Resenha: Livro das Perguntas

Livro: Livro das Perguntas
Autor(a): Pablo Neruda
Editora:
 L&PM
Páginas: 155

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Espetacular!

“As lágrimas que não se choram
esperam em pequenos lagos?
Ou serão rios invisíveis
que escorrem até a tristeza?”.

Perguntas. Perguntas poéticas maravilhosamente tecidas por Neruda de forma que você não consegue parar de virar as páginas. Cada pergunta te arranca um suspiro, um sorriso, um sinal de aquiescimento ou negativa. Realmente uma idéia espetacular, original e muito poética.

“Em que idioma cai a chuva
sobre as cidades dolorosas?”.

Leitura recomendadíssima!

Governar

Os garotos da rua resolveram brincar de governo, escolheram o presidente e pediram-lhe que governasse para o bem de todos.

– Pois não – aceitou Martim. – Daqui por diante vocês farão meus exercícios escolares e eu assino. Clóvis e mais dois de vocês formarão a minha segurança.

Januário será meu Ministro da Fazenda e pagará o meu lanche.

– Com que dinheiro? – atalhou Januário.

– Cada um de vocês contribuirá com um cruzeiro por dia para a caixinha do governo.

– E que é que nós lucramos com isso? – perguntaram em coro.

– Lucram a certeza de que têm um bom presidente. Eu separo as brigas, distribuo tarefas, trato de igual para igual com os professores. Vocês obedecem, democraticamente.

– Assim não vale. O presidente deve ser nosso servidor, ou pelo menos saber que todos somos iguais a ele. Queremos vantagens.

– Eu sou o presidente e não posso ser igual a vocês, que são presididos. Se exigirem coisas de mim, serão multados e perderão o direito de participar da minha comitiva nas festas. Pensam que ser presidente é moleza? Já estou sentindo como esse cargo é cheio de espinhos.

Foi deposto, e dissolvida a República.

Carlos Drummond de Andrade in Rick e a Girafa

12.09 – 70º Aniversário de Caio Fernando Abreu

Retrato: Caio Fernando Abreu (abril, 2016)  / Artista: Pedro Franz

Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências: desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem”.

. Caio Fernando Abreu in Morangos Mofados .

Inteligentes demais…

“O ato essencial da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas dos produtos do trabalho humano. A guerra é uma forma de despedaçar, de projetar para a estratosfera ou de afundar nas profundezas do mar materiais que, não fosse isso, poderiam ser usados para conferir conforto excessivo às massas e, em consequência, a longo prazo, torná-las inteligentes demais”.

. George Orwell in 1994 .

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Ininteligíveis

“Por dois segundos o outro aposento ficou em silêncio. Então, subitamente, a parede irrompeu numa pequena explosão de barulhinhos eletrônicos ininteligíveis. R2, sem dúvida”. 

. Timothy Zahn in Herdeiro do Império .

06.08 [18] – 73 anos depois da Bomba de Hiroshima

E mais uma vez já esquecida de que esse horror um dia aconteceu, fiz parte das pessoas que “em número cada vez maior, haviam se tornado complacentes (…) desde o término da constante e amedrontadora rivalidade nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética”. Tive e confesso, com vergonha, “uma espécie de amnésia (que) tinha começado a afetar a civilização, uma amnésia particularmente perigosa, na qual as pessoas começavam a esquecer o que as bombas atômicas realmente fazem”.

Uma pesquisa me fez lembrar de um livro (O Último Trem de Hiroshima), e agora eu compartilho com vocês: temos que ser lembrados disso ano a ano, porque…

Não deveríamos deixar a guerra acontecer nunca mais”.

─ Um sobrevivente,
Charlles Pellegrino in O Último Trem de Hiroshima

Livre

“I. um livro adorado
II. um dia frio e nublado
III. uma caneca de café
IV. um cobertor quentinho
V. você.
─ as únicas coisas de que preciso para me sentir livre”. 

. Amanda Lovelace in A Princesa salva a si mesma neste Livro .