivamente não é ali e com apenas uma mala nas mãos, e uma bolsa de estudos que conquistou por suas habilidades em desenho, se muda para Nova York, tendo que arranjar um emprego às pressas para se manter.

Jane acaba como babá da pequena Adele, filha de um empresário milionário e extremamente soturno que guarda um segredo no terceiro andar do apartamento gigantesco em que mora. Agora que li o clássico, posso dizer que essa releitura traz os pontos fortes e todo mistério que envolve a trama dessa história.

A narrativa aliada as ilustrações belíssimas torna tudo ainda mais envolvente e é impossível parar de ler até que esteja na última página. Assim como na obra clássica, me afeiçoei a Jane desde o começo e torci por ela durante toda sua jornada de descobertas e crescimento.

Super recomendo a leitura!
#blogentreaspas#leiamaismulheres#graphicnovel#read

Resenha: O Engenhoso Fidalgo D. Quixote da Mancha (volume 2)

Livro: O Engenhoso Fidalgo D. Quixote da Mancha
(Volume 2)
Autor: Miguel de Cervantes
Editora: @grupoabril
Páginas: 374
Nota: 4/5

Confesso que, apesar da genialidade narrativa de Cervantes continuar intacta, achei a leitura desse volume mais morosa e me encantei mais pelo volume 1. Pode ser, pela mudança a olhos vistos de Dom Quixote que se mostra mais retido. É nítido que em diversas passagens que, claramente ele buscaria incitar e provocar, neste está menos incisivo.

É possível ver a mudança de sua natureza também através das digressões e diálogos com alguns personagens, onde mostra um intelecto mais aprimorado. Ainda assim, são diversas as cenas dignas de nota ao longo dessa leitura e que tornariam essa resenha infinita. Mas gostaria de destacar algumas que chamaram mais a minha atenção:

O duelo com o Cavaleiro dos Espelhos, que na verdade era vizinho de D. Quixote e estava tentando dissuadí-lo de sua louca empreitada, desafiando-o colocando em cheque a beleza de Dulcinéa, a donzela de nosso protagonista.

O encontro com um casal misterioso que diz conhecê-lo por um livro com seus feitos e decidem recebê-lo com toda pompa e honraria que um cavaleiro merece, apenas para zombar e rir de suas peripécias. O casal inclusive prega uma peça em Sancho Pança, nomeando-o governador de uma ilha.

A novela do “Curioso Impertinente”, a história de um triângulo amoroso contada pelo vigário de uma aldeia, enquanto D. Quixote dorme e sonha com gigantes. É a mais famosa história contada neste volume e que foi inclusive publicada separadamente depois.

Por fim, o duelo final do nosso Cavaleiro da Triste Figura com o Cavaleiro da Lua, nova tentativa do vizinho de D. Quixote em tirá-lo da loucura e que por fim dá certo, já que o vence em frente à uma multidão de expectadores.

Humilhado e derrotado, D. Quixote finalmente retorna à sua casa, ficando doente e melancólico. Em seu leito de morte, recobra a consciência e pede perdão à sua sobrinha e a Sancho que fica a seu lado até o último suspiro!

Recomendadíssimo!!
#blogentreaspas#domquixote#clássicosabrilcoleções📖