Sobre a 25ª Bienal do Livro de SP

Ah, o que falar desse evento? É maravilhoso demais, podem dizer as más línguas o que quiserem, é um local mágico de encontro de leitores, autores, profissionais da área (me incluo, bibliotecária com orgulho ❤ ), e muitas trocas de experiências, conhecimento, olhares, enfim…  A Bienal do Livro é um momento que proporciona muita interação nesse mundo literário e eu fico sempre muito feliz de ver aquele galpão lotado de gente em busca de cultura, conhecimento, e aprendizado para a vida! Tem atrações para todas as idades, gêneros literários para todos os gostos, e muita, muita promoção desta vez. Vamos quebrar a ideia de que livro na Bienal é mais caro que na internet?  Vou mostrar minhas aquisições:

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Resenha: Amor Além da Vida

Livro: Amor Além da Vida
Autor(a): Richard Matheson
Editora:
 Butterfly
Páginas: 288

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Assisti ao filme há alguns anos atrás. Me lembrava de ser uma linda história, mas não me recordava dos detalhes maravilhosos que o livro me trouxe. Não sei dizer se são diferentes, pois terei que assitir ao filme novamente, mas essa linda história carrega valiosas lições de amor, paciência, dignidade e nos faz refletir sobre toda nossa existência: nossos atos, nossas palavras, nossos gestos de amor e/ou ódio e suas consequências. Sem contar que é lindo ler sobre esse amor maravilhoso que Chris sente por Ann e vice e versa. O amor de Ann tão forte por Chris que não pode suportar a separação e acaba destruindo o destino de ambos. Destino esse salvo por Chris que é capaz de suportar coisas além de nossa imaginação para encontrá-la. Uma leitura realmente maravilhosa e muito mais do que recomendada. Até mesmo para aqueles que não acreditam em vida pós morte.

“Todos nós precisamos examinar nossa vida.
Com muita atenção”.

De Novo? Sim, SEMPRE!

“E o que me faz recordá-la? Não posso olhar para este chão, pois seus traços estão impressos nas lajes! Em cada nuvem, em cada árvore… enchendo o ar à noite, e vislumbrada em cada objeto de dia… Estou cercado pela sua imagem! Os rostos mais comuns de homens e mulheres, meus próprios traços, debocham de mim com alguma semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de recordações de que ela existiu, e de que eu a perdi!”

. Emily Brönte in O Morro dos Ventos Uivantes .

E eu me pergunto… Como não amar? É por essas e outras citações que esse livro se tornou simplesmente O LIVRO pra mim. Acho que vocês já estão até cansados de me ver falar dele, mas eu me sinto como Snape, quando perguntado de seu amor pela Lily: “Always” ❤

Terminei de ler, pela… Nem sei quantas vezes já li. E a emoção é sempre a mesma. O amor por cada personagem querido, a raiva de cada personagem odioso, as angústias, as dores. É sempre como se eu estivesse lendo pela primeira vez: impactante, memorável. É impossível não ver na escrita rústica de Emily Brönte, sua brilhante inteligencia, seu talento raro e à frente de sua época, seus pensamentos complexos e não lineares que fugiam de padrões pré estabelecidos. A criação quase perfeita de seus personagens, a violência psicológica dos diálogos e cenas terríveis são ingredientes que te prendem às paginas, por mais áridas que sejam, até que você encontre apenas nas últimas linhas um raio de sol que escapa por entre nuvens pesadas de tempestade.

Sim, como bem disse Tati Feltrin em sua maravilhosa resenha deste livro (assista aqui), O Morro dos Ventos Uivantes é uma tempestade. Não há um sequer momento de pausa entre os ventos fortes, as destruições causadas, o frio gélido das gotas. É um romance para ser lembrado. Uma única obra, capaz de atravessar os séculos como um clássico da literatura universal. Não preciso dizer que a leitura é mais do que recomendada, essencial, preciso?

Leia mais sobre o que acho dessa obra, aqui na resenha oficial.

Resenha: Tamanho 42 não é Gorda

Livro: Tamanho 42 não é Gorda
Autor(a): Meg Cabot
Editora:
 Record
Páginas: 411

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Curti!
Leitura super prazerosa. Confesso que peguei para ler pelo título e me surpreendi com a história. Achei que era um chick-lit tradicional, mas é também um livro de mistério.

Uma cantora pop que chegou ao fundo do poço pois a gravadora não se interessa por suas música, foi traída pelo namorado, o pai está atrás das grades e a mãe fugiu para a Argentina com toda suas esconomias, consegue um emprego de assistente de diretoria de um alojamento (ops, conjunto residencial estudantil) da faculdade de Nova York e pensa que enfim sua vida está começando a melhorar. Logo, Heather Wells descobre que não é bem por aí.

Achei a história super divertida e criativa, além de prender a atenção pelo mistério. O romance da história não é daqueles ultra-melosos (graças a Deus!) e os personagens são muito cativantes. Uma história interessante e com ótima narrativa! Foi o primeiro livro da Cabot que li e agora já estou ansiosa pelo “Tamanho 44 também não é gorda”! rs

Resenha: Lis no Peito

Livro: Lis no Peito: um livro que pede perdão.
Autor(a): Jorge Miguel Marinho
Editora:
 Biruta
Páginas: 180

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

É um livro delicado e gostoso de ler, para os que assim com eu são fãs de Clarice Lispector e até para quem quer começar a entendê-la e gostar da escrita dela. Uma história bonitinha, repleta de citações deliciosas e diálogos poéticos. Achei que o autor foi super criativo nas escolhas das citações que nomeiam os capítulos e no desenrolar da narrativa também. As ilustrações acompanham a mesma qualidade narrativa e o conjunto de tudo é uma obra simples e bela como uma flor no peito.

Resenha: Entrevista com Vampiro

Livro: Entrevista com Vampiro
Autor(a): Anne Rice
Editora:
 Rocco
Páginas: 334

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

Bom, eu não gosto de Vampiros. Li a coleção da Stephenie Meyer mais por não ficar de fora das conversas, do que por gosto realmente. Acho que também é por isso que gostei mais do livro Lua Nova que de todos os outros. Lobos são mais aceitáveis. Não sei bem qual é o problema com os vampiros, mas não gosto. Quando terminei de ler Amanhecer, prometi que não ia ler mais nenhum, que minha cota vampiresca estava acabada pelo resto de minha vida.

Mas, decidi abrir uma exceção para Anne Rice, afinal não podia basear minhas leituras vampirescas apenas nos livros da Meyer. Fiquei feliz de ter feito isso. O livro de Anne Rice me cativou logo no início. Narrativa apaixonante e super poética. Adorei o Vampiro Louis desde o princípio, seu lado mais humano que imortal, seus sentimentos, seus pensamentos, sua bondade e compaixão totalmente atípicos de sua natureza.

E Lestat. A figura lendária que é Lestat. Eu o admirei e odiei durante toda a leitura. Suas respostas às perguntas incessantes de Louis (e mais a frente na narrativa, de Cláudia) seriam cômicas se não fossem trágicas. Uma figura em forma de Vampiro. A morte em suas milhões de facetas.

Mas o que realmente gostei no romance de Rice (e nem dá pra comparar aos romances de Meyer, pq são totalmente diferentes) é que os Vampiros são maus. Sua natureza é assassina, cruel, desumana e insensível. Mesmo Louis, que lutou durante o livro todo contra isso, teve seus momentos totalmente vampirescos.

Os personagens pareciam reais. Reais demais a ponto de me deixar com medo e de me fazer virar o rosto em certas cenas. Agora, preciso desesperadamente ver o filme. E talvez (mas só talvez, eu leia outro livro de Rice: O vampiro Lestat). E aí sim, será o fim dos Vampiros pra mim. Fecharei a cota com chave de ouro. Leitura recomendada!

Compulsão Patológica

Tenho. Descobri quando fui tirar uma foto que postei inclusive aqui, das edições do meu livro favorito: O Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brönte e descobri que eram 18!! 18 edições diferentes do mesmo livro. Porquê… SIM. Porquê eu amo, e, pior… Não consigo ver uma edição nova e que eu não tenha e não comprar. Recentemente participei de um Seminário em Santiago, Chile e o que aconteceu? Tive que comprar uma edição em espanhol, já que ainda não tinha nessa língua.

Mas também não é QUALQUER edição que eu saio comprando. Tem que ser bonita, bem diagramada, diferente. Não é um papel de jornal que vai me conquistar 😛 Ou seja, já estou na etapa final da compulsão patológica que Mindlin, bibliófilo brasieliro, explicou bem melhor do que eu jamais faria:

Roubartilhei daqui:

A relação dos homens com os livros, em particular a dos bibliófilos, aqueles que por eles se apaixonam, passa por três estágios. Primeiro, os homens pensam que conseguirão ler um número de livros maior do que de fato é possível. Num segundo estágio, consequência imediata do primeiro, passam a desejar ter em mãos o maior número possível de obras dos autores de quem gostam. Num terceiro momento, já siderados, surgem o interesse pelas primeiras edições, geralmente raras, e a atração pelo livro como objeto de arte. Esta última fase é definida pelo mais célebre bibliófilo brasileiro, o empresário paulista José Mindlin, como perdição.

Quando se chega a esse estágio, aquele que pensava em ser na vida apenas um leitor metódico está irremediavelmente perdido”.

Confessa Mindlin. A patologia – doce patologia – está instalada em definitivo. Essa tese é defendida logo na abertura de “Uma Vida entre Livros – reencontros com o tempo.

Primeiro se começa com as edições comuns. Depois vem o interesse pelo livro bonito, com ilustrações e bem diagramados. A próxima é a busca das primeiras edições de um determinado título. Passa-se, então, a procurar exemplares autografados. A última etapa é a consciência da raridade. E aí você está definitivamente perdido.

Com toda certeza já estou DEFINITIVAMENTE perdida! ❤