Resenha: A Paixão Segundo G.H.

Livro: A Paixão Segundo G.H.
Autor(a): Clarice Lispector 
Editora:
 Rocco
Páginas: 180

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Esse livro sou eu!
“Em uma outra vida que tive, aos 15 anos, entrei numa livraria, que me pareceu o mundo que gostaria de morar. De repente, um dos livros que abri continha frases tão diferentes que fiquei lendo, presa, ali mesmo. Emocionada, eu pensava: mas esse livro sou eu!”.

Clarice estava se referindo a Katherine Mansfield, nascida na Nova Zelândia, filha de pais ingleses e que abandonou o clima agradável, a vida abastada na bela ilha para entregar-se com paixão a seu intuito de tornar-se escritora. Mas eu, ao postar essa citação, me refiro a própria Clarice Lispector. Quando abri A Paixão Segundo G.H. e comecei a ler, aconteceu-me o mesmo. “Emocionada, eu pensava: mas esse livro sou eu!”.

A Paixão Segundo G.H. é um mergulho no interior do narrador-personagem, e um mergulho no nosso interior porque é impossível não ir se questionando junto com os questionamentos da personagem, é impossível não participar da viagem reflexiva que a personagem faz. Não há propriamente uma história neste livro. G.H. busca, pela introspecção, descobrir sua identidade e as razões de viver, sentir e amar e leva involuntarimante você junto:

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Resenha: Alucinadamente Feliz

Livro: Alucinadamente Feliz
Autor(a): Jenny Lawson
Editora:
 Intrínseca
Páginas: 352

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Não sei dizer…
… Mas vou tentar explicar aqui na resenha. Fiquei bem confusa com minhas reações e impressões deste livro! Amei o título, a premissa, as opiniões da quarta capa, tem até Neil Gaiman (amo!) e amei a “séries de avisos desagradáveis” e “nota da autora” bem no início do livro que foi o que me fizeram ir a diante pois tinha certeza que seria uma leitura diferente e instigante sobre um assunto atual e que vem assolando uma grande parte da nossa população e nem sempre é visto com bons olhos, e muitas vezes, inclusive, é ignorado totalmente: os transtornos mentais.

Ela tem sim uma narrativa envolvente, é bastante sincera e abordou um tema terrível de uma forma totalmente inusitada e bastante interessante inclusive. Achei fantástico que ela falou sobre a própria vida e os próprios problemas, deixando claro que os transtornos mentais, mesmo que sendo os mesmos, tem formas diferentes de ocorrer com cada indivíduo e em momento algum ela tentou “ensinar” o que fazer ou como se “curar”. Deixou bem claro, inclusive: “Esse livro não é um manual”. O intuito da autora foi o de ajudar tanto as pessoas que enfrentam os transtornos, como aqueles que estão ao redor de quem vive, familiares e amigos. E nesse sentido o livro é realmente ótimo.

Vi muitos comentários dele dizendo que é auto ajuda, mas eu não vejo dessa forma. Como a autora bem explicou, ele não é um manual e não diz absolutamente o que você tem que fazer para se curar ou ser feliz. O livro é um relato de alguém com a doença (e no caso dela não é só uma) e que está expondo isso para que outras pessoas que também sofrem possam se sentir compreendidas e não tão solitárias. Porque doenças mentais e emocionais, infelizmente, afastam as pessoas do convívio com outras, muitas vezes por incompreensão de ambas as partes. Nesse sentido, o livro vem trazer um consolo, um abraço, um “eu sei como você se sente” que muitas vezes, não vem de lugar nenhum.

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Resenha: O Fantasma da Ópera

Livro: O Fantasma da Ópera
Autor(a): Gaston Leroux
Editora:
 Ediouro
Páginas: 254

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Terminei de ler ontem esse livro fantástico e meu coração e sentimentos se dividem entre admiração, tristeza e pesar por Erik, o Fantasma da Ópera, assim como por Heathcliff de O Morro dos Ventos Uivantes. Ambos tem as almas torturadas e nunca conheceram o significado da palavra amor e compaixão.

A história é narrada pelo autor como se fosse um personagem, o que faz o livro parecer ainda mais real. Os fatos e acontecimentos vão sendo narrados de forma muito envolvente e você quer mergulhar nos mistérios e cada vez mais conhecer a história do fantasma que assombra o teatro em Paris, a princípio um monstro, que comete crimes hediondos, mas conforme a leitura vai se desenrolando você descobre um gênio de talento sem igual, com um segredo que carrega no rosto e um sofrimento terrível. Todo mundo sabe da minha predileção por “vilões” e eu sempre soube que o fantasma tinha uma história triste, que obviamente não justifica os assassinatos, mas explica as influencias que transformaram sua alma torturada e seu coração tão amargurado. Há sempre muita dor e sofrimento por trás de atos que julgamos imperdoáveis.

Assim como por Heathcliff, eu senti ternura e vontade de abraçar Erik em muitos momentos. Torci por ele também em relação a Christine (e diferente da Catherine de O Morro dos Ventos Uivantes, eu não a odeio). Acredito que tudo aconteceu como tinha de acontecer numa história trágica e monumental. Do meu número, costumo brincar. São essas histórias de amor, ódio, sentimentos HUMANOS verdadeiros e sem fantasias e máscaras, que me encantam e entram para os favoritos da vida.

Sem sombra de dúvida essa história não iria ficar de fora. Recomendo muitíssimo a leitura, que traz em maiores detalhes a história de Erik e acontecimentos fantásticos e terríveis. Mas também aconselho assistir a peça teatral que retrata quase fielmente esta obra nos palcos do Teatro Renault em São Paulo.

Resenha: Senhor da Chuva

Livro: O Senhor da Chuva
Autor(a): André Vianco
Editora:
 Novo Século
Páginas: 268

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Eu adoro histórias sobre Anjos e Demônios. Acho que é o meu contraponto já que não gosto de Vampiros (rs). Mas apesar dessa história abordar esse tema, eu confesso que não me entusiasmou tanto quanto eu imaginava. É uma história interessante e criativa e gostei da narrativa, embora em alguns detalhes sórdidos eu preferia que o autor não fosse tão detalhista e me fizesse quase ver/sentir as cenas (rs). Mas isso só demonstra que é um texto de qualidade e que vale a pena ser lido. Gostei muito da descrição dos anjos, bem diferente do que costuma-se ler a respeito e realmente tive medo dos demônios, só não entusiasmou, mas gostei sim e recomendo.

Resenha: Livro das Perguntas

Livro: Livro das Perguntas
Autor(a): Pablo Neruda
Editora:
 L&PM
Páginas: 155

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Espetacular!

“As lágrimas que não se choram
esperam em pequenos lagos?
Ou serão rios invisíveis
que escorrem até a tristeza?”.

Perguntas. Perguntas poéticas maravilhosamente tecidas por Neruda de forma que você não consegue parar de virar as páginas. Cada pergunta te arranca um suspiro, um sorriso, um sinal de aquiescimento ou negativa. Realmente uma idéia espetacular, original e muito poética.

“Em que idioma cai a chuva
sobre as cidades dolorosas?”.

Leitura recomendadíssima!

Resenha: A Divina Comédia – Inferno

Livro: A Divina Comédia: Inferno
Autor(a):  Dante Alighieri
Editora:
 Abril
Páginas: 432

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Deixai toda esperança, vós que entrais

“Quem poderá em palavras sem rima
dizer das chagas e do sangue plenos
que vi, mesmo que muita vez o exprima?”.

Ninguém. Penso eu após ler essa obra fantástica. Uma criação única e criativa, apesar de toda dificuldade que encontrei ao ler. Não há como negar que é um clássico da literatura mundial já que abarca toda a cultura e o conhecimento do homem medieval (o texto, apesar de não existirem dados precisos, é aprox. de 1300).

A edição da Coleção Abril traz a tradução ótima de Jorge Wanderley e contém notas bibliográficas para cada um dos 34 cantos (Os 3 livros que compõe A Divina Comédia são divididos em 33 cantos, sendo que o Inferno possui um canto a mais que serve de introdução ao poema) e auxiliam na leitura. Mas tenho que confessar que não li todas as notas e mantive a leitura em sua grande maioria apenas nos versos.

Foi a minha primeira, e de maneira alguma a última, leitura dessa obra magistral de Dante Alighieri. Tenho que dizer que não me sinto madura o suficiente para dizer que entendi completamente sua obra, mas compreendi ao menos a estrutura e o sentido das 9 divisões em círculos do Inferno.

O que me levou a ler A Divina Comédia – Inferno? Vai ser difícil de acreditar, mas foi uma personagem de HQ conhecida por Dominó da Marvel Comics. Um amor antigo dessa personagem era apaixonado por este livro e apelidou Dominó de Beatrice por conta do anjo que aparece para auxiliar a viagem de Dante ao Inferno.

Foram quatro estrelas, para um livro que provavelmente darei cinco quando o ler novamente, com calma e a ponto de estudar cada nota bibliográfica num outro momento de minha vida. Afinal, como disse Borges sobre essa obra: “A divina comédia é uma cidade que nunca teremos explorado de todo”

Resenha: A irmã de Ana Bolena

Livro: A irmã de Ana Bolena
Autor(a): Philippa Gregory
Editora:
 Record
Páginas: 626

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Fascinante!
Uma das mais fascinantes histórias de Corte já conhecidas e narrada por Philippa Gregory de forma fantástica e fascinante. Leitura leve e intrigante que te faz entrar na história e ficar pensando nela por muito tempo depois. É impossível esquecer os personagens extremamente marcantes dessa história de traição, rivalidades, paixão, ódio e busca incessante pelo poder.

Este romance começa contando a história da inocente Maria Bolena, irmã mais nova da famosa Ana bolena. Aos 14 anos Maria, Ana e o irmão George chegam à corte dos Tudors. Nesta época, os aristocratas viviam nos arredores do palácio real, pois ter uma mulher de sua família nas proximidades do Rei era garantia de ascensão social. Logo, a doçura e a beleza de Maria chamam a atenção de Henrique (um soberano da dinastia Tudor conhecido por ser conquistador, teve 6 esposas além das inúmeras amantes que mantinha na corte) e começam a manter um caso. Maria se apaixona de verdade pelo nobre e também pelo papel não oficial de Rainha, afinal era tratada como tal: ganhava presentes caríssimos e tinha a total atenção do Rei. Incentivada pela família estende esse relacionamento por anos, gerando dois filhos, um homem inclusive.

Mas Ana tem uma ambição ainda maior que a de Maria, conformada em apenas ser sua amante e gerar algumas regalias para a família Bolena. Ana quer SER Rainha e não se contentará com menos. Começa aos poucos a conquistar as atenções do Rei, roubando-o da irmã e galgando uma subida ao poder que tem como objetivo final a dissolução do casamento de Henrique com Catarina de Aragão e sua nomeação como Rainha.

A narração de Philippa neste romance é simplesmente magistral! O que torna tudo mais fascinante ainda é que a história é toda contada pela irmã de Ana, Maria, uma personagem muito importante na história e que sempre é deixada de lado. Também neste romance, a autora dá o destaque certo a Catarina de Aragão, da qual sou ultra-fã embora nesta história tenha um final tão triste. Uma Rainha verdadeira, orgulhosa, determinada, a mais admirável pessoa em toda corte Tudor. Não que eu não admire a ambição e determinação de Ana Bolena. Também tenho que admitir que ela tinha uma determinação inabalável para alcançar o que desejava, mas ela foi bastante cruel em sua subida, o que de certo modo me fez respeitá-la um pouco menos.

Leitura recomendadíssima.