Resenha: A Casa dos Espíritos

Livro: A Casa dos Espíritos
Autora: Isabel Allende
Editora: @bertrandbrasil
Páginas: 448
Nota: 5/5 (💜)

Que livro meus senhores…
Começo essa resenha com uma pergunta: como pude ficar tanto tempo sem conhecer Isabel Allende? Gratidão às amigas Glaucia e Lúcia por me influenciarem a conhecer essa autora de narrativa forte e cativante.

Neste livro maravilhoso, somos apresentados a três gerações da família Trueba através das protagonistas femininas Clara, Blanca e Alba e do autoritário patriarca da família, Esteban. Impossível não se apaixonar por estes personagens fortes ao longo dessa narrativa incrível que perpassa por questões sociais, econômicas, políticas e de relacionamento humano, como o amor e o ódio.

Muito embora o título do livro dê a entender que leremos uma história sobrenatural, e ainda que este tema não abandone jamais a narrativa, principalmente através da personagem Clara que desde pequena demonstrou uma sensibilidade e clarividência, não é o foco central dessa saga familiar. Allende contextualiza a narrativa com a história do Chile que culmina num golpe de Estado em 1973, instalando a ditadura.

E é justamente nesse ponto, nas últimas cem páginas do livro, que está toda a grandiosidade e beleza dessa história que vai sendo aos poucos construída desde as páginas iniciais. Impossível não ler com lágrimas nos olhos, não sofrer as dores e agruras de uma ditadura militar narrada tão brilhantemente por Allende com detalhes e reflexões que nos atingem de uma forma avassaladora.

Livro que foi pra lista dos favoritos com certeza e que recomendo demais a leitura!
#blogentreaspas#literaturalatina#mulheresnaliteratura 🌹

Resenha: Claro Enigma

Livro: Claro Enigma
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Editora: @companhiadasletras
Nota: 5/5

Drummond é simplesmente maravilhoso e esse livro traz alguns poemas mais reflexivos em relação principalmente as relações e condição humana. Foi publicado em 1951, mas são versos que viajam através dos tempos e ainda hoje são muito atuais. Seus poemas versam a angústia do ser humano que se sente oprimido e esmagado. Incomodado e em busca das perguntas que precisam ser feitas e que nos fazem refletir sobre a vida, o amor, a ausência, o tempo e a própria poesia.

Não são perguntas fáceis de ser lidas, que dirá respondidas. Como no poema “Perguntas em forma de Cavalo-Marinho” onde questiona: “Que metro serve para medir-nos? Que forma é nossa e que conteúdo?”. E nesse mesmo poema:

“Contemos algo? Somos contidos? Dão-nos um nome? Estamos vivos? A que aspiramos? Que possuímos?Que relembramos? Onde jazemos?”.

Como se não bastasse, no poema “Confissão” nos pergunta “Do que restou, como compor um homem?” como quem pergunta como vai o dia… E finaliza dizendo: “Não amei bastante sequer a mim mesmo, contudo próximo. Não amei ninguém”. A introspecção da poesia de Claro Enigma, encontra ecos em nossos dias atuais, na situação atípica que vivemos, nas incertezas do amanhã e nas angústias de um presente que jamais imaginamos e explicita isso no poema “Cantiga de enganar” ao dizer-nos “O mundo é talvez: e é só”. e no poema “Estampas da Vida” no verso “Toda história é remorso”.

Mas traz também algum alento, em um de seus poemas mais lindos e que é um dos meus favoritos: “Amar” e que talvez seja a única pergunta que deveríamos nos fazer sempre e a única busca infinita a qual jamais deveríamos abrir mão ou deixar morrer, apesar de tudo:

“Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? (…)Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor”.

Leitura super recomendada!
#blogentreaspas#poesiaemtudo#autornacional#leiamais

Resenha: Só os Animais Salvam

Livro: Só os Animais Salvam
Autora: Ceridwen Dovey
Editora: @darksidebooks
Páginas: 240
Nota: 5/5 (💜)

“Só os animais podem nos dizer o que é ser humano”
Esse livro acabou comigo. São dez contos, cada um pela visão de um animal diferente e todos eles estão narrando um pouco do que foi sua vida, mas essencialmente sua morte. O nome dos contos é sempre “Alma de…’ e são ambientados durante as diversas guerras e conflitos que acometeram nosso planeta no último século, dentre elas a primeira e a segunda grande guerra, a guerra fria, entre outras e cada animal conta o seu ponto de vista de sua história e dos acontecimentos ao seu redor.

Além disso, trazem também um contexto bastante literário. Ao longo da narrativa encontramos trechos e indicações de livros e personagens, autores famosos como é o caso do conto “Alma de Tartaruga” que ela foge de casa porque queria morar com Tolstoi e acaba vivendo com Virgínia Woolf e George Orwell. No conto “Alma de Golfinho” ele conta sua história através de uma carta que escreve à Sylvia Plath…

A princípio fiquei um pouco perdida na dinâmica da narrativa, mas a história vai crescendo e tomando uma profundidade impressionante e é quando você começa entender a finalidade central dela: o que estamos fazendo com nosso mundo? Através dessas fábulas modernas, totalmente emocionais e cheias de pontos a refletir, conhecemos essas almas cheias de esperança, inspiração e compaixão que muitas vezes não encontramos em seres humanos.

Destaco dois contos que me arrancaram lágrimas e que são de uma beleza inenarrável: “Alma de Elefante” e “Alma de Papagaio” e dois contos que são geniais: “Alma de Tartaruga” e “Alma de Mexilhão”. Mas todos os contos são fantásticos à sua forma. Esse livro é uma construção inusitada com histórias de despedaçar o coração, mas extremamente necessárias. Recomendo muitíssimo a leitura.

COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Dica de Leitura: Comentários a Respeito de Evelyn – Cah Muniz

Hoje conheceremos melhor a autora Cah Muniz e o seu livro Comentários a Respeito de Evelyn! Cah é autora em 07 antologias publicadas fisicamente entre 2017 e 2018 pelas editoras Empíreo, Futurama, Illuminare e pelos projetos “Sonhos Literários” e “Engenho das Palavras”. É umas das antologistas de Meu (Não Tão) Querido Ex, lançada em 2020. Tem 5 e-books publicados na Amazon, disponíveis para compra: Comentários a Respeito de Evelyn, Corações Sequestrados, SuperStar, Contos (In)Contáveis e A Paciente — primeiro livro da trilogia romântica que continuará em 2021.

Vem comigo conhecer um pouco mais dessa autora:

Como a literatura entrou em sua vida?

CAH MUNIZ: Meu pai era um livreiro viajante! Desde criança me vi cercada de literatura! Leio desde muito jovem e nunca mais parei. Resolvi escrever aos 13 anos, num concurso de poesias. Iniciei com elas, depois escrevi alguns livros (que claro, não deixaram a minha gaveta) e fiquei em um hiato de escrita… Até decidir criar coragem e dividir minhas histórias em 2018.

Como é sua rotina para escrever? Você tem alguma rotina para escrever, alguma disciplina, um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?

CAH MUNIZ: Eu tenho escrito muito. Nesta pandemia intensifiquei o meu ritmo, aproveitando a ausência em eventos e festas. Com isso criei um hábito delicioso e produtivo: amo escrever às 4/5 da manhã. Tenho mais inspiração neste horário e busco adaptar minha rotina para me sentar no notebook todos os dias (possíveis) e dar continuidade nas programações. Porém, quando surge mesmo a inspiração, se eu pudesse sequer sairia do escritório. Escreveria direto, rs.

Quanto tempo demora para concluir um livro?

CAH MUNIZ: Isso depende muito. Mas geralmente o livro inicial — escrito na  inspiração — costumo escrever em 40 dias. Depois entra a fase de revisões e esta demora mais, até dois meses inteiros. Entre escrever e publicar aí pode demorar anos.

As histórias “se escrevem” sozinhas ou você pensa na trama inteira?

CAH MUNIZ: Quando a inspiração chega, geralmente ela me traz uma “cena chave”. A partir desta cena é que desenvolvo todo o livro. Por exemplo: em “Comentários a Respeito de Evelyn” eu escutei inesperadamente a música “Three Times a Lady”, do Commodores. A cena que cito no livro surgiu na hora — sabia que os personagens estariam naquele momento, mas não sabia como eles chegariam até lá. Em romances é assim. Mas para contos, eu costumo “ouvir” a primeira e a última frase. E então escrevo o meio, rs.

De onde vem a inspiração?

CAH MUNIZ: Amo assuntos cotidianos. Sou uma observadora em restaurantes, bares, festas. Adoro ouvir “casos”, histórias de “romances que não deram certo”, “intrigas familiares”. O que outros chamariam de “curtir uma fofoca”, para um escritor, na verdade, é acervo de inspiração. Uma coisa que me ajuda também é ser inconformada com finais de filmes, por exemplo. Se curto a química dos atores em cena, eu guardo isso comigo — e depois costumo escrever uma história para eles. Boa parte dos casais que já divulguei nos meus romances possuem inspiração em atores que trabalharam juntos — e que eu quis oferecer minha própria narrativa.

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[2021] #TBR de Janeiro

📖 Kindred, Laços de Sangue – #OctaviaEButler: unindo as metas de de ler mais autores negros e ficção científica em 2021. É um livro que só ouvi coisas boas e já estava há tempos querendo conferir;

📖 O Engenhoso Fidalgo D. Quixote da Mancha, vol. 1 e 2 – #MigueldeCervantes: livro do mês do clube de leitura Provocações Literárias (@sheyla.santos.18);

📖 O Mistério do Coelho Pensante e outros contos – #ClariceLispector: leitura do mês do clube de leitura Toda Clarice;

📖 Memórias de uma moça bem comportada – #SimonedeBeauvoir: homenageada do mês no @clubetripas;

📖 Fica Comigo – #AyobamiAdebayo: me comprometi a ler pelo menos um livro da @taglivros por mês;

📖 Jane Eyre – #CharloteBrönte: leitura do mês do projeto “Irmãs Brönte” da @dudabmenezes que estou ansiosíssima pra começar;

📖 Labirinto #JimHenson & #ACHSmith: me comprometi a ler pelo menos um livro da @darksidebooks por mês;

📖 The Magnum Opus – #ChristophereChristineKezolos: esse é para o meu trabalho, continuação de um curta-metragem que estou super curiosa pra ler.

Que ano!!!

Parecia que estava tudo bem, até março chegar e entrarmos num “recalcular rota” que não parou até agora… Cada vez que parecemos estar começando a encontrar um caminho, é preciso recalcular de novo.

Foram muitas perdas, muitos danos, mas eu não consigo olhar pra tudo isso e não ver os ganhos também. Pois, como dizia Caio F. “Certo, muitas ilusões dançaram. Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas”.

E foi um ano de tanto aprendizado, superação, reinvenção. Eu, que costumava ler muitos livros por mês, estava há pelo menos 4 anos passando meses sem ler, lendo um a cada dois meses…

E de repente a pandemia, meses de #ficaemcasa e voltei a ler como antes, fazendo #TBR, cuidando mais do IG, fazendo novas amizades, parcerias, trocando experiências ou só jogando papo fora e conseguindo sobreviver ao medo, ao desânimo, a tristeza…

Foram os piores e os melhores momentos. Teve muita coisa ruim, mas também muita coisa boa e muito, muito aprendizado!!

A palavra pra esse ano é #gratidão!!🙏🏼📚💜

COLUNA “Entre Aspas”

Jornal Tribuna Liberal de Sumaré pag. 12

Retrospectiva Literária 2020

  • O livro infanto-juvenil que mais gostei: Coraline – Neil Gaiman

É uma história grandiosa contada com simplicidade e poesia, os acontecimentos vão sendo descritos com uma sutileza tenebrosa. São retalhos dos nossos próprios medos. As personagens são profundas e inesquecíveis, nos fazendo refletir sobre as muitas faces que cada um esconde sobre sutilezas e sorrisos e os diálogos, mesmo os mais pequenos, tem sempre muito a dizer. Me encantou muito como ele construiu a personagem Coraline, que apesar de ser uma criança, é extremamente esperta e consegue pressentir perigos e reconhecer certas situações com grande clareza.

  • A aventura que me tirou o fôlego: O Labirinto dos Espíritos – Carlos Ruiz Zafón

Não dá nem pra pensar em como explicar as tantas reviravoltas mesclando presente e passado, personagens antigos e queridos com novos personagens fantásticos e percorrendo caminhos tortuosos até finalmente juntar todas as pontas soltas e fechar a história com maestria. A narrativa especial de Zafón traz o melhor e o pior de seus personagens a tona, nos mostrando a realidade nua e crua da natureza humana. Tudo isso permeado por cenários que vão de lugares sombrios e escabrosos a encantados e belos, além é claro do fato de o leitor estar o tempo todo cercado por citações, personagens e livros, fechando com chave de ouro o encantamento dessa obra.

  • O terror que me deixou sem dormir: Escuridão Total sem Estrelas – Stephen King

Acredito mesmo que ele nos trouxe um tanto da vida como ela é e acho que isso é muito mais aterrorizante que qualquer monstro ou histórias sobrenaturais, porque está ali, ao nosso alcance. São 4 contos que poderiam ser livros separados, mas que compuseram com maestria esse livro cujo título vim a entender somente nas linhas finais do posfácio e faz todo sentido. Não preciso dizer o quanto recomendo a leitura desse livro, o quanto amo a narrativa desse autor e o quanto esse livro, bem a vida como ela é, é um tipo de terror que nos assombra por muito tempo.

  • O suspense mais eletrizante: Colega de Quarto  – Victor Bonini

Você já imaginou chegar em casa e a televisão estar ligada sendo que você tem certeza que a desligou antes de sair? E se encontrasse um chinelo que não é seu no quarto de hóspedes? Uma escova de dentes a mais no banheiro? E se você acordasse ás 2h da manhã com o microondas apitando? Em outras noites, a descarga? E quando você vai checar… NADA. Apavorante não? Das primeiras às ultimas palavras, a narrativa de Victor Bonini te prendem nesse mistério assustador.

  • O romance que me fez suspirar: Comentários a Respeito de Evelyn – Cah Muniz

Este é o romance de estreia da escritora Cah Muniz, que sigo no instagram e blog há algum tempo!! O enredo a princípio me pareceu super adolescente e clichê e quase pensei em não continuar por já estar um pouco saturada desse tipo de leitura e também por não ser o meu gênero favorito! Todos já sabem que romance romântico não é meu forte. Mas fico feliz de ter persistido na leitura, pois fui surpreendida ao longo da narrativa por uma história envolvente e de grande carga emocional.

  • A saga que me conquistou: Duna – Frank Herbert

É muito difícil explicar em poucas palavras a profundidade dessa história e tudo que disse é bastante superficial em relação à todas as suas vertentes filosóficas, religiosas e ambientais. Acompanhamos nesse livro a jornada de um herói e sua incessante busca pelo conhecimento, ponto bastante abordado nesse livro. A trama é muito bem amarrada, a narrativa de Herbert é genial e empolgante e apesar de alguns momentos se tornar um pouco cansativa nos detalhes e descrições, são extremamente necessários para o desenrolar da história. Com certeza quer continuar a ler os livros dessa saga!

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Dica de Leitura: Apenas Uma Vez – Cleia Lira

Hoje conheceremos melhor a autora Cleia Lira e o primeiro livro do seu box Garotos de Jersey: Apenas Uma Vez! Cleia nasceu numa pequena cidade do interior de São Paulo chamada Arco-íris, porém adotou Sumaré como sua cidade. Aqui se casou e teve duas filhas. É professora e nas horas vagas lê, na verdade, segundo seu marido ela devora os livros esse é o seu vício, quando começa não consegue parar mais. E foi assim que se tornou escritora, leu tanto que um dia procurou uma história diferente para ler e como não achou, resolveu escrever e alguns meses depois surgiu seu primeiro livro: Sob Sua Proteção.  .

Vem comigo conhecer um pouco mais dessa autora:

Como a literatura entrou em sua vida?

CLEIA LIRA: A literatura sempre esteve presente na minha vida, amo ler e escrever se tornou uma consequência.

Como é sua rotina para escrever? Você tem alguma rotina para escrever, alguma disciplina, um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?

CLEIA LIRA: Eu gostaria muito de ter uma rotina, mas não sou disciplinada a esse ponto, já escrevi em muitas ocasiões diferentes e circunstâncias também, mas agora estou escrevendo com música coloco uma playlist e começo a escrever, não tem funcionado muito esse ano está complicado para escrever, mas espero ter mais tempo o ano que vem.

Quanto tempo demora para concluir um livro?

CLEIA LIRA: Depende muito do livro, alguns vem pronto na minha cabeça e é só escrever e outros levo mais tempo pensando, pesquisando e fazendo roteiros e esses levam um ano ou mais.

As histórias “se escrevem” sozinhas ou você pensa na trama inteira?

CLEIA LIRA: Bem que eu queria que as histórias se escrevessem sozinhas, mas não é assim que acontece, escrever é um trabalho solitário e longo, ninguém escreve um livro do dia pra noite. O que acontece é que algumas histórias já aparecem prontas na nossa cabeça com começo, meio e fim. Porém, ainda precisamos sentar para escrever elas.

De onde vem a inspiração?

CLEIA LIRA: É difícil mencionar apenas uma coisa, pois a inspiração chega de diversas formas,  pode ser pelas músicas, filmes, histórias e muito dos livros que leio.

Quais são seus livros e autores/autores favoritos?

CLEIA LIRA: Nossa tenho muitos, sou apaixonada pela literatura então sempre encontro um novo autor para me inspirar, mas se tivesse que citar alguns deles seria a Clarice Lispector com suas histórias que tendem a mexer com algo mais profundo no nosso íntimo, o Ernest Hemingway que consegue escrever as melhores histórias com uma precisão cirúrgica de palavras, a Carolina Maria de Jesus com uma escrita realista enfim tem muitos autores bons por aí para se inspirar. E meu livro favorito da vida é Senhora de José de Alencar.

Tem planos para livros futuros?

CLEIA LIRA: Eu tenho alguns rascunhos guardados para começar a escrever em 2021. Entre eles um livro infanto juvenil com uma protagonista adolescente negra, pretendo escrever um livro com contos que abordem diferentes temas enfrentados pelos adolescentes na escola. Essa ideia está esperando tem dois anos, acho que está na hora de mostrar ela para meus leitores.

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Dica de Leitura: Duna – Frank Herbert

Extraordinário!!

Há anos que estou para ler esse livro que foi indicação de um amigo muito querido e hoje me pergunto porque demorei tanto! Duna é um livro com uma história incrível e cheia de reflexões, o que tão bem caracteriza o seu gênero literário, a ficção científica. Além disso muitos dos questionamentos levantados nessa trama são extremamente atuais e podem se encaixar perfeitamente a alguns dos nossos acontecimentos cotidianos.

“Grave isso na memória, rapaz: um mundo é sustentado por quatro coisas… – ela ergueu quatro dedos nodosos – … o conhecimento dos sábios, a justiça dos poderosos, a prece dos justos e a coragem dos bravos. Mas tudo isso de nada vale… – ela cerrou o punho – … sem um governante que conheça a arte de governar. Faça disso a ciência de sua tradição!”

Duna é como ficou conhecido o planeta Arrakis, composto por um gigantesco deserto onde vivem enormes criaturas chamadas de “vermes”, pouquíssima água, algumas cidades e um povo nômade, os Fremen. As condições do planeta são severas e para sobreviver ao deserto é preciso utilizar um traje que reaproveita a água do corpo. É esse o nível de escassez de água do planeta conhecido como Duna. Além disso Duna possui “A Especiaria” que é um tipo de tempero especial que pode proporcionar a expansão da inteligência humana e permitir viagens intergaláticas e que só é encontrado neste planeta.

“Que sentidos nos faltam para que não consigamos ver nem ouvir um outro mundo a nossa volta?”

O ano é 10 mil, a humanidade já se espalhou pelas estrelas e a Terra é apenas uma lembrança. A sociedade é comandada por um Imperador e é composta por uma Guilda Espacial, duas casas que disputam entre si pelo governo de Duna, os Atreides (considerados os bons moços) e os Harkonnen (considerados os degenardos) e as Bene Gesserit, uma ordem de mulheres com poderes e propósitos misteriosos.

Da união do Duque Leto Atreides e da Bene Gesserit Lady Jéssica, nasce Paul Atreides, herdeiro da casa e suspeito de ser “O Escolhido”, o messias esperado pela ordem Bene Gesserit há anos e que tem o propósito de liderar o povo de Duna e salvá-lo de sua casa rival. Os três vão para Arrakis e acabam caindo numa armadilha ardilosa do Barão Vladmir Harkonnen, uma criatura terrível que abusa sexualmente de escravos e mantém sua população à base do medo.

“O respeito pela verdade é praticamente o alicerce de toda moral”

É muito difícil explicar em poucas palavras a profundidade dessa história e tudo que disse é bastante superficial em relação à todas as suas vertentes filosóficas, religiosas e ambientais. Acompanhamos nesse livro a jornada de um herói e sua incessante busca pelo conhecimento, ponto bastante abordado nesse livro. A trama é muito bem amarrada, a narrativa de Herbert é genial e empolgante e apesar de alguns momentos se tornar um pouco cansativa nos detalhes e descrições, são extremamente necessários para o desenrolar da história.

Acho interessante abordar também toda a preocupação do autor em relação ao nosso meio ambiente que fica bem explícita em Duna principalmente pelo personagem Kynes, o planetólogo de Arrakis e pai de Chani. O que me faz lembrar de dois pontos muito relevantes nessa história: as personagens femininas são sensacionais e é impossível não se tornar fã de pelo menos uma delas, ou todas elas; e o livro traz textos complementares maravilhosos, incluindo um glossário que ajuda muito na leitura e compreensão.

Afora tudo isso, quero deixar registrado o quanto eu fiquei apaixonada pela personagem Alia, irmã de Paul Atreids e protagonista de uma cena simplesmente FANTÁSTICA e que com certeza é a razão pela qual eu vou continuar a leitura dos próximos dois livros para pelo menos fechar a trilogia. É um livro de ficção científica de peso e que indico muito a leitura!

“Não terei medo. O medo mata a mente. O medo é a pequena morte que leva à aniquilação total. Enfrentarei meu medo. Permitirei que passe por cima e através de mim. E, quando tiver passando, voltarei o olho interior para ver seu rastro. Onde o medo não estiver mais, nada haverá. Somente eu restarei.”

Vou ficar muito feliz se me escreverem contando o que acharam da leitura!! E se por acaso quiserem alguma leitura específica, podem me pedir pelo email!! Boa semana e ótimas leituras!!

EVELYN RUANI
Bibliotecária e leitora compulsiva! Apaixonada por livros e palavras.
SERVIÇO
Blog: http://blogentreaspas.com
Instagram: @blog_entreaspas
Email: entreaspasb@gmail.com

#TBR de Dezembro

📖 As Sete Mortes de Evelyn Hardcastle – #StuartTurton: terminando esse do mês passado;

📖 Os Homens Explicam Tudo pra Mim – #RebeccaSolnit: indicação da parceira @realidadeliteral ❤️;

📖 As Últimas Testemunhas – #SvetlanaAleksiévitch: me comprometi a ler pelo menos um livro da @taglivros por mês;

📖 Razão e Sensibilidade – #JaneAusten: homenageada do mês no @clubetripas;

📖 A Legião Estrangeira – #ClariceLispector: leitura do mês do clube de leitura Toda Clarice;

📖 Jane – #BroshMcKenna: graphic novel linda baseada em Jane Eyre da #CharloteBrönte 😍;

📖 Leve-me com Você #CatherineRyanHyde: me comprometi a ler pelo menos um livro da @darksidebooks por mês.

📖 The Magnum Opus – #ChristophereChristineKezolos: esse é para o meu trabalho, continuação de um curta-metragem que estou super curiosa pra ler;

📖 Contos (In)Contáveis – @cahmuniz (e-book): faz tempo que quero ler esses contos da autora, agora vai!;

📖 Azul Infinito (spin-off) – @flaviatironiescritora (e-book): louca pra saber mais da história de Sean de ADP.