Resenha: Jardim Noturno

Livro: Jardim Noturno
Autor(a): Vinícius de Moraes
Editora:
 Companhia das Letras
Páginas: 160

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Vinícius é sem palavras. Sou apaixonada pelos seus sonetos e muitos dos seus poemas. Sua escrita é toda amor e sonho e suspiros. E como sou uma romântica inveterada, acabo me rendendo a todos os seus encantos, assim como muitas mulheres! Mas tenho que confessar que Jardim Noturno não foi tudo aquilo que esperei. É um ótimo livro, com lindos poemas (afinal é difícil ter algum livro do Vinícius que não seja bom), mas não é tão lindo quanto outros que li.

Destaco neste os poemas: “Eu nasci marcado pela paixão”, “Acontecimento” e “Versos Soltos do Mar” do qual quero compartilhar esse lindo trecho:

“Aqui jaz o mar. Nem ele mesmo
soube jamais o número de ondas
que desfez o seu sonho”.

Dos sonetos, gostei de “Soneto da desesperança” e “Soneto do Amor demais”. Leitura recomendada!

19.10 – 100º Aniversário de Vinícius de Morais

Meu tempo é quando”.

. Vinícius de Morais in Poética .

06.08 [11] – 66 anos depois da Bomba de Hiroshima

Li este ano um livro chamado O Último Trem de Hiroshima de Charles Pellegrino. E esse livro, me fez lembrar dessa data, para nunca mais esquecer.

Ano passado, infelizmente eu não postei nada, já esquecida de que esse horror um dia aconteceu. Fiz parte das pessoas que “em número cada vez maior, haviam se tornado complacentes (…) desde o término da constante e amedrontadora rivalidade nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética”. Tive e confesso, com vergonha, “uma espécie de amnésia (que) tinha começado a afetar a civilização, uma amnésia particularmente perigosa, na qual as pessoas começavam a esquecer o que as bombas atômicas realmente fazem”.

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

. Vinicius de Moraes in Rosa de Hiroshima .

O livro me fez lembrar, e agora eu compartilho com vocês: temos que ser lembrados disso ano a ano, porque…

Não deveríamos deixar a guerra acontecer nunca mais”.

─ Um sobrevivente,
Charlles Pellegrino in O Último Trem de Hiroshima

O verbo no infinito

 

Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito…

. Vinícius de Moraes in Para Viver um Grande Amor .

19.10 – 97º Aniversário de Vinícius de Morais

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece…
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

. Vinícius de Morais in Poesia completa e prosa .

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste…

. Vinícius de Moraes in Para Viver um Grande Amor .

Uma música que seja

… como os mais belos harmônicos da natureza. Uma música que seja como o som do vento na cordoalha dos navios, aumentando gradativamente de tom até atingir aquele em que se cria uma reta ascendente para o infinito. Uma música que comece sem começo e termine sem fim. Uma música que seja como o som do vento numa enorme harpa plantada no deserto. Uma música que seja como a nota lancinante deixada no ar por um pássaro que morre. Uma música que seja como o som dos altos ramos das grandes árvores vergastadas pelos temporais. Uma música que seja como o ponto de reunião de muitas vozes em busca de uma harmonia nova. Uma música que seja como o vôo de uma gaivota numa aurora de novos sons…

Vinícius de Moraes in Para Viver um Grande Amor