COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Dica de Leitura: O Último Trem de Hiroshima – Charles Pellegrino

“Não deveríamos deixar a guerra acontecer nunca mais”.

Nunca mais. Por motivo algum e em hipótese alguma. A leitura deste livro foi uma das mais difíceis para mim até hoje. Sofri muito com os sobreviventes e suas histórias horripilantes daquele trágico 06 de agosto de 1945. Tive vergonha de, até então, ter feito parte das pessoas que “em número cada vez maior, haviam se tornado complacentes desde o término da constante e amedrontadora rivalidade nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética” Tive e confesso “uma espécie de amnésia (que) tinha começado a afetar a civilização, uma amnésia particularmente perigosa, na qual as pessoas começavam a esquecer o que as bombas atômicas realmente fazem”.

A partir desta leitura, nunca mais! Nunca mais vou me esquecer disso. E devo agradecer a Charles Pellegrino e sua narrativa impressionante, impecável e envolvente. Demorei demais para ler porque o livro é pesado e choca. Não sei se sou muito sensível a estas catástrofes, mas tive inúmeras vezes que fechar o livro, respirar fundo para poder continuar. Desde o começo da leitura, olho para o céu, as árvores e as pessoas ao meu redor com outros olhos. Fico tentando imaginar como seria se de repente, em questão de três segundos, tudo isso virasse vapor e desaparecesse deixando um rastro de destruição irreversível.

O livro com certeza nos faz refletir e muito. Conta, através de diversos depoimentos e histórias impressionantes como foi para aquelas pessoas o horror da bomba atômica. Muito bem embasado, Pellegrino conseguiu transmitir em palavras os impressionantes milésimos de segundos de cada instante, desde o lançamento da bomba em Hiroshima, até a destruição ainda maior em Nagasaki.

As explicações minuciosas do que a bomba fez com as pessoas são impressionantes e terríveis. E arrancam lágrimas, perturbam o sono. Pelo menos, assim foi comigo. E pensar que Hiroshima era uma linda cidade pequena do Japão que enquanto todas as outras estavam sendo bombardeadas e atacadas, foi totalmente poupada. Seus habitantes, ingenuamente imaginavam que era por sua beleza, quando na verdade o pensamento era de que não adiantaria nada testar uma bomba nuclear em um alvo já destruído.

Acima de todo os planos políticos e militares envolvendo o lançamento de “little boy” (apelido com o qual a Bomba Atômica foi batizada), é ainda mais impressionante verificar que ela não trouxe perdas somente materiais e físicas:

“As fissuras que se formaram no hipocentro ainda ficaram presentes muitos anos depois. Mas eu não estou falando sobre rachaduras no chão, disse Paul Nagai. Eu me refiro às rachaduras invisíveis nas relações pessoais dos sobreviventes daquela desolada terra atômica. Estas fendas nos laços de amizade e amor não fecharam com o tempo; ao contrário, parecem se tornar cada vez maiores e mais profundas. De todo o dano que a bomba atômica causou, esse é de longe o mais cruel”.

O que fica dessa história é a mensagem de que a guerra não pode voltar a acontecer nunca mais. Que a questão de quem lançou a bomba e os motivos porquê isso aconteceu são irrelevantes. A coisa importante é nunca esquecer as consequências, fissuras e traumas que essa bomba causou. Cicatrizes na terra e na vida das pessoas que jamais se fecharão.

O que fica é a necessidade de o ser humano entender que “não se pode fazer isso nunca mais, por motivo algum”.

Leitura mais do que recomendada, essencial! Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
Bibliotecária e leitora compulsiva! Apaixonada por livros e palavras.
SERVIÇO
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Resenha: A Vendedora de Livros

Livro: A Vendedora de Livros
Autor(a): Cynthia Swanson
Editora:
Taglivros/Suma
Páginas: 380
Nota: 4
(1.Não gostei 2.Gostei pouco; 3.Gostei;
 4.Gostei bastante;
5.Adorei)

Uma pessoa pode ter duas vidas?
Uma enquanto está acordada e outra quando está dormindo?
Aparentemente, Kitty Miller pode.

O livro começa com ela acordando num quarto de paredes verdes numa casa elegante muito diferente do seu quarto pequeno e despretensioso num apartamento próximo ao trabalho, uma livraria de bairro que gerencia junto com sua melhor amiga Frieda. Ao abrir os olhos neste quarto diferente, ela sabe que está sonhando e fica esperando o momento em que vai acordar, enquanto descobre um marido atencioso e uma garotinha angelical que a chama de mamãe. Pouco depois ela realmente acorda e está de volta à sua vida de solteira aos 38 anos, à seu trabalho que ama na livraria com Frieda, ao seu quarto que recentemente pintou com uma parede amarela e seu gato laranjinha (lembrei do meu Melão) Aslam, homenagem a seu livro favorito: As Crônicas de Nárnia. Está super feliz de ter finalmente acordado, mas com uma sensação estranha de ter gostado da vida que viu em seus sonhos.

E a partir de então, você vai viver junto com Kitty, sua vida real durante os dias, trabalhando na livraria com Frieda, cuidando de Aslan e trocando cartões postais com os pais que estão em uma viagem pelos 40 anos de casados, e outra vida a noite, quando ela vai dormir e em seus sonhos se transforma em Katharyn Anderson, casada com Lars, o amor de sua vida e com lindos filhos (a cada sonho, mais detalhes da outra vida vão sendo revelados).

A narrativa da autora é bastante envolvendo e o tempo todo você fica querendo saber mais e mais sobre a vida misteriosa que vai sendo revelada a Kitty e a você aos pedaços, nos curtos períodos de sono da protagonista e cada vez mais vai se envolvendo com as doçuras e angústias de cada uma de suas vidas. Qual das duas é a que ela realmente quer viver? Qual o preço de escolher esta ou aquela vida? O que vai ser preciso abrir mão para ter aquilo que desejou pra si a vida inteira?

Adorei a história, a autora trabalha o enredo do sonho/vida real super bem e apesar de ter lido muitas resenhas dizendo que o final é super previsível, eu não achei tanto assim e gostei principalmente dele não ter definido certas situações de forma tão açucarada como se esperaria.

Gostei muito e recomendo a leitura!

#TBR de Agosto


📖Morra, amor – #ArianaHarwicz: super curiosa pra ler sobre essa mãe que teve depressão pós-parto e nos conta nesse livro essa angustiada rotina. Empréstimo de uma amiga;

📖 A Cidade Sitiada – #ClariceLispector: leitura do mês do clube de leitura Toda Clarice;

📖 O Aleph – #JorgeLuisBorges: homenageado de agosto @clubetripas;

📖 Mrs. Dalloway – #VirgíniaWoolf: não consegui fazer a LC junto com o @blogliteraturese, mas continuo e termino esse mês;

📖 Wuthering Heights – #EmilyBrönte: LC com @realidadeliteral 💕;

📖Eu sei por que o pássaro canta na gaiola – #MayaAngelou: faz tempo que estou querendo ler esse livro e me comprometi a ler pelo menos um livro da @taglivros por mês;

📖 Objetos Cortantes #GillianFlynn e Três Coroas Negras – #kendareblaker : presente e indicação que estou devendo a leitura há séculos 😜;

📖 DUNA – #FrankHerbert: quero pelo menos começar essa leitura que me foi indicada há anos tb e preciso ler antes do filme;

📖Relatos de um Gato Viajante #HiroArikawa: amo gatos ❤️, indicação do @clubetripas;

📖A Casa dos Espíritos – #IsabelAllende: indicação e empréstimo de uma amiga, mas não chegou o livro ainda e não saiu na foto!

COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Dica de Leitura: O Olho Mais Azul – Toni Morrison

“Cada livro nos abre um horizonte, uma reflexão, e é um eterno lembrete de que a vida pode ser múltipla, inexata, complexa”. Essa frase foi enviada a TAG por uma leitora, Renata Sanches, e está na revistinha que acompanha esse livro. Coloquei ela nessa resenha porque não poderia escrever isso de forma melhor e o tanto que essas palavras são verdadeiras, principalmente ao terminar de ler esse livro… A vida é múltipla, inexata, complexa… na crueza dos dias, não segue regras e padrões, acontece. São tantas vidas, inúmeras possibilidades e sentimentos!

“Entraram devagar na vida pela porta dos fundos”.

Esse é o primeiro livro que li dessa autora e fui arrebatada por sua narrativa. Ela conseguiu me fazer chorar na página 22 do livro com uma imagem que não sei se esquecerei tão cedo. Uma frase, tão dolorida e ao mesmo tempo tão doce, que tocou no fundo da minha alma…

“Assim, quando penso em outono, penso em alguém que tem mãos e que não quer que eu morra”.

Assim, solta, talvez não tenha o impacto que teve em mim ao final de algumas outras descrições, mas só de escrevê-la me emociono de novo, ao lembrar do que li. Depois disso foi só desconforto e palavras que não conseguia parar de ler. O livro é dividido por estações e conta muitas histórias em poucas páginas, mas a principal é a da menina Pecola Breedlove que reza todas as noites para ter olhos azuis.

“Toda noite sem falta, ela rezava para ter olhos azuis. Fazia um ano que rezava fervorosamente. (…) Levaria muito, muito tempo para que uma coisa maravilhosa como aquela acontecesse. Lançada dessa maneira na convicção de que só um milagre poderia socorrê-la, ela jamais conheceria a própria beleza. Veria apenas o que havia para ver: os olhos das outras pessoas”.

Pecola é invisível para a sociedade e a comunidade que vive. Invisível não é a palavra, o problema é que ninguém está disposto a vê-la com humanidade. É zombada, rejeitada, desprezada, violentada. Ela sabe que o problema é a sua aparência, sua pele negra e seus cabelos crespos, e acredita que sua única solução seja ter olhos azuis, como os das bonecas, das mulheres brancas que são invejadas, elogiadas, lindas e amáveis. Acompanhamos seus passos nessa busca delirante pelo olho mais azul, pela aceitação, por uma realidade que não seja só dor, como a que unicamente ela conhece.

 “O amor nunca é melhor que o amante. Quem é mau, ama com maldade, o violento ama com violência, o fraco ama com fraqueza, gente estúpida ama com estupidez, e o amor de um homem livre nunca é seguro. Não há dádiva para o ser amado. Só o amante possui a dádiva do amor. O ser amado é espoliado, neutralizado, congelado no fulgor do olho interior do amante”.

Como bem diz, Djamila Ribeiro, no prefácio desta edição “são letras que rasgam, mas por incrível que possa parecer você vai gostar de ser cortado, reinventado”. Esse livro é uma forte reflexão sobre a desigualdade, o preconceito, os padrões impostos e vale muito a leitura. Essencial. Vale também ressaltar que Toni Morrison foi a primeira mulher negra a ganhar um Nobel de Literatura em 1993 e que O Olho mais azul, escrito em 1970 conta a história de outros tempos, outra época, mas que é extremamente atual como se ainda fosse hoje, infelizmente.

Fica um exercício para nossa reflexão do porquê. Recomendo demais a leitura, o corte e a reinvenção!

EVELYN RUANI
Bibliotecária e leitora compulsiva! Apaixonada por livros e palavras.
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Resenha: Somos Todos Inocentes

Livro: Somos Todos Extraordinários
Organizador: R. J. Palacio
Editora:
Intrínseca
Páginas: 32
Nota: 5
(1.Não gostei 2.Gostei pouco; 3.Gostei;
 4.Gostei bastante; 5.Adorei)

Mensagem de inclusão, gentileza, amor ao próximo…
Não tenho como falar desse livro sem falar do romance Extraordinário, apaixonante e inspirador que emocionou e tocou a vida de muitos leitores. Conta a história do carismático Auggie Pullman, um menino de dez anos que possui uma grave deformidade facial e começa a frequentar a escola pela primeira vez, encontrando amigos verdadeiros, preconceito e situações que irão marcar sua vida para sempre.

Essa edição é dedicada às crianças e foi elaborada pela autora na intenção de levar a elas a forte mensagem de inclusão, gentileza, amor ao próximo que a autora imprimiu a todas as suas obras sobre esse extraordinário garotinho. A versão infantil traz elementos da história original e insere os personagens em ilustrações belíssimas representando a imaginação do menino. Não tem como não se apaixonar por essa maravilhosa história de superação, amizade e amor, muito amor!

Incrível para trabalhar com as crianças/alunos sobre a inclusão, o respeito e amizade. Super recomendo!

COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Dica de Leitura: Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

Dia 25 de julho se comemora o dia Nacional do Escritor. Esse dia foi escolhido pelo ex-ministro da Educação e Cultura Pedro Paulo Penido, em 1960, para homenagear escritoras e escritores brasileiros. A escolha dessa data deve-se à realização do I Festival do Escritor Brasileiro, patrocinado pela União Brasileira de Escritores (UBE), que ocorreu em 25 de julho de 1960.

Para comemorar essa data, escolhi um livro da minha escritora favorita, Clarice Lispector para a Dica de Leitura dessa semana. Essa autora nacional maravilhosa que escreveu ao Jornal do Brasil que “não se ‘faz’ uma frase. A frase nasce”, e que em resposta à pergunta “Por que você escreve” na única entrevista para a televisão que deu na vida, disse: “Por que você bebe água?”. Clarice era assim, nasceu pronta, já escritora e nos presenteou com livros que trazem reflexão e aprendizado, principalmente sobre nós mesmos. Nos faz questionar, põe o dedo na ferida e nos tira do lugar comum.

 “Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente”.

Este foi o primeiro romance de Clarice que eu li e confesso que amei logo de cara. A narrativa é simples e deliciosa e é impossível não se apaixonar pelas personagens tão extraordinariamente criadas por Clarice. A história vai te envolvendo aos poucos e você se vê totalmente cativado pelas dúvidas e questionamentos de Lóri, a personagem principal, que está perdida pois não entende direito o que é “ser”.

Ulisses, seu namorado e professor de Filosofia, tenta ajudá-la a entender esse mistério e como é agradável o prazer de simplesmente existir. Durante todo o desenrolar da história, ele a desafia para refletir sobre os acontecimentos, rotineiros ou não, de sua vida e a ajuda a descobrir quem ela é, o que gosta, quais são as atitudes que lhe dão prazer, o que a desagrada.

Clarice propõe a reflexão sobre diversos conflitos emocionais e usa de uma liberdade de escrita maravilhosa, afinal uma das características famosas desse livro é que ele começa com uma vírgula e termina com dois pontos.

E há tanto mais a dizer sobre esse livro, mas minhas próprias palavras não seriam suficientes, então escolhi um trecho da própria autora que falará por si só da qualidade narrativa e beleza indescritível deste livro:

“Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.

Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gaffe.

Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer «pelo menos não fui tolo» e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia”.

Leitura super recomendada!

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
Bibliotecária e leitora compulsiva! Apaixonada por livros e palavras.
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Resenha: Enquanto as Luzes não se Apagam

Livro: Enquanto as Luzes não se Apagam
Organizador: Felipe Saraiça
Editora:
Pendragon
Páginas: 128
Nota: 3
(1.Não gostei 2.Gostei pouco; 3.Gostei;
 4.Gostei bastante; 5.Adorei)

Uma coletânea de contos de jovens autores, alguns se aventurando pela primeira vez no mundo das palavras e que trazem assuntos muito pertinentes e necessários como compulsão, anorexia, síndrome do pânico, depressão, ansiedade entre outros transtornos psicológicos. Os contos são de literatura fantástica e abordam esses assuntos pesados de forma muito delicada, mesclando o real com o imaginário e mostrando que até mesmo os seres mágicos e mais fortes passam por dificuldades que se equiparam às de nossas vidas e portanto trazem certo alento.

Os contos são curtos, alguns conseguem te levar muito fundo nas emoções explanadas, outros nem tanto, mas acredito que todos eles tenham encontrado o seu leitor certo, a pessoa que precisava ler aquilo e não se sentir sozinha no mundo, ou compreender melhor um amigo ou familiar. No início de cada conto você tem uma minibiografia de cada autor, o que achei bem bacana, pois diminui o distanciamento autor-leitor e facilita a compreensão da narrativa. A editoração gráfica do livro também é muito bonita.

Recomendo a leitura e recomendo também para bibliotecas escolares onde jovens possam ter acesso a essa leitura, refletir sobre ela e manter suas luzes acesas.

COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Dica de Leitura: Tartarugas até lá embaixo – John Green

Um pouco triste, mas um TUDO de vida real.

Terminei esse livro extremamente emocionada. Sei que John Green é visto por muitos como escritor de historinhas de adolescente e, no fim, é mesmo isso que ele é, mas eu não vejo isso como negativo. Eu também tenho um pouco de preguiça de alguns romances adolescentes muito bobinhos, mas definitivamente não é o que acontece com John Green. Ele sempre traz algum assunto bem profundo junto com a adolescência e nos envolve de alguma forma, nos fazendo refletir muito sobre as dores e problemas do outro. John Green escreve sobre empatia. E precisamos MUITO disso hoje em dia.

“Qualquer um pode olhar pra você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu”.

Neste livro, o assunto é transtorno de ansiedade e TOC. É uma enorme angústia mergulhar junto com Aza Holmes, nossa protagonista, em suas espirais de pensamentos que vão ficando cada vez mais fortes e acabam levando-a a acreditar em certas coisas num grau muito elevado, excluindo-a do convívio com as pessoas, afastando-a dos mais queridos e deixando-a completamente atordoada em situações que para qualquer outra pessoa seriam coisas simples, que sequer chegariam a pensar sobre. E, se você já passou por algum tipo de dor emocional, mesmo que em graus mais amenos, vai ser impossível não se reconhecer em algumas dessas situações.

“No fundo ninguém entende o que se passa com o outro. Está todo mundo preso dentro de si mesmo”.

John Green nos presenteia com uma narração clara dos pensamentos da protagonista, da forma como eles começam e até onde a levam, da briga interna dela com os pensamentos, de como as pessoas ao redor lidam com isso, pensam sobre isso. São diversas visões diferentes do mesmo problema que faz com que você mergulhe intensamente neles e é impossível não se sentir ligado a isso de alguma forma, e refletindo sobre como tantas pessoas devem estar passando por isso todos os dias e nem desconfiamos, e as vezes somos até rudes ou intolerantes com as pessoas, por não pensarmos nas lutas internas que devem estar travando. Mostra também como é difícil para os que estão muito próximos saber como ajudar, e o que fazer pra amenizar essas crises e situações. Ambos os lados sofrem muito.

“Estar vivo é sentir saudade”.

Aza tem uma melhor amiga, uma mãe muito amorosa e um velho amigo de infância que tentam o tempo todo ajudá-la nesses conflitos. Acho que o mais importante desse livro é mostrar que, principalmente nas doenças emocionais e mentais, sempre é preciso buscar ajuda profissional. Aza também tem uma analista muito querida que durante todo o processo vai ajudando-a a entender melhor o que está acontecendo. Fica a importante mensagem que não estamos sozinhos, e pedir ajuda não é uma fraqueza, nem vergonhoso, pelo contrário, é um ato de coragem e amor próprio.

Pra mim a leitura desse livro foi emocionante também porque ganhei de um amigo muito querido, Carlos Rogério Sartori, num momento em que passei por algo emocional muito difícil em minha vida. Tanto que abandonei, por um período, até mesmo a leitura que é o que eu mais amo fazer na vida. Acabei não lendo o livro na época, pois estava muito dentro da situação e acabei me afastando e me isolando. Mas quando o li, tempos depois, mesmo já estando super bem, me emocionei com o presente, principalmente porque foi lindo que esse amigo tenha tentado me ajudar, além de tantas outras formas, através da literatura. A literatura salva. Ambos acreditamos nisso.

O livro tem um desfecho que está longe de ser um final feliz e como a própria Aza nos diz no livro…. “O problema dos finais felizes é que ou não são realmente felizes, ou não são realmente finais”. Foi o final que o livro poderia e deveria ter, dentro de todos os acontecimentos e de todos os fatos, era o melhor que poderia ser… Nada 100% resolvido, um pouco triste, um TUDO de vida real. Ah, e o título do livro é genialmente explicado no finalzinho da história! Fica, como disse na resenha toda, a necessidade de aceitação do problema que o livro nos demonstra, e que precisamos muito sim, de ajuda, de amigos, de pessoas que realmente se importem. E lembrar sempre, que apesar de não conseguirmos enxergar que alguém se importa quando estamos dentro da crise, algumas pessoas realmente se importam e estas são as que devemos manter ao nosso lado.

Recomendo muito a leitura. A quem já passou por algo parecido, àqueles que convivem com alguém que está passando por algo parecido e a todos! Aprender e refletir nunca é demais.

EVELYN RUANI
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Resenha: Francisco

Livro: Francisco
Autor: Guilherme Samora
Editora:
Globo Livros
Páginas: 160
Nota: 4
(1.Não gostei 2.Gostei pouco; 3.Gostei;
 4.Gostei bastante; 5.Adorei)

Eu não sou católica, mas tenho um carinho muito especial por São Francisco por ser o protetor dos animais. Quem me conhece bem sabe que defendo muito a causa animal, estou no caminho de parar totalmente de comer carne (já estou à dois anos comendo apenas peixe e de vez em quando) e sou dessas que se pudesse, sairia pegando todos os animais de rua e colocando pra dentro de casa!!

Enfim, descobri o livro do Guilherme Samora, porque sigo a Luisa Mell (e sou muito fã) e vi que ela foi ao lançamento do livro dele. Imediatamente fiz a compra na internet, pois sempre quis saber um pouco mais sobre a história de São Francisco. A leitura desse livro foi muito gostosa e uma grata surpresa, pois soube de coisas que sequer imaginava sobre a vida dele. Sabia, como a maioria, que ele tinha vindo de uma família rica e deixado tudo isso pra trás pra seguir uma vida de simplicidade, pobreza e amor. Mas não fazia a menor ideia de como ele era antes de tomar essa decisão, e o quão difícil foi seguir esse caminho no começo. A reação do pai, as coisas que ele fez pra tentar manter Francisco longe das ruas e de sua vocação, como ele era tratado na rua por algumas pessoas, sendo visto como louco e até mesmo ladrão, enfim… Foram muitas dificuldades e ele encontrou consolo na fé e na certeza do caminho a seguir.

Como disse, o livro foi uma grata surpresa, pois conheci muitos outros aspectos da vida de São Francisco que não imaginava, além do seu amor pelos animais. Há belíssimas e fantásticas histórias sobre isso, mas não é o foco único do livro que traz muitas informações interessantes sobre seu caminho, as pessoas que o acompanharam, seus principais momentos de vida, descobertas científicas a respeito de milagres e suas relíquias e ainda nos presenteia com textos da autoria de São Francisco e fotos dos locais importantes para sua jornada.

A leitura é super fluída e dá pra perceber nas palavras do autor, a admiração e o amor que ele também sente por São Francisco, além de muita atenção e pesquisa aos fatos históricos. E termino minha resenha com esse trecho/ensinamento do livro:

“Francisco, que já pregava que ninguém deveria se preocupar com o amanhã, deixa outra valiosa – e muitas vezes esquecida – lição para os dias de hoje: tentar ao máximo viver com leveza e boa energia”.

Recomendo a leitura!

COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Dica de Leitura: O Submarino do Juquinha & Natal Eterno – Cadu Lima

Hoje conheceremos melhor o autor Cadu Lima da cidade de Sumaré e seus dois primeiros livros lançados! Carlos Eduardo de Lima dos Santos é casado com Graziela e nascido em São Caetano do Sul – SP, mas já vive em Sumaré há 15 anos. Formado em Ciências Contábeis pela Faculdade Anhanguera, também concluiu o curso de Formação Pedagógica em Matematica pela Universidade Cruzeiro do Sul.  Atualmente estuda Licenciatura em Letras Português/Inglês também pela Universidade Cruzeiro do Sul e é professor de matemática, ciências, tecnologia e eletivas do 6º ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio na rede pública desde 2018.  Cadu Lima também  já participou de mais de 50 antologias de contos e poesias pelo Brasil afora, sendo que seu primeiro livro solo, o livro infantil “Natal Eterno”, foi publicado em 2019 pela Editora Arkanus, de São Paulo. O segundo foi publicado em 2020 e se intitula “O Submarino do Juquinha”, pela Editora Expressividade, de Florianópolis. Cadu Lima também foi nomeado presidente  da Associação Amigos da Biblioteca de Sumaré.

Vem comigo conhecer um pouco mais desse autor da nossa região nessa entrevista:

Como a literatura entrou em sua vida?
CADU LIMA: A Literatura em minha vida deu início ainda quando estava no ensino fundamental, mais ou menos na 2ª ou 3ª série, quando por incentivo da minha mãe ganhei uma coleção de livros infantis. Mais tarde, professoras muito queridas, principalmente Maria Aparecida Adomaitis de Araújo e Nair Branti, me incentivaram a escrever quando elogiavam as minhas redações e aquilo me animou a continuar escrevendo.

Como é sua rotina para escrever? Você tem alguma rotina para escrever, alguma disciplina, um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?
CADU LIMA: Não tenho uma rotina, quando surge uma oportunidade eu escrevo.

Quanto tempo demora para concluir um livro?
CADU LIMA: Uma historia curta e infantil como Natal Eterno e O Submarino do Juquinha no mesmo dia fica pronta, dependendo da inspiração e as vezes vou ajustando, mudando uma coisa aqui e outra ali depois de pronta. Não escrevi nenhum romance longo ainda, mas pretendo. Nesse momento estou juntando algumas poesias já escritas para uma coletânea. Para selecionar os poemas pode ser um ou dois dias, analisando erros e outras coisas.

As histórias “se escrevem” sozinhas ou você pensa na trama inteira?
CADU LIMA: Às vezes penso na trama inteira, já em outras oportunidades a história parece que “se escreve sozinha”.

De onde vem a inspiração?
CADU LIMA: A inspiração vem do cotidiano e de outros livros às vezes.

Quais são seus livros e autores/autoras favoritos?
CADU LIMA: Meus livros favoritos são: Bíblia, Crônicas de Nárnia de C.S. Lewis, a saga Harry Potter de J.K. Rowling, livros do Tolkien, Júlio Verne, Agatha Christie, gosto de autores clássicos nacionais como Machado de Assis, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Monteiro Lobato, Braulio Bessa e também gosto dos universos DC e Marvel, Maurício de Souza, Ziraldo, entre muitos outros!

Tem planos para livros futuros?
CADU LIMA: Sim, inclusive de poesias e contos, além de outros infantis e uma história em quadrinhos e livros feitos em parcerias com outros autores.

Conhecemos um pouco mais dessa autor regional, e agora vamos conhecer suas duas obras já lançadas:

O Natal passou, mas o livro “Natal Eterno”, de Cadu Lima, é para ser lido o ano inteiro. Uma bela mensagem natalina que pode emocionar crianças, jovens e adultos. O livro nos proporciona uma viagem para um mundo fantástico onde estarão presentes elementos inspirados no Natal cristão e no Natal comercial. A mensagem do livro, como o título sugere pode ser lido o ano inteiro, não apenas no Natal. Alvinho se depara com um dilema, bem próximo da chegada do Natal: onde estaria seu pai? De repente, uma luz surge em sua janela e a partir daí uma história de aventura e fantasia se inicia que traz uma linda reflexão sobre o verdadeiro sentido do Natal, tanto para crianças quanto para adultos.

Em “O submarino do Juquinha”, Juquinha e seus amigos viajam ao fundo dos mares, sendo conduzidos ao início de inúmeras aventuras onde a curiosidade e o amor pela natureza marinha os farão descobrir a verdadeira vocação. Em uma linguagem singela que se complementa com as ilustrações (que podem ser coloridas pelas crianças, aumentando a experiência literária), o livro traz a reflexão sobre o respeito e amor que devemos ter por nossa natureza e nossos irmãos animais. 

Para maiores informações sobre o autor e suas obras:
CADU LIMA
Whatsapp: (19) 98107-9448
Instagram: @escritorcadulima
Facebook: Cadu Lima

Para adquirir os livros, também pode ser com o próprio autor, ou através das formas abaixo:
https://www.livrariadabok2.com.br/natal-eterno
https://www.editoraexpressividade.com.br/pagina-de-produto/o-submarino-do-juquinhha

Também estão a venda nas plataformas Submarino, Lojas Americanas, Mercado Livre e Estante Virtual!!

EVELYN RUANI
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