Inteligentes demais…

“O ato essencial da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas dos produtos do trabalho humano. A guerra é uma forma de despedaçar, de projetar para a estratosfera ou de afundar nas profundezas do mar materiais que, não fosse isso, poderiam ser usados para conferir conforto excessivo às massas e, em consequência, a longo prazo, torná-las inteligentes demais”.

. George Orwell in 1994 .

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Ininteligíveis

“Por dois segundos o outro aposento ficou em silêncio. Então, subitamente, a parede irrompeu numa pequena explosão de barulhinhos eletrônicos ininteligíveis. R2, sem dúvida”. 

. Timothy Zahn in Herdeiro do Império .

06.08 [18] – 73 anos depois da Bomba de Hiroshima

E mais uma vez já esquecida de que esse horror um dia aconteceu, fiz parte das pessoas que “em número cada vez maior, haviam se tornado complacentes (…) desde o término da constante e amedrontadora rivalidade nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética”. Tive e confesso, com vergonha, “uma espécie de amnésia (que) tinha começado a afetar a civilização, uma amnésia particularmente perigosa, na qual as pessoas começavam a esquecer o que as bombas atômicas realmente fazem”.

Uma pesquisa me fez lembrar de um livro (O Último Trem de Hiroshima), e agora eu compartilho com vocês: temos que ser lembrados disso ano a ano, porque…

Não deveríamos deixar a guerra acontecer nunca mais”.

─ Um sobrevivente,
Charlles Pellegrino in O Último Trem de Hiroshima

Livre

“I. um livro adorado
II. um dia frio e nublado
III. uma caneca de café
IV. um cobertor quentinho
V. você.
─ as únicas coisas de que preciso para me sentir livre”. 

. Amanda Lovelace in A Princesa salva a si mesma neste Livro .

Meia Lágrima

“Não,
a água não me escorre
entre os dedos,
tenho as mãos em concha
e no côncavo de minhas palmas
meia gota me basta.

Das lágrimas em meus olhos secos,
basta o meio tom do soluço
para dizer o pranto inteiro.

Sei ainda ver com um só olho,
enquanto o outro,
o cisco cerceia
e da visão que me resta
vazo o invisível
e vejo as inesquecíveis sombras
dos que já se foram.

Da língua cortada,
digo tudo,
amasso o silencio
e no farfalhar do meio som
solto o grito do grito do grito
e encontro a fala anterior,
aquela que emudecida,
conservou a voz e os sentidos
nos labirintos da lembrança”.

. Conceição Evaristo in Poemas da Recordação e outros Movimentos .

A vida já é difícil o bastante

“o amor vai chegar
e quando o amor chegar
o amor vai te abraçar
o amor vai dizer o seu nome
e você vai derreter
só que às vezes
o amor vai te machucar mas
o amor nunca faz por mal
o amor não faz jogo
porque o amor sabe que a vida
já é difícil o bastante”

. Rupi Kaur in Milk and Honey .

Resenha: O Sentimento do Mundo

Livro: O Sentimento do Mundo
Autor(a): Carlos Drummond de Andrade 
Editora:
 Record
Páginas: 128

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

O Sentimento do Mundo!
Eu adoro Drummond. Suas poesias são cheia de “Sentimento do Mundo” e não falo só deste livro. Tudo que já li de Drummond até hoje traz como marca registrada muito sentimento. Este livro, além disso, é um livro contemporâneo, moderno e com várias críticas a sociedade, ao modo melancólico e um pouco sonhador de Drummond! O livro é dividido em três partes:

Alguma poesia, com poemas sobre o cotidiano, política, críticas a sociedade e algumas culturas que importamos para o Brasil. Confesso que esta foi a parte que menos gostei. Daqui destaco os poemas “Toada do Amor”, “Poema que Aconteceu” e “O Sobrevivente”.

Brejo das Almas, ainda sobre o cotidiano porém mais romântico, embora com toques de realidade. Destaco desta parte, “Soneto da Perdida Esperança”, “Segredo” e “Convite Triste”.

Sentimento do Mundo, a parte que mais gostei do livro. Emoção, cotidiano, crítica e romance tudo junto. O sentimento do mundo literalmente. Destaco “Sentimento do Mundo”, “Os ombros suportam o mundo”, “Mãos Dadas” e “Mundo Grande”. Deste último poema citado, segue um dos trechos mais lindos de Drummond, em minha opinião:

“Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar”.

Leitura recomendada!