Resenha: O Pálido Olho Azul

Livro: O Pálido Olho Azul
Autor(a): Louis Bayard
Editora:
 Planeta do Brasil
Páginas: 432

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Para aqueles que gostam de um bom triller de suspense e mistério, O Pálido Olho Azul é um prato cheio. Sua história acontece no século XIX e é surpreendentemente bem narrada por Bayard que ainda soma a excentrica pessoa de Edgar Alan Poe à trama, o que dá um toque especial à história.

Um corpo é encontrado na tradicional Academia de West Point pendurado em uma árvore por uma corda não curta o bastante o que mantia os pés do cadete apoiados no chão. Não bastando, seu coração fora arrancado. Seria um suicidio seguido da cruel agressão de seu corpo, ou um sórdido assassinato? Para desvendar esse mistério, August Landor, um renomado detetive, é chamado a serviço da Academia. Landor nomeia como seu ajudante nada mesmo que Poe e é então que a busca pela verdade se inicia.

A história é fascinante e a narrativa de Bayard, totalmente desprovida de sentimentalismo, torna tudo muito real. Fiquei impressionada com a linguagem usada no livro que parece reviver o século em que se passa a história. Sem contar que o relacionamento de Poe e o detetive Landor foi muito bem elaborado mantendo o interesse do leitor preso na história.

Leitura recomendada!

Resenha: Grandes Esperanças

Livro: Grandes Esperanças
Autor(a): Charles Dickens 
Editora:
 Abril
Páginas: 656

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Não é a toa que é um clássico da literatura mundial. Logo de início se é conquistado pelo narrador e principal protagonista dessa história: Pip. Quando digo de iníco, quero dizer logo nas primeiras linhas mesmo. Pip é encantandor, e sua linguagem tem o apelo da ingenuidade da criança que torna impossível não criar uma ligação com ele. E acho que começa daí o encanto dessa obra.

Grandes Esperanças é uma história cheia “disso que chamamos de ‘minha vida'”, como diria Caio F. Tristeza, horrores, medo, insegurança, culpa e principalmente “grandes esperanças”. Pip, é um menino órfão que é criado por uma irmã muito mais velha de temperamento inflamável e seu marido, o ferreiro Joe com quem Pip cria um laço de amizade e amor muito bonito. Certo dia, ele recebe um convite e visita uma mulher muito rica, que vivia reclusa em sua mansão com sua filha adotiva, Estela. Nesta visita é que Pip conhece um mundo completamente diferente da pobreza em que vivia, trabalhando  demais e sonhando de menos. Ele sai da casa, sentindo-se inferior às duas mulheres, mas tão encantado com Estela, que compromete-se a voltar na semana seguinte e assim o faz, por diversas vezes.

Confesso que a primeira vez em que fiz esta resenha, eu não toquei no nome de Estela, porque senti nela um quê de Chaterine Earneshaw e fiquei muito condoída por Pip e seu sofrimento por ela. Mas acabei deixando uma personagem e fato importante de lado, que é justamente ao conhecê-la e a sua riqueza que o que antes lhe parecia suficiente, agora lhe parece pouco demais e Pip começa então a almejar outras conquistas e vivências. A ter… Grandes Esperanças.  Continua vivendo na maior pobreza, até que um dia recebe uma fortuna para alcançar suas “grandes esperanças” e vai viver em Londres, deixando Joe e sua irmã para trás.

Nesse novo mundo, cheio de regalias antes jamais imaginadas, Pip passará por diversas situações perigosas devidas à sua rápida ascensão social, porém preserva sua ingenuidade quase infantil dos primeiros capítulos e mantém uma afetividade descuidada em relação a Joe, seu grande amigo da infância. Muitas são as reviravoltas na vida de Pip e a história guarda grandes surpresas e um final surpreendente. Gostei principalmente da maneira como o autor ao longo do texto vai mostrando como Pip não perde suas esperanças, se agarra a elas mesmo quando já sabe do fim inevitável, recusando-se a acreditar que elas terão um fim.

Uma obra realmente fantástica, embora eu tenha que confessar que achei alguns capítulos cansativos e com informações irrelevantes ao contexto da história, mas é raro quando isso acontece e no todo a leitura é bastante prazerosa e flui com facilidade.

Recomendo!

Resenha: O Sentimento do Mundo

Livro: O Sentimento do Mundo
Autor(a): Carlos Drummond de Andrade 
Editora:
 Record
Páginas: 128

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

O Sentimento do Mundo!
Eu adoro Drummond. Suas poesias são cheia de “Sentimento do Mundo” e não falo só deste livro. Tudo que já li de Drummond até hoje traz como marca registrada muito sentimento. Este livro, além disso, é um livro contemporâneo, moderno e com várias críticas a sociedade, ao modo melancólico e um pouco sonhador de Drummond! O livro é dividido em três partes:

Alguma poesia, com poemas sobre o cotidiano, política, críticas a sociedade e algumas culturas que importamos para o Brasil. Confesso que esta foi a parte que menos gostei. Daqui destaco os poemas “Toada do Amor”, “Poema que Aconteceu” e “O Sobrevivente”.

Brejo das Almas, ainda sobre o cotidiano porém mais romântico, embora com toques de realidade. Destaco desta parte, “Soneto da Perdida Esperança”, “Segredo” e “Convite Triste”.

Sentimento do Mundo, a parte que mais gostei do livro. Emoção, cotidiano, crítica e romance tudo junto. O sentimento do mundo literalmente. Destaco “Sentimento do Mundo”, “Os ombros suportam o mundo”, “Mãos Dadas” e “Mundo Grande”. Deste último poema citado, segue um dos trechos mais lindos de Drummond, em minha opinião:

“Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar”.

Leitura recomendada!

Resenha: Mini Shopaholic

Livro: Mini Shopaholic
Autor(a):  Shophie Kinsela
Editora:
 Record
Páginas: 424

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Eu precisava ler um chick-lit que me fizesse rir depois de passar por alguns dias tortuosos lendo “O Último Trem de Hiroshima” e nada melhor que Becky Bloom para isso. Não há maneiras de comparar Sophie Kinsela com autores de clássicos, mas dentro do seu gênero, na minha opinião, é uma das melhores.

O livro começa, assim como os outros, com o jargão “Don’t Panic” da Becky. Ela está no shopping fazendo compras natalinas com a família, incluindo sua filha de 2 anos Minnie. Já dá pra notar que a garotinha é tão viciada em compras quanto a mãe e sabe encontrar as melhores marcas, embora nem sempre com os melhores preços. A cena da loja e dos pais levando Minnie para ver o Papai Noel é hilária, embora irritante. Eu já não teria paciência com aquela criança! E claro que Becky não poderia deixar a cena sem aprontar uma das suas. Escreveu uma carta para o papai Noel enquanto esperavam na fila e não é que a sua carta foi sorteada e lida em voz alta pelo ajudante do Papai Noel? Entre os muitos pedidos, estavam: sapatos, bolsas, enfim… bem Becky.

No desenvolver da história o ponto principal é que Luke vai fazer aniversário e Becky quer lhe fazer uma festa de aniversário supresa! Todos estão duvidando que ela consiga e por isso mesmo ela decide que vai até as últimas conseqüências para conseguir dar a festa. Desde as compras da decoração até os planejamentos finais, Becky se enfia nas maiores e engraçadas enrascadas, tentando manter tudo em sigilo para que Lucke não descubra, contanto com a assistente dele como aliada!

Nesse meio tempo, Minnie está mais impossível do que nunca, aprontando todas também! Consegue até fazer um pedido de 16 casacos Miu Miu pela Internet, deixando Luke tão preocupado que decide procurar ajuda da Super Nanny!!! A visita da Super Nanny à casa de Becky e o passeio que ambas fazem com Minnie ao shopping são hilários!!! Becky quer mostrar que é uma boa mãe e tenta levar Minnie a um passeio pedagógico, mas a menina não pára de dizer: “Taxeeee”, “Starbucks”, “Muffin”. É realmente muito engraçado!

Aparecem neste livro todos os personagens dos livros anteriores: Suze, a melhor amiga e seu marido Tarquin; os pais de Becky; os vizinhos; Jess, a irmã de Becky e seu marido Tom, Danny o amigo gay que trabalha com Becky e até mesmo Elinor, a mãe biológica de Luke. Achei só que o livro ia ser mais focado na Minnie, mas acredito que se assim o fosse ia ficar massante. A mistura das peripécias da criança com os problemas adultos dos personagens deixou a leitura suave e gostosa.

Enfim, um ótimo livro pra distrair e relaxar!

Resenha: Contraponto

Livro: Contraponto
Autor(a): Aldous Huxley
Editora:
 Globo
Páginas: 698

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

“Os homens vivem como idiotas, como maquinas, todo o tempo, tanto nas horas de trabalho como nas horas de folga. Como idiotas e como maquinas, mas imaginando que vivem como seres humanos civilizados, mesmo como deuses”

Contraponto é uma obra no mínimo interessante e, eu diria até que, exótica. Huxley faz uma sátira sobre a desumanização do século XX onde tudo se resume a correria do dia a dia que transforma as pessoas em máquinas. Tudo é mecânico, nada é espontâneo. O autor combina diversas histórias simultaneamente, apresentando o relacionamento entre casais que se gostam, mas não se comunicam devido a esta vida febril e movimentada, tornando-se dessa forma solitários.

Chamei de exótica esta obra pois não foi escrita de forma tradicional. Huxley buscou escrever com base na analogia do contraponto musical. Segundo Sergio Augusto de Andrade, autor do prefácio, “comparáveis a trechos de certas sinfonias, as situações se repetem e se desdobram em diagramas quase simétricos”.

Fugindo também do romance tradicional, não tem felizes para sempre. Com a correria do dia a dia, as personagens de Huxley se descobrem isolados um dos outros e acabam solitários, isolados de si mesmos. De qualquer forma, é uma obra brilhante e que vale a pena ser lida!

Resenha: O Chá de Bebê de Becky Bloom

Livro: O Chá de Bebê de Becky Bloom
Autor(a): Sophie Kinsela
Editora:
 Record
Páginas: 514

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Será possível existir alguém no mundo como a Becky Bloom? Pior é que deve existir! E olha que eu me acho consumista (principalmente com livros), mas igual a Becky jamais!

Este livro apesar de ser o último da consumista, foi o primeiro que li. Becky descobre que está grávida e fica muito feliz, apesar de estar um pouco chateada porque Luke não quer saber o sexo da criança e como é que ela vai comprar tudo pro bebê sem saber se é menino ou menina? Aí começam as acrobacias mirabolantes de Becky.

Como que se pode imaginar que até pra comprar roupinhas de bebê e itens para o quarto da criança é possível arranjar as maiores confusões? Becky consegue, é claro, e consegue também se desvenciliar de todas elas. Mais divertido ainda é quando ela descobre que tem uma obstetra ultra badalada na cidade que cuida das mamães mais famosas e chiquérrimas e vai fazer de tudo e mais um pouco pra conseguir ser sua paciente.

É de chorar de rir. Um chick-lit gostoso de ler e apesar de não ser o meu favorito da Becky (gosto dos dois primeiros livros, são fantásticos!), vale a pena pra completar a leitura da coleção.

Resenha: Não me Abandone Jamais

Livro: Não Me Abandone Jamais
Autor(a): Kazuo Ishiguro
Editora:
 Companhia das Letras
Páginas: 344

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Quando a vi dançando aquele dia, enxerguei uma outra coisa. Enxerguei um novo mundo chegando muito rápido. Mais científico, mais eficiente, é verdade. Mais cura para as velhas doenças. Muito bem. Mas um mundo duro, um mundo cruel. E vi uma menina novinha, de olhos bem fechados segurando no colo o mundo antigo e bom de antes, o mundo que ela sabia, lá no fundo, que não poderia continuar existindo, e ela segurando esse mundo no colo e pedindo pra ele não deixa-la partir… Aquela cena me partiu o coração. Nunca mais esqueci”. 

Eu vi o filme primeiro. Em 2010. Assim que foi lançado. Lembro de ter ficado olhando pra parede uns bons minutos depois que o filme acabou sem saber o que fazer. Sem saber como é que se vive depois daquilo, de verdade. Uma cena, específica do filme, e juro que não é spoiler, pode ler: estrada vazia, faróis ligados, Tommy desce do carro vai até a frente dos faróis e começa a berrar e berrar até que cai no chão e Kathy desce do carro e o abraça. Foi aí, nesse ponto que eu perdi minha alma. Eu sei que está parecendo dramático, mas é. É mesmo. O assunto é sério, é dramático, é atual e distópico ao mesmo tempo. Ele traz a tona muitos questionamentos e reflexões. E medos. O filme abriu um buraco que eu tinha que preencher com a leitura do livro que ainda não tinha no Brasil. Mas eu PRECISAVA DELE.

Quando finalmente consegui ler, me apaixonei ainda mais pelo tema e pela história. Se eu já tinha gostado do filme, o livro era (que surpresa, né gente? rs) ainda melhor.  A escrita de Kazuo é delicada e começa tão branda, tão tranquila como um diário de memórias de Kathy H.  e você vai se apaixonando por ela, pela forma como ela vai se lembrando dos dias no instituto, da amizade, de Tommy, das relações, dos professores, das sensações. É como uma amiga que você faz ao longo da leitura, que te dá a mão e vai te levando por um passeio tranquilo e você vai se deixando levar. Aparecem algumas palavras como doador, cuidadora e você fica se perguntando o que seria exatamente essas coisas, mas a verdade chega de mansinho e acho que é isso que impacta ainda mais. Você não tá preparado pra verdade quando ela chega. E é um soco no estômago, como diria tão bem Clarice Lispector (sobre outro assunto, mas cabe bem aqui). Continuar lendo